Manoel Santos Neto 

Manoel Santos Neto, maranhense de São Luís, nasceu a 23 de julho de 1963. Bacharel em Comunicação Social pela Universidade Federal do Maranhão, jornalista e escritor de profunda vinculação social, foi um dos fundadores do Centro de Cultura Negra do Maranhão (1979), editor do jornal Akomabu (de agosto de 1986 a dezembro de 1988) e co-autor de trabalhos de pesquisa em parceria com a professora Maria do Rosário Carvalho Santos, entre os quais o livroBoboromina, sobre as casas de culto afro do Maranhão, vencedor do concurso literário da Secretaria de Cultura do Estado (Secma), editado pelo Sioge (Serviço de Imprensa e Obras Gráficas do Estado), no ano de 1989.

 

Trabalhou como repórter e redator de diversos periódicos, entre os quais o Jornal de Hoje, Diário do Norte, O Debate, Jornal Carajás e Atos e Fatos. Foi chefe de Reportagem e editor de Política do jornal O Estado do Maranhão, onde trabalhou de maio de 1988 a janeiro de 2001, e integrou a equipe fundadora do jornal Folha do Maranhão (de junho de 2001 a março de 2002). Atualmente, dedica-se ao jornalismo e à literatura e trabalha como repórter da Editoria de Política do Jornal Pequeno.

 

No dia 13 de maio de 2004, a Câmara dos Deputados realizou sessão solene, comemorativa à passagem dos 116 anos da Abolição da Escravatura no Brasil. A convite do presidente da Câmara, deputado João Paulo Cunha (PT-SP), e do líder do Partido Verde, deputado Sarney Filho (PV-MA), o jornalista Manoel Santos Neto participou da cerimônia, durante a qual fez o lançamento do seu livro O negro no Maranhão – A escravidão, a liberdade e a construção da cidadania.

 

Este livro reconstitui a sociedade colonial escravocrata que existiu no Maranhão, e deixou resquícios que sobrevivem até hoje. Durante a sessão solene no Congresso Nacional, houve também o pré-lançamento do documentário “Quilombos Maranhenses – Cultura e política”, do jornalista e cineasta Cláudio Farias.

No final de 2004, Manoel Santos Neto conquistou o primeiro lugar no XXVIII Concurso Literário e Artístico “Cidade de São Luís”, com o livro “Os jornais do Império e o cativeiro no Maranhão”. Manoel Santos Neto é também autor do livro João Francisco dos Santos – Uma lição de vida e co-autor do livro Chagas em pessoa, redigido em parceria com o jornalista Félix Alberto Lima, e lançado em janeiro de 2005.

 

Como militante do movimento negro, participou da equipe fundadora da Secretaria da Igualdade Racial, criada em janeiro de 2007 pelo então governador Jackson Lago.

 

No dia 13 de maio de 2009, o jornalista Manoel Santos Neto tornou-se membro do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM), passando a ocupar a Cadeira nº 11, cujo patrono é Sebastião Gomes da Silva Belfort. A cerimônia de posse do jornalista aconteceu nos jardins do Museu Histórico e Artístico do Maranhão (MHAM), na Rua do Sol, com a presença de um grande número de pesquisadores, escritores e militantes de movimentos sociais.

 

Em sessão solene, a presidente do IHGM, professora Eneida Vieira da Silva Ostria de Canedo, proferiu discurso de saudação ao novo membro do Instituto Histórico. Ela destacou a importância da cerimônia, realizada também para a celebração da data da Abolição da Escravatura no Brasil.

 

O jornalista Manoel Santos Neto, em seu discurso, além de celebrar a passagem do 13 de maio, fez uma emocionada homenagem aos jornalistas e a toda a imprensa do Maranhão. Ele tornou-se titular da Cadeira Nº 11, patroneada por Sebastião Gomes da Silva Belfort e fundada por Antônio Lopes Ribeiro Dias. Esta cadeira já foi ocupada por ilustres intelectuais, dentre eles Cândido Pereira de Sousa Bispo (1896-1950), Mário Meireles (1915-2003), Almir Moraes Correia (1914-1992) e Sebastião Barreto de Brito (1930-2007).

 

Ao final da cerimônia de posse, aconteceu uma sessão de autógrafos do poeta e escritor Cunha Santos, que lançou o livro “Vozes do Hospício”. Também foi lançado o livro “Os Frutos não colhidos”, que reúne 45 poemas em homenagem ao saudoso Jeremias Pereira da Silva, o Gerô.

 

Em outubro de 2015, o escritor Manoel dos Santos Neto foi o grande vencedor do 36º Concurso Literário Cidade de São Luís, na categoria Jornalismo Literário, por conta de seu livroA Ressureição do Padre, que versa sobre a vida e a obra do saudoso padre João Mohana (1925-1995), um dos maiores intelectuais maranhenses do século 20.

 

SINOPSE

 

O negro no Maranhão – A escravidão, a liberdade e a construção da cidadania

 

A Associação Maranhense de Imprensa (AMI) e a Clara Comunicação lançaram em São Luís, no dia 13 de maio de 2004, o livro O negro no Maranhão – A escravidão, a liberdade e a construção da cidadania, de autoria do jornalista Manoel Santos Neto, que passou 15 anos pesquisando os jornais do século XIX e a escravatura negra no Maranhão. O livro, além de traçar um painel sobre a história do negro maranhense, virou uma obra que passa a limpo pontos chaves da formação cultural do Brasil com fatos históricos e contemporâneos.

 

Foi a primeira publicação do projeto Imprensa 200 Anos – Memória Maranhão, desenvolvido pela AMI para resgatar a história da imprensa.

 

Mediante pesquisas no acervo da Biblioteca Pública do Estado, o jornalista Manoel Santos Neto conseguiu alinhavar um retrato inédito e primoroso da imprensa do século XIX e da escravidão. Inúmeras notícias, artigos, crônicas e anúncios de jornais maranhenses inspiraram o jornalista a aventurar-se a um amplo trabalho de pesquisa e reflexão sobre o Maranhão daqueles velhos tempos.

 

Este desafio obrigou-o a ler – da primeira à última linha – todos os livros de Abdias do Nascimento e, ao coordenar todo o vasto acervo de subsídios sobre o negro maranhense, teve de recolher informações em César Marques, Jerônimo de Viveiros, Dunshee de Abranches, Nunes Pereira, Mário Meireles, Domingos Vieira Filho, Nina Rodrigues, Maria Firmina dos Reis, Jomar Moraes, Astolfo Marques e Nascimento Moraes, e de literatos de renome como Aluísio Azevedo, Josué Montello, Joaquim Nabuco, Gilberto Freyre, Jorge Amado, Lima Barreto e Machado de Assis, entre tantos outros autores.

 

Com as pesquisas na Biblioteca Pública, à cata de livros e jornais velhos, Manoel Santos Neto pôde redescobrir o Maranhão do período colonial e imperial, do padre Antônio Vieira com seus índios e escravos, de Manoel Beckman e do Negro Cosme, de Catarina Mina e de Mãe Andresa, o Maranhão de Ana Jansen e da Baronesa de Grajaú, da Balaiada e do Duque de Caxias, dos quilombos no meio da mata, dos cativos na senzala, das mucamas e amas-de-leite, dos capatazes, feitores e capitães-do-mato, dos senhores de escravos – fazendeiros, proprietários e empresários escravagistas -, enfim os senhores rurais dos grotões maranhenses, e o Maranhão provinciano, latifundiário, escravocrata, embrutecido pela violência e pela crueldade do cativeiro.

 1 - 1 500 o negro no maranhão

FICHA TÉCNICA

Gênero: Pesquisa Histórica

Ano de edição: 2004

http://www.flaema.org/manoel-santos-neto