bundinha

O “bundinha”, ou como fez falta um Brizola em São Paulo

Por Fernando Brito*

 

Tristes estes tempos “politicamente corretos”.

Virou moda ser idiota, porque as “liberdades” passaram a ser vistas como um direito ao egoísmo e não um exercício que é, essencialmente, coletivo.

A liberdade coletiva é o embate de ideias, a disputa democrática, o bem comum.

A individual – nem sempre, mas com frequência – é a mesma do dinheiro, a do “é meu”.

Quando não vem acompanhada do “foi Deus quem me deu”, embora não se tenha notícia que Deus tire de uns para dar a outros, pois seria admitir que discrimina Seus filhos.

O resultado da eleição paulistana me trouxe estes pensamentos e algumas memórias.

Há 30 anos, tivemos eleições parecidas no Rio.

De um lado, Roberto Saturnino Braga, um homem de caráter inatacável, coerência à toda prova, contra o qual se podia no máximo se poderia imprecar por ser socialista, porque nem mesmo “populista-brizolista” começava a ser “maldito”.

Do outro, favorito, o “pefelista” Rubem Medina, empresário bem-sucedido, filho de Abraão Medina, dono da rede de lojas “O Rei da Voz”, uma das primeiras cadeias de venda de eletrodomésticos.

Um dia, numa entrevista, Brizola disse que Medina, com sua aparência impecável, era “um bundinha”.

Bundinha de bebê, bem entendido.

“Só falta o talco”, arrematou o velho.

Não consigo ver o que mais se pareça com “bundinha de bebê” que o João Dória.

Não consigo ver o que mais faz falta que o “politicamente incorreto” do Brizola ao dizer isso.

Mas consigo ver o que a ditadura do “politicamente correto” nos privou das verdades.

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