Desobediência (Licínio de Azevedo, 2002). Foto de www.cinemateca.pt.

Cinemateca dedica ciclo a

Licínio de Azevedo, realizador cronista de Moçambique

O realizador e escritor brasileiro Licínio de Azevedo, há muito radicado em Moçambique, terá uma retrospetiva cinematográfica na Cinemateca, em Lisboa, que começou esta terça-feira, com o filme de ficção “Virgem Margarida” de 2011, e se estende até ao final de Dezembro.

Entre 1 e 20 de dezembro, Licínio de Azevedo vai estar na Cinemateca a acompanhar a retrospetiva da sua obra, que apresenta alguns dos seus primeiros trabalhos de meados dos anos oitenta e noventa “num expressivo retrato de conjunto” do seu trabalho como cineasta “cronista” e “contador de histórias” de Moçambique, informa a Cinemateca.

Licínio de Azevedo:´A retrospetiva tem início com a projeção de “Virgem Margarida”, a mais recente longa-metragem de ficção de Licínio e prevê um encontro com o cineasta e Margarida Cardoso, no dia 9, a partir das 18h30 e da projeção do filme desta última sobre e com Licínio, “Clinicas de Moçambique”. Um filme no qual o cineasta evoca o seu percurso no jornalismo, na literatura e no cinema. 

“O meu compromisso é com as pessoas, e não com o cinema” é a citação que marca a abertura da apresentação do ciclo, no site da Cinemateca. “Esta afirmação de Licínio de Azevedo, diz muito do seu entendimento e da sua prática do cinema, a que chegou vindo da escrita e do jornalismo, a partir de meados dos anos oitenta, compondo desde então uma obra profundamente enraizada na realidade moçambicana no rasto da guerra pela independência do país e da subsequente guerra civil, e efetivamente criando uma linguagem cinematográfica própria”, continua o texto.

Serão mais de vinte filmes, entre curtas e longas-metragens, entre documentário e ficção, destacando-se, na quarta-feira, “A colheita do diabo”, um dos primeiros filmes que rodou, em 1988, com a participação de ex-combatentes da Frelimo, e também “Desobediência” (2002), rodado em vídeo com não atores, que será exibido no dia 28.

Licínio nasceu no Brasil, em 1951,e percorreu a América Latina como jornalista, viveu em Portugal e na Guiné-Bissau, antes de chegar a Moçambique, onde trabalhou com Ruy Guerra, Luís Carlos Patraquim, Jean Rouch e Jean-Luc Godard.

O seu cinema “simultaneamente incide em questões prementes da vivência moçambicana e nas suas ‘histórias comunitárias’; revela a natureza contemporânea da sociedade moçambicana; centra‑se inúmeras vezes em figuras e personagens femininas; vive da ancestralidade da cultura africana”, lê-se na programação.

O seu mais recente projeto, “Comboio de sal e açúcar”, coprodução luso-moçambicana, está agora a ser finalizado em Portugal.

Toda a programação dedicada a Licínio de Azevedo pode ser consultada aqui.

Fonte: http://www.esquerda.net/

 

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