A sociedade capitalista manipula as pessoas e os seus padrões de vida, de beleza e até de consumo, não permitindo, a maioria das vezes, o indivíduo ser quem realmente é.

Por Clara Moutinho Belbut.

O consumismo refere-se a um modo de vida orientado por uma compulsão que leva o indivíduo a comprar de forma ilimitada e sem necessidade, bens, mercadorias e/ou serviços, em geral, supérfluos, em razão do seu significado simbólico (prazer, sucesso, felicidade, etc.), frequentemente atribuído pelos meios de comunicação, o que é comum num sistema dominado pelas preocupações de ordem material. O termo é muitas vezes associado à cultura e produção em massa e à indústria cultural. Não é por acaso que a sociedade de hoje em dia é conhecida como “sociedade de consumo”.

Antes de mais, é importante fixar que um consumidor não age como um consumista, e que existe uma diferença entre o primeiro, que compra as mercadorias e os serviços de que necessita para a sua existência, e o segundo. Um consumista caracteriza-se pelos gastos excessivos em produtos supérfluos, movidos pela propaganda. A necessidade de consumo pode vir a tornar-se uma compulsão, uma patologia comportamental. Muitas pessoas compram compulsivamente coisas de que não precisam. Muitas vezes, furtam ou roubam, não movidas por uma necessidade objetiva mas, sim, pelo desejo de possuir algo cujo significado é essencialmente simbólico.

A sociedade capitalista atual é marcada por uma necessidade intensa de consumo, o que resulta numa maior necessidade de produção, que para atender a esta procura gera cada vez mais empregos, que aumentam o dinheiro disponível na economia e que acaba por ser revertido para o próprio consumo. O excesso de todo este processo leva a uma intensificação da produção e, consequentemente, a um aumento da extração de matérias-primas e do consumo de energia, muitas vezes, de fontes não-renováveis. Para além disso, o amontoo cada vez maior de bens supérfluos leva a nossa sociedade a uma deterioração dos hábitos e dos valores, uma vez que as pessoas se tornam gradualmente escravas do consumo, em detrimento da reflexão crítica, de uma sociedade que privilegie a pessoa e a sua intelectualidade.

O consumismo tem vindo a tornar-se, também, um grande inimigo do meio ambiente. O lixo e outros resíduos gerados pelas embalagens e produtos descartados têm causado grandes problemas ambientais, principalmente nos grandes centros urbanos.

Dentro deste processo (consumista) de ver, desejar, comprar e voltar ao início, forma-se um ciclo vicioso. Se não houver uma consciencialização deste problema, não haverá alteração no descontrolo que se criou e tem vindo a aumentar com o passar dos anos.

Em suma, as relações sociais desvalorizam, assim como a pessoa na sua essência, perante o valor crescente das mercadorias. A sociedade capitalista manipula as pessoas e os seus padrões de vida, de beleza e até de consumo, não permitindo, a maioria das vezes, o indivíduo ser quem realmente é. Desta forma, o ser humano convive diariamente com o fantasma da insatisfação, do consumismo e da alienação.

http://www.esquerda.net/artigo/o-consumismo/46340

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