Desce enfim a ti mesmo sem receio,
Como quem desce à própria sepultura,
Com esse riso vago de quem veio
Por entre os roseirais da desventura.

Desde sem ver a glória do torneio
Dos que só de ouro trazem a armadura,
Na luz consoladora do teu seio
Encontrarás a luz de outra ventura.

É na paz dessa eterna florescência
Que sentimos de perto a consciência
Como de Deus o misterioso vulto.

É por esse caminho iluminado
Que entramos afinal nesse noivado
Transpondo a porta desse templo oculto.

Saturnino de Meireles

Em Astros Mortos 

(1903)

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