Archives for category: Criminosos

Dirceu sabe o que faz

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“É a 1ª vez que vejo um governo destruir o que está dando certo”,

diz presidente do Banco Mundial

Do 247:

O presidente do Banco Mundial (Bird), Jim Yong Kim, criticou o governo de Michel Temer no programa ‘Noite Total’, da rádio Globo & CBN. Ele ressaltou que nunca viu um governo desmontar políticas populares em benefício do povo.

“É a primeira vez que vejo um governo destruir o que está dando certo. Nós do Banco Mundial, o G8 e a ONU recomendamos os Programas sociais brasileiros para dezenas de países, tendo em vista os milhões de pobres brasileiros que saíram da extrema pobreza nos governos anteriores a esse”, lamentou Jim Yong Kim.

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/e-a-1a-vez-que-vejo-um-governo-destruir-o-que-esta-dando-certo-diz-presidente-do-banco-mundial/

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Lula, a Casa Grande e a Senzala

Por Marcio Sotelo Felippe
Da Carta Capital

Fernando Henrique Cardoso se perpetuou no poder graças a um dos mais escandalosos delitos da história política do País: a compra de votos para a emenda da reeleição. Todo o aparato repressivo do Estado sabe. Existem gravações e recentemente a delação premiada do ex-deputado Pedro Correa fez emergir o assunto.

Foram gravados confessando a venda de votos os ex-deputados Ronivon Santiago, Osmir Lima, Chicão Brígido e Zilla Bezerra. Os “operadores”, como são designados no mundo da política brasileira aqueles que fazem o trabalho sujo de aliciar e fazer com que o dinheiro chegue aos bolsos dos corrompidos, seriam Sérgio Motta, Luiz Eduardo Magalhães, Pauderney Avelino, Amazonino Mendes, Orleir Camelli.

Do outro lado estava, sempre segundo Pedro Correa, Olavo Setúbal. Patriarca do Itaú, um dos maiores e mais respeitados banqueiros do País e personalidade da República, chafurdava na lama “operando” para comprar votos contra a reeleição, visando beneficiar Paulo Maluf, aquele tantas vezes sufragado pela classe média branca que vai à avenida Paulista expor sua indigência política e moral. Setúbal, segundo o Correa, passava bilhetinhos encaminhando parlamentares a doleiros.

“Nunca mostrarão à sociedade um círculo com o nome Fernando Henrique Cardoso e 14 círculos ao redor com frases do tipo “perpetuação criminosa no poder” ou “Sérgio Mota”. A razão, sinteticamente: porque uma coisa é ser da Casa Grande, outra é ser da Senzala”

Nunca vimos nem veremos um power point reproduzindo esse esquema sórdido, com cobertura em tempo real da mídia, à semelhança do que foi apresentado ao melhor estilo Goebbels por procuradores da República contra Lula. Nunca mostrarão à sociedade um círculo com o nome Fernando Henrique Cardoso e 14 círculos ao redor com frases do tipo “perpetuação criminosa no poder” ou “Sérgio Mota”. A razão, sinteticamente: porque uma coisa é ser da Casa Grande, outra é ser da Senzala.

O espetáculo deplorável de quarta-feira 14, com a apresentação de uma enxurrada de acusações contra um ex-presidente da República sem “provas cabais” não deve ser visto meramente como parte de um singelo jogo político com vistas às eleições de 2018. Ele é em parte isto. Mas é sobretudo um retrato escancarado do Brasil, o País da Casa Grande e da Senzala e de um modo muito peculiar  da dominação de classe.

Que peculiaridade é esta? Ela está contida em uma frase profética de Joaquim Nabuco, escrita durante a campanha abolicionista: a escravidão contaminou de tal forma a sociedade brasileira que a moldaria ainda por muito tempo. De fato, abolida a escravidão, a elite e os que aspiram a ser elite (como os branquinhos da Paulista) sempre se viram acima e à parte da massa de negros, pobres, dos serviçais que limpam suas privadas e dormem nos cubículos das áreas de serviço, uma das  contribuições da arquitetura brasileira ao mundo.

Por isso Fernando Henrique Cardoso, sob cuja presidência foram cometidos crimes dos quais há provas cabais, é o príncipe dessa elite filofascista. Mas o pau de arara que escapou dessa lógica de dominação precisa ser aniquilado, mesmo que com sua ação jamais tenha, de fato, posto em real risco a estrutura de dominação.

A dominação de classe não se perfaz por uma estrita racionalidade instrumental. Precisa da dominação ideológica, precisa capturar e manipular a consciência da massa para legitimar a violência do Estado e ao mesmo tempo aprofundar a dominação. A racionalidade instrumental precisa, pois, do irracional para ser eficaz.

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O método fascista clássico é o de construir no imaginário social entes, grupos, segmentos que são apresentados como uma espécie de degeneração do humano, capazes de todo mal e na iminência de perverter definitivamente a sociedade.  

O processo que estamos vivendo agora consiste na nossa jabuticaba fascista: a moralmente deformada, elitista e preconceituosa elite brasileira profetizada por Nabuco e o clássico método fascista de dominação mesclados.

Não faço a menor ideia de qual é o patrimônio de Lula. A favor dele milita a presunção de inocência e a dignidade que a Constituição assegura a todo brasileiro. De tudo, resta uma certeza: o retrato do Brasil não é o apartamento do Guarujá. O retrato do Brasil é a guerra sórdida de propinas denunciada por Pedro Correa entre Olavo Setúbal, o maior banqueiro do Brasil, e a dupla FHC-Serjão, nos porões do Congresso. Porque a Casa Grande pode tudo.

 


 ♦ Marcio Sotelo Felippe é pós-graduado em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela Universidade de São Paulo. Procurador do Estado, exerceu o cargo de Procurador-Geral do Estado de 1995 a 2000. Membro da Comissão da Verdade da OAB Federal.

http://www.carosamigos.com.br/index.php/artigos-e-debates/7879-lula-a-casa-grande-e-a-senzala

Cassacao de Eduardo Cunha DCM Online

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Permitam que a nossa escola

se chame ‘Nelson Mandela’

Há cinco anos, conseguimos implementar o estudo da História e Cultura Africana e Afro-brasileira na nossa Escola Municipal de Educação Infantil Guia Lopes, na cidade de São Paulo. Como resposta, recebemos uma pichação no muro: “vamos cuidar do futuro de nossas crianças brancas”. Este ato racista se transformou numa oportunidade para a formação dos alunos e a conscientação da comunidade. Fizemos atividades, mobilizamos pessoas que nos apoiam e criamos este abaixo-assinado para que a nossa escola passe a se chamar EMEI Nelson Mandela. Apesar da lei que inclui a História Africana no ensino ser de 2003, ainda há muitas crianças que não têm este direito garantido. Eu, como diretora da escola, tenho muito orgulho de fazer parte deste projeto e, especialmente, da aprendizagem de nossas crianças. A mudança de nome para EMEI Nelson Mandela é muito importante para toda a comunidade e para as futuras gerações. Por isso, peço que o prefeito de São Paulo Fernando Haddad, o secretário de Educação Gabriel Chalita, o secretário de Direitos Humanos e Cidadania Eduardo Suplicy e o secretário de Promoção da Igualdade Racial Maurício Pestana nos ouçam e compreendam a importância deste pedido. Desde 2014, trabalhamos a história de vida do líder negro Nelson Rolihlahla Mandela. Com a criatividade das crianças, a escola tem um príncipe africano chamado Azizi Abayomi – um boneco que chamamos de figura de afeto. O avô do príncipe é o “Vovô Madiba”. Assim, garantimos a continuidade de um cenário repleto de imaginação, fantasia e afetividade que permeiam a nossa realidade pedagógica e também o tratamento da temática como símbolo de luta por uma sociedade mais justa e igualitária. Peço o apoio assinando e compartilhando este abaixo-assinado.

https://www.change.org/p/permitam-que-a-nossa-escola-se-chame-nelson-mandela

E Lulia chagou ao poder

Por João Almeida Moreira

O autor deste artigo, o jornalista João Almeida Moreira recorda o sombrio passado político de Michel Temer. O oportunismo permanente do seu partido, o PMDB, e o amoralismo do homem que desempenhou um papel importante no golpe parlamentar que destituiu Dilma Rousseff abrindo-lhe as portas da presidência do Brasil.

Sim, Lulia, com i. O “novo” presidente do Brasil chama-se Michel Miguel Elias Temer Lulia, sangue libanês nos dois apelidos, tanto no exposto quanto no escondido.

A dias de completar 76 anos, o homem de quem um dia disseram que tinha cara de mordomo de filme de terror e que foi acusado, em rumores de  internet, de praticar satanismo, é um respeitado constitucionalista cuja carreira política foi forjada nos corredores de Brasília – corredores em que Frank Underwood, o maquiavélico personagem da série americana House of Cards, se sentiria uma virgem.

Poeta nas horas vagas – publicou Anónima Identidade, obra escrita em guardanapos de papel dos cafés dos aeroportos de Brasília e São Paulo e que, segundo um crítico, justificaria imediatamente o seu impeachment – é casado com Marcela Temer, ex-miss, 42 anos mais nova, classificada pela revista Veja como “bela, recatada e do lar”.

Mas o lado mais importante de Temer, o homem que não escolheu nem mulheres (52 por cento da população brasileira) nem negros (no segundo país com mais negros do mundo, a seguir à Nigéria) para o seu ministério, é ser do PMDB.

O PMDB – Partido do Movimento da Democracia Brasileira – foi a única força de oposição autorizada durante a ditadura militar. Por isso, em democracia revelou-se um caldo de interesses municipais, regionais e nacionais com raízes profundas nas estruturas do Estado. Da arca de Noé peemedebista fazem parte, além de Temer, o cacique do Maranhão José Sarney, o perturbador cleptocrata Eduardo Cunha, a rainha do agronegócio e férrea dilmista Kátia Abreu e dezenas de investigados na Lava-Jato. O partido aceita tudo: menos gente com ideologia ou qualquer outra superficialidade que obstaculize a permanência no poder.

O PMDB é causa e é consequência, é sintoma e é doença da política à brasileira. Uma espécie de “partido Tancredi Falconeri”, por ser fiel à máxima do personagem de Lampedusa que sentenciou “é preciso mudar tudo para que tudo fique na mesma”. Um dia alguém notou que se nos ausentarmos do Brasil por um mês, quando voltamos está tudo diferente; mas se nos ausentarmos 30 anos, quando voltamos está tudo igual. Há 30 anos, o PMDB estava no poder.

Nos últimos 22 anos, houve seis eleições presidenciais às quais chegaram à segunda volta sempre os candidatos do PSDB, de centro-direita, e do PT, de centro-esquerda, os dois partidos mais progressistas do Brasil. Chamou-se clima de “Fla-Flu” à rivalidade que tucanos (os do PSDB, de Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves) e petistas (os do PT, de Lula e Dilma) mantiveram. Mas, enquanto os dois partidos se alternavam no Planalto, quem foi o sócio deles em todos os seis governos? O PMDB. Neste Fla-Flu quem ganha é o Botafogo.

O sucesso do jeito de ser do PMDB reflete-se na existência de meia dúzia de forças políticas criados à sua imagem. Como não ser nada e tudo ao mesmo tempo se revelou interessante nicho de mercado, nasceu o Centrão, grupo de partidos que fizeram parte da base de apoio de Dilma e da base de apoio de Temer e são PMDB em miniatura. O líder de um deles, Gilberto Kassab, disse quando o fundou em 2011 que era “de centro, de direita e de esquerda” – Kassab foi ministro duas vezes neste ano, primeiro das Cidades, sob Dilma, e agora das Comunicações, sob Temer.

Para alguém governar o país – leia-se, aprovar leis no Congresso – precisa pois do apoio e dos votos do titânico PMDB e dos seus satélites do Centrão. Lula, talvez com uma mola no nariz para não sentir o cheiro a podre, aliou-se a eles – e ao suspeitíssimo Collor de Mello ou ao procurado pela Interpol Paulo Maluf. E, talvez com uma venda nos olhos, permitiu o Mensalão, o esquema de troca de votos por dinheiro que não era muito diferente do que sucedeu agora, à luz do dia, na compra de votos de deputados e senadores sob promessa de cargos futuros, ao longo do impeachment.

Dilma, de estômago mais sensível do que o antecessor na frente política e inábil na frente econômica, nunca se sentiu confortável em Brasília. Passou, portanto, de mal necessário a mal desnecessário aos olhos do PMDB (e do Centrão), e caiu.

Se a ascensão pela terceira vez em democracia de um militante do PMDB à presidência sem recurso a eleições, depois de Sarney e de Itamar Franco, é “golpe” ou não, é tema mais do domínio da semântica do que da ciência política. Porque a política brasileira, enquanto não se reformar, é, em si mesma, um “golpe” permanente.

Este artigo foi publicado pelo «Diário de Notícias» a 4 de Setembro de 2016

http://www.odiario.info/e-lulia-chagou-ao-poder/