Por Letícia 

O golfo é algo muito presente na narrativa, é um elemento que faz parte da essência da personagem principal, Adriana Siloê, filha dos franceses Denise Piroteau e André Siloê, que vieram recém-casados às caraíbas para administrar a manufatura de tabaco que o pai de Adriana herdou do tio. A história é narrada por Patrick Altamont, sobrinho do juiz da cidade, filho da costureira de Adriana e amigo da moça.

Adriana era o tesouro de Jacmel, a jovem foi descrita no jornal como “[…] o dom principesco que a França de Debussy e Renoir legou a nosso país. Mais do que uma donzela de 19 anos, a fada madrinha de Jacmel é uma rosa que enfeita o chapéu de Deus.” E esta é apenas uma pequena amostra do sentimento de adoração e idolatria que os habitantes de Jacmel tinham por Naná Siloê. Para suas bodas com Hector Danoze, toda a cidade desejava-lhe felicidades e dava-lhe muitos presentes. Jacmel estava em polvorosa durante os preparativos, a festa teria grandes proporções e haveria um belo carnaval para comemorar a união.

Antes disso, porém, a história traz a temática da magia e das crenças vodu contando os casos das donzelas defloradas por Baltasar Granchirê, um feiticeiro que diziam transformar-se em uma vistosa borboleta. Ele entrava no quarto das moças e esperava o anoitecer para violá-las durante o sono. O elemento sexual é bastante presente na obra, principalmente como elemento central dos rituais pagãos.

No dia do casamento de Adriana, toda a cidade estava em clima de festa e assistiram à passagem da moça pela cidade no trajeto da mansão da família até a igreja. Já na igreja, uma fatalidade acomete Adriana no momento em que ela termina de pronunciar os seus votos: ela cai no chão, morta. Muitos, incluindo Hector, desmaiaram quando o médico deu o veredito. Os convidados presentes na igreja encontravam-se entre a histeria e a consternação, até que Adriana foi levada para a mansão dos Siloê. As pessoas na rua, porém, ainda não sabiam do ocorrido.

Após uma fervorosa discussão, decidiu-se velar Adriana na alameda dos Namorados e, em homenagem à sua paixão pela vida, celebrou-se o carnaval previsto para as bodas. Nesse meio tempo, a sra. Brévica Losange, vizinha dos Siloê e mambo – sacerdotisa vodu –, recomendou que as moças virassem as calcinhas, sutiãs e vestidos do avesso, pois a morte de Adriana não derivava de causas naturais, e sim da feitiçaria de Granchirê. Apesar da resistência do padre e dos conservadores católicos em relação ao carnaval e aos rituais vodu para a proteção de Adriana contra os espíritos maus, decidiu-se realizá-los e a mambo fez o que pôde para evitar que o corpo e o espírito da moça fosse violado.

– Adriana era o seu santo nome de batismo –, começou o vigário. – Ao invés do velório cristão que sua pureza merecia, Jacmel lhe infligiu os ultrajes de uma noite de carnaval. À injustiça de sua morte, acrescentou-se o escândalo dos mascarados e das danças pagãs mais desbragadas.

Eis o fato: Jacmel tramou um sabá pervertido contra a inocência de sua fada. Na verdade, caros irmãos, para comparecer diante do Deus verdadeiro, Adriana não tinha necessidade de ajuda dos loas guedés*, nem do acompanhamento dos atabaques, nem de dança obscena e macabra. Esses festejos ímpios profanaram gravemente sua morte.

Nesse terrível mês de janeiro haitiano, imploramos, Senhor, vosso perdão para todos aqueles que profanaram a manhã virginal de vossa bem-amada flor. Invocamos para Adriana, como para Jacmel de luto por seu anjo, a misericórdia do Pai, do Filho e do Espírito Santo!

A resplandecente jovem que aqui está tinha um excepcional dom de presença no mundo. Fazei, Senhor, com que as águas de vossa misericórdia corram frescas e límpidas por seus pés nus, na dura subida até a assembleia dos santos por vós presidida no reino dos céus!

[…]

Em memória do batismo que este corpo de rainha recebeu aqui mesmo, na casa do Pai, onde ela encontrou a morte aos 19 anos; em memória de sua irradiante beleza; em memória da sua alma mais azul que todo o azul do céu, Senhor, além da dor e das lágrimas, que Vosso melhor sorriso a acolha à porta do paraíso! Adeus, senhora!

*Ser sobrenatural do culto vodu; mais do que uma divindade, é de fato um espírito benfazejo ou maligno. O guédé é o espírito da morte, que desempenha papel importante na feitiçaria.

Depois da missa, o corpo da moça foi enterrado numa colina de frente para o golfo.

No dia seguinte, o espanto tomou conta de Jacmel: o corpo de Naná tinha sumido! Adriana fora novamente vítima das artes de feiticeiros mal-intencionados. Os pais da jovem estavam tão esgotados e devastados que simplesmente aceitaram a situação com resignação.

A morte de Adriana levou Jacmel à decadência, na opinião de Patrick. O tio do rapaz supôs que Adriana fora zumbificada, outra arte obscura da feitiçaria vodu. O que aconteceu de fato com Adriana é explicado no fim do livro, quando Patrick encontra-a, mais velha, enquanto ministrava uma aula na universidade de Kingston, na Jamaica. Neste ponto da história, Adriana dá o seu próprio depoimento sobre sua pseudomorte e conta como viajou para a Jamaica com haitianos que acreditavam que ela era a loa Simbi-la-Source, espírito branco da chuva e da beleza. Além disso, a inocência de Granchirê é revelada, ele não foi o perpetrador da desgraça de Jacmel.

Esse foi um dos livros mais bonitos e interessantes que eu já tive oportunidade de ler. Eu simplesmente amei! Recomendo demais a leitura.

Fonte:

https://desafiolivrospelomundo.wordpress.com/2018/01/02/adriana-em-todos-os-meus-sonhos/

 

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Adriana em todos os meus sonhos & Zumbis

Por Guilherme Siddhartha

 

De grande sucesso na França e por toda a Europa, “Adriana em todos os meus sonhos” deu a René Deprestre, grande poeta do Haiti,  o Prêmio Renaudot de 1989.

A narrativa tem inicio com dois fatos, e quem nos conta é Patrick Altamont. O primeiro é o fim de sua madrinha  Germaine Villaret-Alegre, e o segundo, é o acontecimento macabro de Adriana Siloé, que cai morta ao pé do altar no momento exato em que pronuncia o sim sacramental.
Tudo ou quase tudo bem até ai. Acontece que estamos no Haiti, o país do Vodu. Palavra que é associada  aos “bonequinhos de vodu” e “zombies”.

Quando peguei o livro pra ler, não li aqueles pequenos resumos de aba de livro, então, nem me toquei de que o livro iria tomar o caminho de zumbis, me senti um bobo quando percebi o que de fato havia acontecido com Adriana Siloé.
Se não fosse meu prévio conhecimento sobre a cultura zumbi, seria um surpresa saber sobre “Zumbis de verdade”. Pessoas que voltaram do mundo dos mortos para caminhar novamente sobre a face da Terra.

A verdade é que esses personagens são comuns na cultura haitiana. O assunto foi estudado por cientistas, mas nunca foram encontrados fatos que provassem tal fenômeno.
Os Zumbis haitianos são pessoas que foram submetidos a algum tipo de mistura vegetal, criada por sarcedotes e magos, e que as fazem parecer mortas, sejam homens, mulheres ou crianças. O metabolismo, sob os efeitos da mistura dava os sinais de morte: hipotonia generalizada, rigidez dos membros, pulso quase imperceptivel, desaparecimento da respiração e dos reflexos oculares, queda de temperatura corporal, palidez facial, teste do espelho negativo. Apesar disso tudo, o “zombie” ainda conserva o uso de suas faculdades mentais.

Se caso você transforme alguem em zumbi, assim como em “Adriana em todos os meus sonhos”, a única precaução que você deve tomar é de não dar sal ao seu zumbi, ou então ele despertara. E também tome cuidado na hora de desenterrar o seu zumbi, pois os parentes podem ter colocado junto uma faca ou alguma arma de fogo, pra na hora que o seu ente querido desperte tenha alguma forma de se proteger.
E por último é preciso ter cuidado com as autoridades, pois transformar alguém em zombie no Haiti é crime!

Uma lei que condena a criação de zumbis entrou em vigor no Haiti em 1835 [ref (em francês)]. O artigo 246 do Código Penal Haitiano(em francês) classifica o uso em alguém de uma substância que gera um período prolongado de letargia sem causar a morte como tentativa de assassinato. Se a substância causar aparência de morte e resultar no enterro da vítima, o ato é classificado como assassinato.

Fonte: 

http://aovivonocovil.blogspot.com/2011/01/adriana-em-todos-os-meus-sonhos-zumbis.html

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René Depestre é um poeta, romancista e ensaísta nascido em 29 de agosto de 1926 em Jacmel, Haiti. Publicou sua primeira coletânea de poemas, Étincelles, em 1945. Ativista político, teve que deixar o Haiti depois que o regime militar tomou o poder, se mudando para Paris e estudando na Sorbonne.

René Depestre

Por Ernesto von Artixzffski

O Depestre é um daqueles caras que nunca vamos entender como pudemos passar tanto tempo sem conhecer. Eu mesmo o descobri assim, por acaso. Nascido em Jacmel, Haiti (1926), foi, por conta de seu idealismo comunista, um exilado constante. Por aqui passou na metade da década de cinquenta (1954-56), hospedando-se em Copacabana, perto do apê do Jorge Amado (que ele conheceu em Praga, junto com Neruda). Conheceu Vinícius de Moraes, por quem se apaixonou. Conheceu também Idelma Ribeiro de Faria, tradutora que organizou uma pequena antologia bilíngue, para a Editora Hucitec, do Depestre, da Dickson e do Eliot. Assim ela descreve o encontro: “Em uma longínqua tarde do ano de 1954 ou 55 (não consigo recordar-me exatamente) conheci René Depestre [..] Esguio, quase frágil, belo, de expressão e voz extremamente suaves, ninguém o julgaria membro de um movimento internacional de esquerda, em atividade no Brasil…”

Em 1958 tentou retornar ao seu país, mas desistiu e partiu pra Cuba onde Che Guevara lhe propôs integrar-se à revolução. Lecionou nas universidades de Havana e Jamaica. Mas quando seu livro Poète a Cuba não recebeu autorização pra ser publicado por conter críticas baseadas em considerações sobre o socialismo autêntico, partiu novamente pra França. Lá, juntou-se à Unesco e em 1982 recebeu a Bourse Goncourt de la Nouvelle, por conta de sua coletânea Alléluia pour une femme-jardin.

Em 1986 deixa Paris e a Unesco e muda-se para Lézignan-Corbière (cidadezinha no sul da França) onde vive até hoje.

Entre seus principais títulos estão, os livros de poesia: Enticelles(1945), Végétations de Clarté (1951), Minerai Noir (1956), Journal d’un animal Marin (1967), Poète a Cuba (1976) e En état de poésie(1980). E os de prosa: Alléluia pour une femme jardin (1981) e Hadriana dans Tous mes Rêves (1988).

Ernesto von Artixzffski  [conferir poemas dele no escamandro]

* * *

Minerai noir
(de Minerai Noir, 1952)

Quand la sueur se trouva brusquement
…………tarie para le soleil
quand la frénésie de l’or draîna au marché la dernière
…………goutte de sang indien
de sorte qu’il ne resta plus un seul Indien
…………aux alentours des mines d’or
on se tourna vers le fleuve musculaire de l’Afrique
…………pour assurer la relève du désespoir
alors commença la ruée vers l’inépuisable trésorerie
…………de la chair noire
alors commença la bousculade échevelée vers le
…………rayonnant midi du corps noir
et toute la terre retentit du vacarme des pioches
…………dans l’épaisseur du minerai noir
et tout juste si des chimistes ne pensèrent aux
…………moyens d’obtenir quelque alliage précieux
avec le métal noir
tout juste si des dames ne rêvèrent d’une batterie
………….de cuisine en nègre du Sénégal d’un service
………….à thé en massif négrillon des Antilles
tout juste si quelque audacieux curé ne promit à sa
…………..paroisse
une cloche coulée
…………dans la sonorité
……………………du sang noir
ou si quelque vaillant capitaine
……………………ne tailla son épée
………………………………dans l’ébène minéral
ou encore si un brave Père Noël
………….ne songea à des petits soldats
………………………………de plomb noir
…………pour sa vie annuelle.
Toute la terre retentit de la secousse des foreuses
…………dans les entrailles de ma race dans
……………………le gisement musculaire
…………………………………………de
………………………………l’homme noir.
Voilà de nombreux siècles
………………………………que dure l’extraction
…………………………………………des merveilles
…………………………………………de cette race.
Ô couches métalliques de mon peuple
minerai inépuisable de rosée humaine
combien de pirates ont exploré de leurs armes
les profondeurs obscures de ta chair
combien de flibustiers se sont frayé leur chemin
à travers la riche végétation de
…………………………………………clartés de ton corps
jonchant tes années de tiges mortes
…………………………………………et de flaques de larmes
Peuple dévalisé peuple de fond en comble retourné
……………………comme une terre
…………………………………………en labours
peuple défriché pour l’enrichissement des grandes foires
……………………………………………………du monde
Mûris ton grisou dans le secret de ta nuit corporelle
…………nul n’osera plus couler des canons
…………et des pièces d’or dans le noir métal de ta colère en crues!

Minério negro

Quando seco pelo sol o suor do índio
…………esgotou-se
quando a febre d’ouro drenou a derradeira
…………gota de sangue índio
varrendo do entorno das minas d’ouro todo Índio
…………nos voltamos ao veio muscular d’África
…………para garantir a emersão da miséria
então começou o assalto à infinda riqueza
…………da carne negra
então começou o desordenado ataque ao
…………radiante esplendor do corpo negro
e toda a terra retumbou ao retinir do alvião
…………na densidade do minério negro
e tudo bem se químicos não pensassem em meios
…………de obter uma preciosa liga
do metal negro
tudo bem se as damas não sonhassem com batedeiras
…………de cozinha em negra do Senegal serviços de chá
…………em maciço negrinho das Antilhas
tudo bem se um pároco audacioso não prometesse à sua
…………paróquia
um sino soldado
…………na sonoridade
……………………do sangue negro
ou se algum valente capitão
……………………não talhasse sua espada
………………………………no ébano mineral
ou ainda se algum bravo Papai Noel
……………………não sonhasse soldadinhos
………………………………em chumbo negro
……………………para sua anual visita.
Toda a terra retiniu ao abalo das brocas
…………na entranhas de minha raça na
……………………jazida muscular
………………………………do
……………………homem negro.
Eis os numerosos séculos que
……………………duram a extração
……………………das maravilhas
……………………desta raça.
Ó tálamos metálicos do meu povo
minério inesgotável do rocio humano
quantos piratas exploraram suas armas
as profundezas obscuras de tua carne
quantos flibusteiros abriram caminhos
pela rica vegetação
……………………de clarezas de teu corpo
espalhando teus anos de troncos mortos
………………………………e poças de pranto
Povo despojado povo todo assim revirado
……………………como a terra
………………………………lavorada
povo devastado para o enriquecimento das grandes feiras
……………………………………………………do mundo
Amadureces teu grisu no segredo de tua noite corporal
…………ninguém mais ousará lançar canhões
…………e moedas de ouro no negro metal de tua cólera em cheia!

Une définition de poésie
(de Poète a Cuba, 1976)
(de Minerai Noir, 1952)A Jorge Amado

La poésie, c’est notre père qui arrive un soir
Sous une pluie torrentielle, et qui nous chante
Une complainte qu’il a composée pour une petite
Cuillère en argent.
Notre père voulait arrêter la pluie de septembre avec une
………..petite cuillère, et la pluie a retourné son esprit comme un
………..vieux pantalon.
La poésie, c’est :
………..Un père haïtien qui perd la raison
………..Pour une petite cuillère mise en chanson
………..Sous une pluie qui pousse avec rage
………..Tout près de notre enfance !

Uma definição de poesia
………..………..………..A Jorge Amado

A poesia é nosso pai que chega à noite,
Sob uma chuva torrencial, e que nos canta
Uma lastimosa canção composta para uma
Colherzinha de prata.
Nosso pai queria cessar a chuva de setembro com uma
………..colherzinha, e a chuva revirou seu espírito como
………..uma calça velha.
A poesia é:
………..Um pai haitiano que perde a razão
………..Por uma colherzinha na canção
………..Sob uma chuva que cresce com raiva
………..Ao pé de nossa infância!

Laissez ma joie sortir dans les rues 
(de Journal d’un animal marin, 1964)

Laissez ma joie sortir dans les rues
Avec ses mille mains tendres
Pour caresser vos jours et vos nuits
Avec ses pluies d’été, ses danses d’Afrique
Ses cris venus tout droit de la forêt
Ses bonnes tempêtes, ses arbres musiciens
Ses lances de guerrier noir
Et ses mille mains tendres dans la soie
……….de vos nuits au goût de jeune fille.

Ma joie est lâchée dans vos rues
Avec ses mille lions bleus
Elle a quitté son lit d’Afrique
Ma joie est un fleuve en rut

Familles blanches gens de bien
Rentrez vos jeunes lionnes
Ma joie est contagieuse !

Deixe minha alegria sair pelas ruas

Deixe minha alegria sair pelas ruas
Com suas mil mãos ternas
Para acarinhar teus dias e tuas noites
Com suas chuvas estivais, suas danças da África
Seus gritos vindo diretamente da mata
Suas boas tempestades, suas árvores musicais
Suas lanças de guerreiro negro
E suas mil mãos ternas nas sedas
……….das tuas noites com gosto de meninas.

Minha alegria está solta em tuas ruas
Com seus mil leões azuis
Ela deixou seu leito na África
Minha alegria é um rio no cio.

Famílias brancas gente de bem
Prendam tuas jovens leoas:
Minha alegria é contagiosa!

(rené depestre, trad. de ernesto von artixzffski)

Fonte: 

https://escamandro.wordpress.com/2014/07/09/rene-depestre-1926-por-ernesto-von-artixzffski/

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