Sonia Gomes com um trabalho da coleção Torsões. ()

Sonia Gomes

Caetanópolis, MG, 1948.
Vive e trabalha em Belo Horizonte, MG.

Sonia Gomes conta que sempre gostou de fazer suas roupas ou de mudar as bijuterias que comprava. Não demorou para perceber que suas peças não tinham lugar no mundo da moda, mas no da arte.

“As pessoas achavam minhas criações muito loucas e diferentes”, lembra-se.

 

Há 23 anos Sonia deixou a advocacia e passou a se dedicar à arte. “Acho que a arte é uma atividade exclusivista: tem de se dedicar totalmente a ela. Fiz isso”, explica.

As obras de Sonia Gomes se edificam sobre tecidos antigos, passados, pedaços de vida que são transformados e submetidos a bordados e torções se tornando esculturas de pano e arquitetura impregnada de memória que esbarra em questões de identidade racial em um elo vital com a vida da artista.

Nascida em Caetanópolis, MG, de mãe negra e pai branco, Sonia Gomes é uma fusão também de muitas lembranças. Sônia traz a influência forte da avó, parteira, benzedeira e useira de rodilhas na cabeça. Da família branca, herdou a ruminação dos guardados, das fotos, dos retalhos de tecidos vindos da fábrica, dos afetos fragmentados.

Sonia faz arte para se expressar e para que o instante vivido possa ser trazido novamente à vida. Entre o popular e o erudito, o mundo da artista mineira remete-nos a uma poderosa tradição brasileira que transforma materiais instáveis e difíceis em arte permanente e contemporânea na trama extremamente inventiva de suas colagens e construções.

Após a primeira exposição em 1994 a artista cursou livremente disciplinas na Escola Guignard, UEMG e na UFMG e participa ativamente, desde então, de mostras solo e coletivas como as do Sesc Belenzinho em São Paulo,a X Bienal Nacional de Santos, e a Bienal de Veneza em 2015.

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