A cor do Brasil

O Museu de Arte do Rio apresenta até 15 de janeiro de 2017, a exposição coletiva “A cor do Brasil”, com os artistas Julio Leite, Eduardo Berliner e Tony Camargo. A mostra tem curadoria de Paulo Herkenhoff e Marcelo Campos.

A exposição será dividida em três galerias. A primeira delas, intitulada A transformação da luz e do ambiente ecológico em cor, será dedicada à visão sintética da paisagem. Retratos, paisagens e naturezas mortas cedem espaço para uma seleção do melhor do impressionismo no Brasil, enquanto a base filosófica da mudança de conceito poderá ser compreendida a partir do desafio lançado por Graça Aranha, que incentivou os artistas na transformação de luz em cor e do ambiente ecológico brasileiro em sensações plásticas. No mesmo ambiente, a cronologia segue para mostrar a modernidade introduzida por Anita Malfatti, Guignard, Goeldi, Portinari, Ismael Ney, Lasar Segall, Antonio Gomide e Flavio de Carvalho, entre outros.

A segunda sala, Modernidade e Autonomia da arte, será formada por diversos núcleos significativos. O grupo formado por Henrique Bernardelli, Bruno Lechowski, José Pancetti, Milton Dacosta, Quirino Campofiorito e Joaquim Tenreiro retratará a emancipação do regionalismo em prol da vontade de pintar. No mesmo espaço, haverá ainda núcleos formados pelos concretistas de são Paulo – Waldemar Cordeiro, Lothar Charoux, Geraldo De Barros, Hermelindo Fiaminghi, Luis Sacilootto e Judith Laund; os neoconcretos – Franz Weissmann, Hélio Oiticica, Lygia Pape, Aluisio Carvão, Decio Vieira, Willys de Castro, Barsotti e Osmar Dillon; os gestuais – Bandeira, Shiró, Tomie Ohtake, Mabe e Iberê Camargo; assim como parte da cena da cor no Rio formada por Eduardo Sued, Manfredo Souzaneto e Gonçalo Ivo.

Na terceira e última sala, Opinião, Tropicália, Geração 80 e Cor do Século XXI, o foco se torna a Cor do Rio, a partir de movimentos ocorridos na cidade: as mostras Opinião e Tropicália, a Sala Experimental do MAM e Geração 80. Para retratar a extensão do tema da cor no Brasil nas últimas seis décadas, será feita uma reunião das obras de Anna Maria Maiolino, Antonio Dias, Carlos Vergara, Roberto Magalhães, Rubens Gerchmann, Wanda Pimentel, Tunga, Anna Bella Geiger, Katie van Scherpenberg e José Maria Dias da Cruz, professores da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Alcançando o século XXI, é realizada uma revisão da ideia do “nacional”, que tem na bandeira seu maior ícone. A exposição retoma as implicações e projetos políticos da cor na atualidade, indagando se existiria uma cor afro-brasileira na arte.

“Não há cor neutra. Além de ser fenômeno óptico, a cor é construção social. Por atuar no campo do sensível, atua também politicamente. Assim, da experimentação das formas de percepção à dimensão pública da cor, colorir
nunca foi um ato ingênuo ou arbitrário. São muitos os projetos da cor.
Neste sentido, a exposição A cor do Brasil apresenta percursos, inflexões e transformações da cor na história da arte brasileira. Iniciando com os projetos cromáticos dos pintores viajantes dos séculos XVII-XIX, do barroco e das investigações acadêmicas, a mostra abre um largo panorama das experimentações modernas em torno da cor. Obras de artistas tão importantes quanto Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Flávio de Carvalho, Di Cavalcanti, Ismael Nery, Lasar Segall, Vicente do Rego Monteiro e Candido Portinari conformam um vibrante percurso pelo momento histórico em que o Brasil se
inventava como nação, no qual a cor adquire papel crucial.”

Paulo Herkenhoff e Marcelo Campos

“A Cor do Brasil”, coletiva com Julio LeiteEduardo Berliner e Tony Camargo.
Curadoria de Paulo Herkenhoff e Marcelo Campos.
Abertura: 02 de agosto
Em cartaz até 15 de Janeiro, 2017

Museu de Arte do Rio
Praça Mauá, 5, Centro. CEP 20081-240 – Rio de Janeiro/RJ
Funcionamento: De terça a domingo, de 10h às 17h
T: (21) 3031 2741
comunicacao@museudeartedorio.org.br

Fonte: http://www.premiopipa.com/2016/09/cor-do-brasil-exposicao-que-embarca-desde-o-brasil-colonial-ate-tropicalia/

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Marcelo Campos manifestou interesse por arte desde cedo, pois gostava de desenho e audiovisual, mas desconhecia o termo “arte”. No ensino médio, desenvolveu trabalhos em audiovisual. Na faculdade, não encontrou o mesmo espaço de invenção do ensino médio, em virtude da ênfase na academia. Formou-se em comunicação na UFRJ. Ainda na graduação, foi trabalhar a obra do artista argentino radicado na Bahia, Carybé, com o qual se identificava no que se refere às figuras da religião afro-brasileiras pintadas pelo artista. No mestrado foi trabalhar culturas identidárias. No doutorado, buscou a antropologia da arte, pois queria juntar arte e identidade — estudava o que definia como “brasilidade”.

Para Marcelo, hoje as fronteiras entre arte erudita e popular estão borradas. Segundo ele, a arte está na produção de sentido e não na nomenclatura “erudito”, ou “popular”. 

Veja mais em: 

http://www.universidadedasquebradas.pacc.ufrj.br/pos-aula-11-curadoria-no-campo-da-arte-prof-marcelo-campos/