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Por Alexandra Teodoro
Provavelmente, a viagem de julho de 2015 seja a trigésima da vida de Walter Firmo ao Piauí. O Fotógrafo, um dos mais renomados do país, com reconhecimento internacional, conta que se apaixonou pelo Piauí, muito antes de conhecer o Estado. Ele tinha 15 anos quando conheceu o trabalho do piauiense José Medeiros, considerado um dos precursores do fotojornalismo moderno no Brasil. “Pois bem, eu queria ser como ele”, diz Walter Firmo. Anos mais tarde, já atuando como fotógrafo profissional, escutava por diversas vezes dizerem que “o Piauí não estava no mapa”. Mas como?! Precisava ver de perto!

Walter Firmo Guimarães da Silva, com nome e sobrenome, que tem como principal tema de suas fotografias a figura humana, sobretudo o negro. “Nem tinha como não ser, sou negro”, disse o fotógrafo, contando uma passagem de sua vida, quando correspondente internacional, em Manhathan. ele diz que seu editor recebeu uma ligação querendo saber o motivo do jornal ter contratado um negro. “Interessante que em meu país, onde se fala tanto em preconceito eu não senti essa pressão mas, lá fora, fui discriminado”, conta Walter, que escreveu alguns dos mais importantes capítulos de sua carreira, numa época em que negro só era destaque se fosse famoso feito Pelé, Pixinguinha, Cartola ou se fosse bandido.


No Piauí, ciceroneado pelo amigo fotógrafo Cândido Neto, no restaurante Flutuante, em Floriano-PI

Premiado, tem trabalhos em coleções e acervos pelo país e ainda em países como a França, Itália e Estados Unidos.” Certa vez, recebi um prêmio que me dava direito a passar seis meses em Paris, descansando, com direito a uma grana mensal para me manter por lá”, disse o fotógrafo, sobre a Bolsa de Artes do Banco Icatu, em 1998, com a qual viveu durante meio ano na cidade luz. Mas, descansando não é uma palavra que combine com ele. Levou duas máquinas fotográficas e fotografou incansavelmente as ruas, os cantos, as vielas, lugares incomuns da linda Paris. O trabalho resultou em um livro: ‘Antologia Fotográfica, 1989, Paris, Parada Sobre Imagens’. Se tivesse que escolher três lugares, certamente, um deles seria Paris. “O Rio de Janeiro onde nasci e Salvador completam a lista”, diz.

O Piauí sempre esteve presente em sua vida, incluindo a sua ‘descoberta’ profissional. Há cerca de seis anos, o fotógrafo conheceu uma parnaibana, a quem, diz, entregou seu coração. “Ela é um anjo’, derrete-se, com o carisma de quem tem experiência o suficiente para ouvir o coração. Aos 78 anos de idade, ele admite que está quase de mudança para cá, por isso tem vindo tantas vezes nos últimos anos.

Na fotografia muitas vezes, realidade e ficção se misturam. “Através da fotografia a gente escreve uma história”, fala. Ele sabe o que está dizendo. Fotógrafo, jornalista e professor. Autodidata, começou sua carreira como repórter fotográfico no jornal Última Hora, no Rio de Janeiro, em 1957. Depois vieram a Revista Realidade, Jornal do Brasil, revista Veja, Istoé.

Nesse meio tempo, conquistou o Prêmio Esso de Reportagem, em 1963, com a matéria Cem Dias na Amazônia de Ninguém. Como correspondente da Editora Bloch, em 1967, permaneceu por seis meses em Nova York. Em 1972 faz incursões pela publicidade , com destaque para a indústria fonográfica. Retratou importantes cantores da música popular brasileira e começou uma longa pesquisa sobre festas populares e folclore nacional.

Em dez anos (de 1973 e 1982) foi premiado sete vezes no Concurso Internacional de Fotografia da Nikon. Assumiu em 1986 a diretoria da Funarte – Fundação Nacional da Arte. E, nos anos 90, foi lecionar no curso de jornalismo da Faculdade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, e, desde então, coordena oficinas em todo o Brasil.

Voltando à sua ligação com o Piauí, em setembro de 2007 fez sua primeira viagem ao Estado. “As pessoas diziam que o Piauí não estava no mapa e eu me encantei com esse lugar, natureza, sua gente, o sol forte”, disse o fotógrafo acostumado a ‘politicamente’ mostrar seu povo que muitas vezes, no Piauí ou não, estavam fora do mapa do desenvolvimento. Reratou o Estado, assim como fez por todos os lugares que lhe fez o coração pulsar, por onde passou. Por esses e outros registros, em 2008 Firmo recebeu homenagem da Associação Brasileira de Imprensa.

“A figura do negro me fascina”, resume.

Ele destacou duas de suas exposições, por fazerem referência a ícones da literatura brasileira. A exposição individual, O Sertão de Graciliano Ramos, realizada na embaixada brasileira em Londres e outra que fez sobre o escritor Machado de Assis. “Considero Machado fotógrafo, manipulador de imagens. Ele descrevia uma cena, desde a entrada da luz pela fresta da janela até à posição de objetos e pessoas”, explica Walter Firmo.

Dos tempos de fotojornalismo

Mais recentemente, expôs ‘Walter Firmo em Preto-e-Branco’, no Museu Afro Brasil, em São Paulo. Questionado se a fotografia em preto e branco tem cor, ele responde: “A fotografia é colorida. A vida, nem sempre!”

*Matéria publicada em 28 de Julho de 2015 no:
https://www.portalaz.com.br/noticia/arte-e-cultura/344102/do-fotojornalismo-a-figura-humana-a-fotografia-e-colorida-a-vida-nao