Ex-ministro dos Esportes explica a mesquinharia

de Nuzman ao tentar apagar Lula da Rio 2016.

Por Kiko Nogueira

O ponto baixo da bonita festa de encerramento da Olimpíada do Rio foi o discurso de Carlos Arthur Nuzman, presidente eterno do COB, Comitê Olímpico do Brasil.

Nem tanto pelo palavrório, pelas gafes — a bandeira “vermelha e amarela” — e pela megalomania, mas pela profunda mesquinharia e pelo tom auto congratulatório.

No melhor estilo stalinista, apagou Lula e Dilma da fotografia. Nuzman se apropriou de um evento que, no máximo, ajudou a executar. “Quando ganhamos os Jogos, eu disse que o Rio ia fazer história. Agora repito, sete anos depois, o Rio fez história para sempre”, falou.

Não citou Lula, com quem estava naquela noite em Copenhague em 2009 à qual se referiu — e que é, para o bem e para o mal, quem trouxe a Olimpíada. Em entrevista à Folha, Nuzman repetiu a canalhice. Tudo é obra dele, com exceção, talvez, do mar, do sol e das barracas de coco de Copacabana.

“Depois de entregar os Jogos Olímpicos que eu entreguei, me dizer que sou longevo… Sorry”, afirmou. “Não dá nem para responder. Se eu estivesse só há oito anos no esporte, eu entregaria uma Olimpíada?”

Aos 74, Nuzman é acusado, entre outras coisas, de falta de transparência na gestão da entidade que preside há 21 anos sem largar o osso.

Jacta-se de não receber salário, mas não abre de onde vem sua renda. Juca Kfouri revelou que o Comitê da Rio 2016, comandado por Nuzman, violou arquivos secretos do Comitê de Londres 2012. Os ingleses ameaçaram processar os brasileiros, Nuzman tentou abafar o caso sem sucesso e no final onze funcionários do Co-Rio 2 016 foram demitidos.

O ex-ministro dos Esportes Orlando Silva (2006-2011), deu uma entrevista ao DCM na TVT em que falou de campanha para o Rio ser sede.

Silva é taxativo: “Não haveria Olimpíada no Brasil se não fosse Lula. Ele batalhou durante cinco anos”.

Como a Copa, era parte da visão de país do ex-presidente. “O chamado soft power. O talismã para trazer foi ele. O Lula foi aos Jogos da China e abordou chefes de estado e ídolos do esporte. Ele mandou carta os presidentes dos países que tinham votos no Comitê Olímpico”, diz Orlando.

“No dia seguinte à famosa frase de Obama — ‘Lula é o cara’ — estávamos em Londres no Parque Olímpico conversando com Sebastian Coe [dirigente esportivo britânico] e outros falando do Brasil”.

Orlando, porém, diz que não se deve esperar qualquer gesto de grandeza de gente como Carlos Arthur Nuzman. “Nunca esperei gratidão da Casa Grande”, conta. 

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