uma mulher a sombra do poeta

depois os árabes adormecem subúrbios
no regaço aquários da bota orvalhada luz se apagava
proeminente aonde quisesse rasgava saiotes
e assaltava com as palavras os rijos jornais da noite seios
comigo húmidos habitavam os peixes magoados
no rosto do primeiro livro um beijo um vapor
os guerreiros curados e cansados lábios há três dias
operadores negros comiam e bebiam rios
as auroras em festa lentamente sobre a sombra do poeta
viajam transportando águas e cidades na garganta as
águas e cidades escrevem a luminosidade dos pés

Abreu Paxe

In A Chave no Repouso da Porta, INIC, Luanda, 2003, p.20

A imagem que ilustra foi retirada de 

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