Arte

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Rosana Paulino

Grafite e aquarela sobre papel / 42,5x32,5 cm / 2011

Acrílica e grafite sobre papel / 32,5x25 cm / 2005

Monotipia e colagem sobre papel / 75,5x57 cm / 1998

ROSANA PAULINO
(São Paulo, 1967)

 Desde o início de sua carreira Rosana vem se destacando por sua produção ligada a questões sociais, étnicas e de gênero. Seus trabalhos têm como foco principal a posição do negro e, principalmente, da mulher negra dentro da sociedade brasileira. A artista possui obras em importantes museus e tem participado ativamente de diversas exposições tanto no Brasil como no exterior.

Em 1998 viaja para Londres com bolsa de estudos do governo brasileiro para especialização em gravura no London Print Studio e atualmente é doutoranda em Poéticas Visuais pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Foi também bolsista do Programa Bolsa da Fundação Ford nos anos de 2006 a 2008.

http://www.rosanapaulino.com.br/biografia/

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Cinema

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Joel Zito Araújo

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Cineasta e pesquisador mineiro, da cidade de Nanuque, é doutor em Ciências da comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo – ECA/USP e fez pós-doutorado no departamento de rádio, TV e cinema e no departamento de antropologia da University of Texas, em Austin, nos Estados Unidos. Nascido em novembro de 1954, dirigiu documentários de curta e média-metragem tematizando o negro na sociedade brasileira, dentre os quais destacam-se São Paulo abraça Mandela (1991), Retrato em preto e branco (1993), Ondas brancas nas pupilas pretas(1995) e A exceção e a regra (1997). Em 1999, finalizou seu primeiro longa para a televisão, o documentário O efêmero estado União de Jeová, sobre Udelino de Matos, um homem que, nos anos 1950, tentou formar um estado camponês com a população de maioria negra no norte do Espírito Santo. Dois anos depois, lançou A negação do Brasil, sobre a trajetória do personagem negro nas novelas brasileiras, com impressionante trabalho de pesquisa que deu origem a um livro homônimo. Foi escolhido melhor filme brasileiro do É Tudo Verdade daquele ano, tendo sido também selecionado pra vários festivais pelo mundo, entre eles o festival de cinema latino de Madri e o festival de documentários do Porto. Em 2004, finalizou seu primeiro longa-metragem de ficção, As Filhas do Vento, que ganhou oito prêmios no Festival de Gramado, entre eles: melhor filme segundo a crítica, melhor diretor, ator e atriz. Na Mostra de Cinema de Tiradentes, foi escolhido melhor filme pelo público e participou ainda de festivais na Índia, na França, na África do Sul, em Burkina Faso e em Camarões. Em 2009, lançou o documentário Cinderelas, lobos e um príncipe encantado.

Em 2013 lançou o documentário “Raça”, dividindo a direção com a vencedora do Oscar, Megan Mylan, dentro da temática do negro na sociedade brasileira.

 Nascimento: novembro de 1954,Nanuque, Minas Gerais
Filmes: A Negação do Brasil, As Filhas do Vento, Cinderelas, Lobos e um Príncipe Encantado, Raça
Obra: A negação do Brasil: o negro na telenovela brasileira

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Cabelo

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Fotografia

Purple Juice

Foto de  Kelvin Konadu  

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Literatura

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Cidinha da Silva

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Por Pollyanna Marques Vaz 

Margens)

A sensação que a leitura de Sobre-viventes! causa poderia ser descrita como uma onda que se quebra na gente, mas como sou da água doce e tenho mais familiaridade com as águas daqui, a metáfora será cachoeira após época de chuvas, percurso de queda d’água forte e volumosa que refaz as margens.

Começa com as águas calmas, temas cotidianos, a superfície da água é parte pequena do todo, do fundo e tudo que há além do visível, os mergulhos no cotidiano expõem as cenas habilmente recortadas assim como grandes fatos trazidos junto a análises certeiras. Essas cenas algumas vezes trazem o ridículo de nosso tempo como em “Mundo dos aplicativos”, outras vezes somos enredados, levados pela correnteza, a crônica “O dia em que William Bonner chorou” é certeira neste sentido, a narrativa nos envolve, sabemos que haverá um desfecho, mas deixamos nos levar e quando ele finalmente chega nos surpreende e nos sacode.

Estas águas se avolumam cada vez mais, batem nas pedras, se revoltam, voltam diante das dificuldades e abrem caminhos, é luta diária, é a revolta de cada denúncia, cada racismo. No cotidiano, na mídia, nas relações pessoais, nas instituições, na permanência da estrutura branca, masculina e heteronormativa no poder. Estando presente em todo livro o racismo, assim como machismo e a homofobia são especialmente abordados nesta parte. Aqui também as cenas são recortadas com precisão e concisão, é o racismo de todo dia presente em “O livro de recitas de D. Benta” e em “É só alegria”. As conquistas e as contrarreações relatadas no campo da diversidade sexual e sua representação na mídia aparecem em a “A heteronormatividade pira!” e de quebra ainda são rebatidos pelo menos dois mitos sobre mulheres lésbicas e bissexuais. Há também as cenas e vivências da própria escrita como em “Profissão de fé” e“Para não dizer que não falei de flores”, esta última começa com uma menção à Alice Walker e ao lindo “Vivendo pela Palavra”, atravessa outras referências na questão racial, como os médicos cubanos e Joaquim Barbosa e volta-se sobre o escrever crônicas e seus temas:

A falta de assunto, matéria de tantos cronistas, não me afeta. Ao contrário, a movimentação subreptícia dos racistas como reação a cada pequena conquista, a cada ameaça de ampliação do horizonte negro, me dá uma preguiça, uma letargia e, como Walker, chego a querer não mais escrever sobre esses temas. Meu tempo para eles tem se esgotado. Eis que encontro um cego atípico e ele me dá um sacode.”(p.33)

A crônica vai da ironia ácida a imagens cheias de lirismo, movimento presente em vários outros momentos do livro. Aparecem também dois ícones negros, Emílio Santiago e Tim Maia, figuras presentes em outros momentos nas crônicas de Cidinha.

Ainda nesta parte, onde as águas batem cada vez mais fortes nas rochas e são reviradas até o fundo, estão as crônicas que doem, apertam a parte já dolorida pelos racismos, crônicas como  “125 anos de Abolição e eles gritam mais uma vez que o poder é branco!” que retrata o absurdo da suspensão dos editais destinados a artistas e produtores culturais negras e negros e  “Os velhos se vão, o velho grita”, doem aquelas histórias antigas como doem os extermínios de hoje.

Com “Antologia do quartinho de empregada no Brasil”, que traz a arquitetura racial de nossos espaços e a PEC das Domésticas, começa o salto das águas. Não é queda, é voo, a liberdade de seguir adiante, avolumada e cheia de força, de energia, sobrevivente que seguiu adiante, por cima das pedras, das dificuldades, com as referências de quem antes, agora e depois por vários caminhos, militância, arte, vida e obra seguiu adiante e se tornou volume nas águas para que também consigamos. Ponto incrível deste salto, onde percebi que estava em queda livre foi com “Assata Shakur e Nhá Chica”, resistência, afago, nas palavras da autora:“Se for preciso, a gente descansa a pena de Nkossi e faz o xirê do fogo. E se cair, a gente cai de pé, atirando, como Assata Shakur”. “Distinções entre abolição da escravidão e racismo” é aula sobre as dinâmicas das denúncias de racismo que precisamos todas e todos aprender. “Empresa Familiar” e “Voe, Velho Madiba, espelho da liberdade!” nos alenta, “Um capítulo das manifestações de junho” e “Será a volta do monstro?” nos inflama.

Quando terminamos o salto estamos em águas que moldam, que batem e esculpem as pedras, constantemente, são de novo as crônicas relacionadas a episódios do país eivados pela questão racial, a comparação de Joaquim com capitão do mato, o episódio do sorteio da Fifa que preteriu Lázaro Ramos e Camila Pitanga, a teocracia e a dificuldade de implantação da lei 10.639 e em “Sobre-viventes” o extermínio da juventude negra. Depois chegamos à calmaria de águas renovadas, lugar de onde se olha para trás e se observa, o cotidiano na superfície que de novo adivinha o fundo e continua, continua, como águas em movimento que são.

Sobre-viventes! se liga às outras obras da autora em especial Oh Margem! Reinventa os Rios!(Selo do Povo, 2011) e Racismo no Brasil e Afetos Correlatos (Conversê, 2013) nos seus temas principais, o cotidiano, a multiplicidade, o olhar aguçado de análise, as interconexões do que acontece aqui e acolá e principalmente as relações raciais, as manifestações do racismo e de outras formas de exclusão. Não restringindo a obra a um tempo ou finalidade, ela é propícia nestes tempos atuais onde sobram fórmulas prontas de explicação. Com ótica racializada e generificada as crônicas trazem análises com mais elementos e mobilizam outros atores, não só os que comumente tem “direito”, e meios, para falar.

O livro consolida o estilo da autora, os relatos com ironia, humor, acidez, a famosa navalha citada pelos apresentadores do livro que aparece, no trabalho com a linguagem, em criativas expressões como “cachorros contemporâneos” eafro-surtada”. Refina a arte do estilo conciso que se abre, tece um pedacinho de vida, expondo, analisando e confiando na nossa inteligência que vê e percebe o resto. Esse aspecto é abordado por Eduardo Oliveira no posfácio do livro:

“Faz literatura banta, universalizável desde seu lugar de pertencimento. Cria seu próprio modo de expressão. Constitui seu universo. Escolhe suas referências. Diz com o estilo o que não se pode dizer com a frase. Ultrapassa o dito com o dizer. Para mim, isso é literatura. Dizer para além do dito. Intencionalmente ocultar para revelar. Revelar ocultando. Nesse jogo, deslinda-se o humano.”(p.128)

Quando li Cada Tridente em seu lugar e Outras Crônicas me encantava a multiplicidade e complexidade presentes nas personagens, eles seguiram de forma diferente o riscado da vida. Sobre-viventes! está cheio desta multiplicidade, cheio de sobreviventes destes tempos e de outros também, que o tempo se verga e comporta diferentes nestas crônicas como ressaltado pela prefaciadora do livro. E muito mais que isso está cheio de voz, voz que está mais ampla nos temas, na linguagem e na estruturação. Esta começa com um lindo prefácio, se desenha e nos leva tal como cachoeira, começa calmo, passamos por águas revoltas que lutam com as pedras, fazemos o voo e depois voltamos novamente a calma e finalizando com um ótimo posfácio.

Tenho um gosto pessoal pelas crônicas de Cidinha que trazem mais lirismo, pouco presentes neste livro e que talvez não coubessem no rumo que tomou esta obra, porém, valem a pena ser citadas e conhecidas. Cidinha, no início do Tridente cita Exu Tranca Rua “O caminho é quando ocê escolhe uma estrada pra seguir e chegar no seu lugar”, Sobre-viventes! e a obra da autora tem seu caminho certo na literatura.

*Pollyanna Marques Vaz, 31 anos, goiana, negra e lésbica, estudante de Letras da Universidade Federal de Goiás

Fonte: http://www.geledes.org.br/resenha-sobre-viventes-de-cidinha-da-silva/

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Moda

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Música

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Marku Ribas
Marco Antonio Ribas mais conhecido como Marku Ribas foi um cantor, compositor, ator, dançarino e percussionista brasileiro, nascido em Pirapora, MG, em 19 de maio de 1947, falecido em Belo Horizonte, MG, em 6 de abril de 2013.
Álbuns:
4 Loas, Zamba Ben, +Samba,Marku 50 – Batuki, Parda Pele, Atavu

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