Lorna Simpson – Peles negras, máscaras brancas, gênero e identidade

O clássico livro Peles negras, máscaras brancas, de Frantz Fanon, diz muito do que a obra da artista Lorna Simpson nos convoca a pensar. A cor da pele importa? De que modo pele e cabelos dizem sobre gênero, identidade e racismo na sociedade que vivemos?

Nascida em Nova Iorque, no famoso bairro do Brooklyn, Lorna Simpson começou sua carreira como fotografa documental. Parte da geração após os movimentos dos Direitos Civis e “Black Power” a artista ficou conhecida por suas pinturas com fragmentos de texto e fotografias que exploram o universo da mulher Afro-americana na sociedade contemporânea, mesclando a sua beleza com a realidade da discriminação e da violência que confrontam as visões convencionais de gênero, identidade, cultura, história e memória. A artista utiliza fotografias originais e outras que coleta na internet ou mercados de pulgas. Grande parte das suas figuras não são retratadas de frente, mas são mostradas por trás ou tendo rosto e olhos ocultados. A sua ênfase, com esses retratos, são as implicações sociais e políticas de penteados e texturas africanas, como vemos, por exemplo na série Wigs, de 1994.

Lorna Simpson Wigs II 1994-2006 Serigraph on 71 felt panels (images and text) 98 x 265 in (248.9 x 673.1 cm)
overall Courtesy the artist; Salon 94, New York; and Galerie Nathalie Obadia, Paris/Brussels © Lorna Simpson

Em 1994, a artista surpreende o público ao imprimir suas fotos em feltro, inspirada pela obra de Joseph Beuys, afastando-se do papel como suporte tradicional da fotografia. Na instalação, que combina imagens e texto, são abordadas questões que dizem respeito a gênero, raça, identidade na nossa sociedade. Que relações podemos estabelecer entre a obra dessa artista com as questões envolvendo identidade, gênero e raça no Brasil?

LornaSimpsonStereoStyles1988

Lorna Simpson
Stereo Styles [Styles Stéréo]
1988
10 dye-diffusion black-and-white polaroid prints, 10 engraved plastic plaques
57 ¾ x 125 ¾ x 1 3/8 in (146.7 x 318.1 x 3.5 cm) overall
Collection of Melya Bucksbaum and Raymond Learsy

© Lorna Simpson

Lorna foi a primeira mulher afro-americana a expor na Bienal de Veneza, em 1993,  e ter uma exposição individual na série Projects do Museu de Arte Moderna de Nova York (MOMA). Suas obras tem sido expostas e reconhecidas nas principais instituições culturais no mundo todo.

Five Day Forecast 1991 by Lorna Simpson born 1960

Five Day Forecast [Prévisions à cinq jours]
1988
5 gelatin silver prints in a frame, 15 plates engraved plastic
24 ½ x 97 in (62.2 x 264.4 cm) overall
Lillian and Billy Mauer Collection

© Lorna Simpson
“(…) Esta é uma cultura que usa a figura negra a partir de significados muito específicos, até mesmo estereótipos (…), mas se eu fosse uma artista branca usando modelos caucasianos, então o trabalho seria lido completamente como universalista. Seria construído diferentemente. Eu tento chamar a atenção dos espectadores para que eles percebam que tudo é uma questão de superfícies e fachadas”
(Fonte: http://www.moma.org/learn/moma_learning/lorna-simpson-wigs-1994 )

https://www.ufrgs.br/arteversa/?p=841

 

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Lorna Simpson

Nascimento: 1960, Brooklyn, Nova Iorque, EUA

http://www.lsimpsonstudio.com/