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MT vai vender<BR>o BB ao Itaúúúú

Foi bonita a luta, Pá! Agora, é seguir na

ofensiva até a derrubada do governo usurpador!

Por Edmilson Costa*

Brasil, zero hora do dia 28 de abril. Os comandos grevistas começam a fechar as garagens dos ônibus, uma a uma, em praticamente todos os Estados e no Distrito Federal. Começava a greve geral vitoriosa no País. O metrô iniciou sua paralisação ainda pela madrugada nas principais capitais e, mesmo com a tentativa de colocar funcionários administrativos para operar as máquinas, a paralisação ultrapassou os 90%. Os metalúrgicos de vários Estados também cruzaram os braços e não foram trabalhar, assim como petroleiros, operários da construção civil, estivadores, funcionários dos correios, bancários e professores de várias capitais e grandes cidades. Boa parte do comércio também fechou e aqueles estabelecimentos que abriram praticamente ficaram às moscas, porque não tinham a quem vender. No total, cerca de 92 categorias de trabalhadores aderiram à paralisação, representando assim a maior geral da história do Brasil.

A partir das cinco da manhã, comandos móveis formados por militantes partidários e dos movimentos sociais bloquearam as principais ruas e avenidas das grandes metrópoles, além das estradas de acesso às regiões metropolitanas, colocando pneus e ateando fogo, de forma a construir grandes barricadas para bloquear o trânsito nas principais vias de circulação de caminhões e automóveis. Muitos também se reuniram nas paróquias para planejar as mobilizações e piquetes. Em São Paulo a polícia invadiu uma igreja para prender manifestantes. A polícia reprimiu violentamente e prendeu vários militantes, mas os protestos continuaram pelas ruas e avenidas ao longo do dia em centenas de cidades brasileiras. Nada impediu que o 28 de abril parecesse um domingo ou um dia de grande feriado.

Dessa histórica jornada de lutas participaram cerca de 40 milhões de trabalhadores de Norte a Sul do País, de acordo com as centrais sindicais que convocaram a greve geral. Da Zona Franca de Manaus, no Estado do Amazonas, passando pelas plataformas marítimas da Petrobrás, metalúrgicos da região Centro-Sul, petroleiros de vários Estados, os transportes em geral (metrô, ônibus e trens), estivadores, milhões de professores municipais, estaduais e das universidades, inclusive professores da rede privada, bancários das principais cidades brasileiras, serviços em geral. Até o comércio nas grandes capitais paralisou suas atividades: a Rua 25 de março, principal centro comercial paulista, estava como num dia de domingo. Ainda pela manhã, em várias regiões do País ocorreram grandes manifestações de ruas, encerrando-se ao final da tarde em São Paulo, no Largo da Batata, com uma manifestação de mais de 70 mil pessoas, que marcharam até a casa do presidente usurpador. Mas um milhão de pessoas estiveram nas ruas para protestar contra as reformas da previdência, trabalhista, as terceirizações e o ajuste fiscal.

A repressão também foi muito grande em várias regiões do País. No Rio de Janeiro, a selvageria da polícia se destacou pela brutalidade, com as forças repressivas atacando os manifestantes e deixando vários feridos. Em Goiás, uma cena dantesca simbolizou a ação do aparato repressivo: um comandante policial avançou furioso contra um grupo de jovens e acertou uma paulada tão violenta no rosto de um jovem que o cassetete de madeira quebrou. O jovem está entre a vida e a morte em um hospital da cidade. Na Baixada Santista, região operária de São Paulo, onde está o maior porto do País, a repressão contra os estivadores foi violenta, não só através da tropa de choque, mas também da cavalaria que avançou violentamente contra os grevistas, deixando vários deles feridos e hospitalizados. Na manifestação da capital de São Paulo a polícia também jogou bombas contra manifestantes, mas a repressão foi menor que nas outras regiões.

Mas não foram apenas as grandes metrópoles que realizaram greves e protestos contra o governo usurpador. O Brasil profundo, constituído pelas pequenas e médias cidades do interior, também realizaram manifestações. Por exemplo, foram realizados atos contra o governo em Bujari, no Acre; Marituba, no Pará; Gurupi, no Tocantins; Arapiraca, em Alagoas; Assu, no Rio Grande do Norte; Lauro de Freitas, na Bahia; Juari, no Mato Grosso; Sabará, Minas Gerais; Tatuí, São Paulo e Ijuí, no Rio Grande do Sul. Isso sem contar as cidades de porte médio, onde em quase todas ocorreram manifestações contra o governo.

Vale ressaltar que a greve geral de 28 de abril contou ainda com uma vasta frente de luta, que incluiu não apenas os sindicalistas, movimentos sociais e partidos políticos, mas também a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cujos religiosos se utilizaram das redes sociais e dos sermões para chamar a população para a greve geral. Também houve apoio à greve entre religiosos protestantes e a Ordem dos Advogados do Brasil, além de associação de magistrados, membros do ministério público do trabalho, atores e vários artistas, sendo que alguns, como Gal Costa, cancelaram shows em apoio à greve. Além disso, contou também com a simpatia popular. Não foi visto as costumeiras aglomerações de pessoas nas filas de ônibus, nas estações de metrô ou nas estações ferroviárias. As pessoas preferiram ficar em casa a sair desesperadamente em busca de transporte alternativo para chegar ao trabalho.
À exceção do grande capital, da oligarquia financeira, dos monopólios comerciais e do agronegócio, o País inteiro apoiou o movimento. Isso pode ser constatado nas pesquisas de opinião: Temer tem quase a unanimidade do País contra seu governo. Apenas 9% apoia sua gestão e mais de 90% da população são contrárias às reformas que estão sendo votadas no Congresso. Como se trata de um governo que se assemelha a uma quadrilha e um Parlamento cheio de corruptos, não é de se espantar tamanha impopularidade. Mas espantoso ainda é verificar que essa quadrilha, que deveria estar na cadeia, é exatamente quem está votando a devastação social contra o mundo do trabalho.

O governo e a mídia tentam desqualificar o movimento

Diante da grandiosidade do movimento grevista, o governo e a mídia corporativa procuraram, de todas as formas, desqualificar o movimento. O ministro da Justiça, um dos acusados de corrupção na Operação Carne Fraca, veio a público dizer que o movimento era pífio e coisa de baderneiros. O próprio presidente, através de nota, fez ouvidos de mercador e disse que as manifestações não iriam mudar o processo das “reformas” e que o congresso daria continuidade às votações. O caricato prefeito de São Paulo, João Doria, anunciou na véspera que teria feito um acordo com o Uber e o 99 (aplicativos de taxis) para transportar gratuitamente os funcionários até o trabalho. Mas o link que permitia as viagens gratuitas vazou e as pessoas passaram a recomendar que esse mecanismo fosse utilizado para que todos se dirigissem à manifestação no Largo da Batata. Diante do fracasso da empreitada, Doria foi obrigado a anunciar o cancelamento do acordo com os aplicativos de taxis. Mas o subprefeito da região de Pinheiros, também na capital, forçou os funcionários a dormirem no trabalho e agora vai ser processado por assédio moral.

Papel especial na desinformação teve a mídia corporativa, especialmente a Rede Globo, o maior monopólio de comunicação do País. No dia anterior, seus jornais e redes de televisão sequer anunciaram que haveria uma greve geral no País. Mesmo diante da grandiosidade da greve, a cobertura da televisão foi profundamente manipuladora, pois as chefias estavam orientadas a desacreditar o movimento. Assim, evitou-se a palavra greve geral, buscou-se caracterizar a greve como apenas dos transportes, que impediam a população de ir e vir; deu-se especial cobertura às cenas de confronto para associar a greve à baderna e buscou-se entrevistar trabalhadores dizendo-se prejudicados com a greve.

Mas nem as desqualificações do governo, nem a manipulação da mídia foram capazes de influir no ímpeto grevista dos trabalhadores. Como depois se soube, nos bastidores o governo sentiu o golpe e nos salões da burguesia deve ter havido muito medo e pânico afinal, após duas décadas de refluxo do movimento operário, os trabalhadores voltaram à cena com unidade e força política. Realizaram uma greve política numerosa e vitoriosa, nunca imaginada pela burguesia, em função das condições adversas da conjuntura. O País está há quatro anos em severa recessão, com cerca de 20 milhões de desempregados (incluindo os desempregados oficiais e os que deixaram de procurar emprego e não são contabilizados mais nas estatísticas) e o governo realiza uma ofensiva midiática permanente buscando fazer crer que as reformas vão modernizar o País e trazer de volta os empregos. Nada foi capaz de barrar a força da unidade do movimento operário, popular e da juventude. Um indício desse processo foi uma nota da Federação do Comércio de São Paulo que calculou em R$ 5 bilhões (U$ 1,7 bilhão) o prejuízo com a greve.

As lições da greve geral

Os primeiros ensinamentos da greve geral no País revelam que quando os trabalhadores, o movimento popular e da juventude entram em cena de forma unitária são capazes de mover montanhas. A partir de agora a luta de classes no País mudou de qualidade: está dirigida pelos trabalhadores, suas organizações e seus métodos de luta. Para os pessimistas, que imaginavam que o proletariado estava acomodado diante dos ataques da burguesia, a greve demonstrou que os trabalhadores entram em cena na hora certa, quando as condições objetivas e subjetivas estão maduras para grandes ações de massa. Mesmo diante da greve vitoriosa, não se pode cair no ufanismo: este foi o primeiro ensaio geral de uma longa jornada de lutas, cujo desfecho será mais ou menos profundo de acordo com a intensidade das ações do movimento operário nos próximos meses.

Vale lembrar ainda que a greve geral de 28 de abril não caiu do céu nem foi fruto da espontaneidade das massas, que de uma hora outra resolveram cruzar os braços contra o governo e seus patrocinadores. As manifestações contra o golpe vinham sendo realizadas já há algum tempo, muito embora ainda fossem difusas e com elevado grau de espontaneidade. Por exemplo: nas olimpíadas, quando Temer anunciou a abertura dos jogos recebeu uma estrondosa vaia. Também ocorreram protestos nos estádios de futebol, em shows artísticos, escrachos contra parlamentares golpistas nos aeroportos, dezenas de protestos de rua, até que se pôde sentir o ânimo das massas nas manifestações e protestos unificados do dia 08 de março, o dia internacional de luta das mulheres, e as do de 15 de março, o dia nacional de mobilizações e paralisações. Portanto, a greve geral de 28 de abril foi o resultado de um processo de amadurecimento que vinha se gestando há tempo entre os trabalhadores e que se expressou de forma organizada neste 28 de abril.

A greve assestou um duro golpe contra as manipulações da mídia e as mentiras do governo em relação às contra-reformas e trouxe para o centro da luta um novo personagem: o movimento operário e popular. Por maior que tenha sido a desinformação e a propaganda oficial, trabalhadores de todo o País e de dezenas de categorias demonstraram a força política do proletariado brasileiro, ressaltando que a manipulação mediática já não tem mais o poder que tinha no passado. Os trabalhadores brasileiros, cansados dos ataques do governo e das denúncias de corrupção na Administração Pública e no Parlamento, simplesmente prefiram acreditar nas suas entidades representativas do que nas mentiras da Rede Globo.

A greve revelou também, de forma pedagógica, o imenso potencial dos trabalhadores na luta por seus direitos e por uma vida melhor. Ensinou que os trabalhadores são a força mais importante do País, pois quando param de trabalhar, as cidades param e o País também pára. Por isso, essa greve geral terá efeitos de curto, médio e longo prazo no imaginário popular e contribuirá de maneira efetiva para fortalecer a organização e o ânimo dos trabalhadores. Também terá repercussão junto à classe dominante, porque agora a burguesia sabe que os trabalhadores começaram a virar o jogo, instituindo uma nova dinâmica na luta de classes. Por isso, vão procurar de todas as formas dividir o movimento, cooptar e corromper suas lideranças mais vacilantes. Mas a força da greve foi tão grande que qualquer líder sindical que decida fazer o jogo do governo poderá ser desmoralizado rapidamente.

Em outras palavras, a luta de classes mudou de patamar no Brasil. Portanto, nessas novas condições e diante da heterogeneidade das regiões e da luta social brasileira, a esquerda deve não só intensificar as gestões para manter a unidade dos trabalhadores, mas também combinar diversas formas de luta contra a burguesia e o aparato repressivo. É fundamental parar as fábricas, o comércio e o transporte, mas também é muito importante formar e fortalecer os Comitês Populares Contra as Reformas e multiplicar de maneira acelerada os comandos móveis para parar a circulação nas grandes metrópoles. Quando maior o número de comandos mais dificuldades terá o aparato militar para reprimir os lutadores. E todo esse trabalho deverá ser condensado em grandes manifestações de rua, capazes de inviabilizar a repressão. Uma coisa é reprimir cinco ou dez mil manifestantes. Outra é atacar uma manifestação de 100 ou 200 mil pessoas.

Os próximos passos

A dinâmica da luta de classe desencadeada pela greve deve merecer da esquerda socialista uma atenção especial. É fundamental manter a centralidade da luta nas ruas, nos locais de trabalho, estudo e moradia e junto ao povo pobre dos bairros, de forma a evitar que o movimento seja canalizado apenas para as eleições em 2018. Essa é uma tarefa fundamental, pois existem várias forças que, apesar de ter contribuído para o sucesso da greve geral, não querem levar às últimas consequências a luta contra o governo usurpador porque ainda vivem a ilusão de que tudo pode mudar com as eleições. Para derrotar esse governo corrupto e ilegítimo é fundamental intensificar a luta de massas, colocar novas tarefas na ordem do dia para os trabalhadores.
Também é fundamental que a nota divulgada pelas centrais sindicais dia primeiro de maio se transforme em realidade prática. As centrais exigem a retirada das propostas que tramitam em Brasília, reafirmam a luta pelos direitos previdenciários e trabalhistas e o compromisso com a unidade do movimento e prometem ocupar Brasília para pressionar o governo e o Congresso a reverem seus planos de ataques aos trabalhadores e, se isso não for suficiente, assumem o compromisso de organizar uma reação ainda mais forte. Os elementos centrais da posição das centrais é um bom ponto de partida para refletirmos sobre os próximos passos.

Entendemos que é fundamental ocupar Brasília, com uma grande manifestação de mais de 100 mil pessoas, e forçar o Congresso Nacional a revogar todas as medidas antipopulares. Mas esse fato terá maior efeito se os trabalhadores estiverem parados em todo o País, por um tempo maior do que a greve do dia 28 de abril. Portanto é importante discutir com as centrais a necessidade de uma greve geral combinada com uma grande manifestação em Brasília. Os trabalhadores já demonstraram sua disposição de luta. O governo está cada vez mais impopular. Portanto, aqui vale a palavra de ordem cantada nas manifestações de rua: “Ai, ai, ai, empurra o Temer que ele cai”.

Achamos também que está na ordem do dia a construção do Encontro Nacional dos Trabalhadores e do Movimento Popular, de forma a discutirmos um projeto para o País, organizado a partir das bases do movimento operário e popular, de forma a construir uma ferramenta que se transforma em referência de combatividade e organização para as massas e que seja capaz de elaborar um programa alternativo para reconstruir o Brasil na perspectiva dos interesses populares.

*Edmilson Costa é secretário-geral do PCB

Dirceu sabe o que faz

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Insegurança jurídica e a estratégia do caos

Por Paulo Cannabrava Filho

Dias sombrios nos esperam. O que esperar de um judiciário que é o mais caro do mundo? O que esperar de um legislativo que é o mais caro do mundo?

Desde os tempos coloniais, passando pelos tempos em que isto aqui foi reino e império, atravessando a república dos coronéis dos latifúndios até a nova e a novíssima República, advogados e juízes foram formados para defender o status quo e ser parte do poder dominante.

Com relação ao legislativo, casual ou estrategicamente, este é o pior da história da política brasileira, seja com relação ao nível intelectual (lembram da sessão que aprovou o impedimento da presidenta?), mas principalmente com relação às questões morais.

Entrar no judiciário ou na política é projeto de ascensão social, enriquecer a custa do erário. Da classe média às hostes oligarcas dos poderosos.
Deslumbrados com o poder e a exposição midiática perderam o senso, se crêem acima do bem e do mal, deuses salvadores da pátria.

A justiça vale para uns e não vale para outros. A ação ilegal repercute na mídia para uns e é silenciada para os demais. Exemplo: 600 mil presos no Brasil, mais de 50% sem julgamento. Outro exemplo: no lugar de punir pessoas estão punindo empresas, provocando desmontagem de formidáveis parques industriais, jogando fora esforço de desenvolvimento tecnológico, deixando um saldo de desemprego em massa, como está ocorrendo principalmente no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro.

A insegurança jurídica se tornou um fantasma para os empresários, para os investidores. Em que país um processo leva dez anos para proferir uma sentença? E os custos advocatícios que isso implica?

Diz a ONU que com esse congelamento das despesas por 20 anos, decretada por Temer, as futuras gerações é que estão condenadas. É certo. No momento apenas sobrevivemos, mas só no curtíssimo prazo, pois estão desmantelando o país, vendendo tudo na bacia das almas: terras, minérios, petróleo, água (o mais valioso bem), infraestrutura, espaço aéreo, soberania… As futuras gerações comerão capim ou engrossarão as filas de imigrantes ou de refugiados.

Vergonha alheia

Pesquisa Nacional IPSOS de março de 2017 indica que 78% da população desaprova o atual governo e que, para 90% o Brasil está no caminho errado. Lula não é unanimidade com 59% de desaprovação. Contudo, é o que tem o mais alto índice de aprovação entre os políticos. Os que têm as mais altas taxas de aprovação são os juízes de alta exposição na mídia: Moro 63%, Joaquim Barbosa, 51%.

Essa pesquisa é bem anterior ao escândalo da lista do juiz Edson Fachin: 98 pessoas sendo 8 ministros, 24 senadores, 39 deputados, três governadores, inclusive o santo que governa São Paulo, Geraldo Alckmin. Isso só na lista da Odebrecht. E há outras listas, como a lista de Janot e de outros processos, envolvendo as outras empreiteiras como a Camargo Correia, Andrade Gutierres…

Não sobra ninguém. Com exceção de Itamar Franco, todos os que ocuparam a Presidência da República: Sarney, Collor, Fernando Henrique, Lula, Dilma. As vestais de todos os partidos: Aécio Neves, Romero Jucá, José Dirceu, Aloysio Nunes (atual chanceler), José Serra (ex chanceler), Palocci…
Michel Temer, presidente de turno, por estar presidente não pode ser investigado por crimes anteriores ao mandato. É Lei. Não escaparia pois são muitos os seus crimes, assim como os dos presidentes da Câmara e do Senado.

Depois dos vazamentos ilícitos o juiz tornou públicas as delações dos 78 executivos da Odebrecht. As perguntas que não se pode calar: Como é possível que processos que correm em segredo de justiça se tornem públicos? Quem são os responsáveis?

Na realidade o que houve foi que jogaram um balde de merda no ventilador. Com que intenção?

Nessa fase, valendo ainda a presunção de inocência, tudo permanecerá como está. O próprio Temer disse que no governo não haverá mudança até que provem que há culpa e haja condenação. Pior que isso, Temer afirma que a ofensiva pelas reformas (leia-se maldades) prosseguirá.

São reformas todas muito polêmicas, como da previdência e a das normas do trabalho. Que moral tem esse governo para conduzir essas reformas? Num país sério com judiciário a serviço da nação, todos esses atos deste governo espúrio, seriam declarados nulos.
Haverá ainda condições que declarar nulidades dos atos de Temer?

Quanto tempo levará o judiciário para analisar tantos processos? O processo sobre o pedido de anulação da eleição da dupla Dilma e Temer, por exemplo, só agora, passados quatro anos, quando já deposta a presidenta e em véspera de novas eleições é que está chegando à fase de julgamento. Sensação de enorme perda de tempo. Mas não será talvez este, ou seja, as futuras eleições o que move o ventilador?
Senão, qual o propósito de tamanho escândalo aproveitado pela mídia?

Estará o judiciário tramando a tomada do poder? Rompida a linha sucessória –vice-presidente, presidentes da Câmara e do Senado- cabe ao presidente do Supremo assumir o governo. Na história deste nosso país o judiciário sempre esteve, mais que conivente, presente nos golpes de Estado, governando interinamente ou validando juridicamente a ilegalidade.

É preciso recuperar a segurança jurídica

É incrível. Somente agora, menos de um mês da lista de Fachin, quando não dava mais para esconder as barbaridades cometidas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, em função das outras listas, um supremo juiz admite que “não é correto fazer das ações da justiça espetáculo, que o abuso do poder gera insegurança jurídica”. E é de pasmar! o supremo ministro é o presidente do Tribunal em que se move o Fachin, provocando escândalo maior ainda.
Insegurança jurídica, incerteza política, tudo leva a nação a um surto psicótico: depressão, medo, paranóia, raiva contida, ódio ao outro, pânico…
O supremo juiz pôs o dedo na ferida mas, já não consegue estancar a sangria. Tardia manifestação.

Com a conivência da suprema corte é que juízes, delegados e agentes federais têm desrespeitado as Leis, violado os direitos fundamentais garantidos pela nossa legislação e tratados internacionais. Arvorados em salvadores da pátria, os juízes já se crêem acima do bem e do mal.

Nunca deveriam ter permitido que o mal se impusesse, menos ainda que se alastrasse, se incrustasse contaminando toda instituição. Essa insegurança jurídica já é ameaça à estabilidade do Estado à segurança da Nação.

Como recuperar a credibilidade da Justiça, condição que assegura a segurança jurídica?

Creio que a responsabilidade é de toda a sociedade. Deve haver um movimento que envolva a população em torno dessa bandeira. A bandeira do respeito às Leis, da garantia dos direitos humanos. Os que entendem de leis é que devem iniciar esse movimento: mais que os advogados, todas as pessoas envolvidas com a advocacia, dos cursos de direito aos conselhos profissionais. Advogados com apoio da sociedade civil num movimento para devolver dignidade à Justiça.

Nós sabemos que os juízes foram formados para defender as instituições do Estado, a propriedade privada, as leis que asseguram o funcionamento do capitalismo e do Estado democrático pensado pelos que aprovaram a Constituição de 1988 – a Constituição Cidadã. Para que funcionem as instituições e o próprio capitalismo é preciso Segurança Jurídica.

Parece até que resolveram acabar com o capitalismo. Oxalá assim fosse se tivéssemos alternativa de construir outro modelo de Estado, um estado socialista em que não houvesse mais exploração de um ser humano por outro. A realidade, no entanto, é que tampouco admitem outro modelo.

O certo é que enquanto a nação se distrai, mais uma das bacias de Campos e de Santos do Pré-sal foi posta em leilão. É a quarta chamada aos investidores. Na terceira quem levou foi a francesa Total. Quem levará esta?

A que serve a insegurança jurídica?

Serve à estratégia de implantação do caos que vem sendo executada pelo Império, quer dizer, pelos Estados Unidos e o conglomerado dos senhores de todas as guerras e de todas as fortunas. Serve ao pensamento único imposto pela ditadura do capital financeiro. Ou é a ditadura do pensamento único imposta pelos senhores donos do mundo?

A estratégia do caos tem como objetivo a dominação de um país. Passa pela desestabilização política e pela desorganização da produção com a finalidade de impor as leis que melhor lhes convém e se apropriar das riquezas naturais e do mercado.

Ajuda a entender o que está ocorrendo no país, e a quem serve a Insegurança Jurídica e a estratégia de implantação do caos, ler o livro de John Perkins, “Confissões de um Assassino Econômico”, da editora Cultrix. Para ter um ideia disso pode ler a matéria publicada por Diálogos do Sul sobre a atuação do “assassino econômico” no Equador nos dias de hoje, repetição do que acontece na Argentina e no Brasil, aconteceu no México, no Peru e está no auge na Venezuela.

Essa estratégia de implantação do caos para a dominação requer a eliminação da concorrência. Quando eles não conseguem implantar o caos por meio de seus agentes qualificados e os servos nacionais, apelam para a guerra, invadem o país como fizeram no Iraque, na Líbia entre outros.

Tomemos o Iraque como exemplo. Lá o petróleo era estatal e os recursos serviam para o desenvolvimento econômico e social. Como não conseguiram desestabilizar o governo, invadiram, destruíram o país, mataram e/ou anularam as lideranças, implantaram o caos. As empresas brasileiras que participavam da construção da infraestrutura tiveram que sair por causa da guerra. Assim também as empresas de alimentos. Destruído o país entraram as empresas estadunidenses para a reconstrução e para o abastecimento. O petróleo agora, de ninguém, é saqueado pelas transnacionais. Assim de simples.
Pior ainda é o que ocorreu na Líbia, nem o Estado sobrou. Ou o que ocorre no Afeganistão. A mesma estratégia de implantação do caos que está sendo aplicada na Síria.

Gente: o que está em jogo aqui no Brasil é a Soberania Nacional.

São Paulo, abril de 2017

*Paulo Cannabrava Filho é jornalista e editor chefe da Diálogos do Sul.

Jose Ismael Torres e Kayla Rae Norton

Racistas que invadiram festa nos

EUA são condenados à prisão

Eles vieram em caminhões e gritavam insultos racistas. Também portavam bandeiras dos Confederados, que foi usada na Guerra Civil nos Estados Unidos, quando os Estados rebelados lutaram para manter a escravidão no país. Desde então a bandeira é associada a movimentos de extrema direita no país.

Segundo o promotor do caso, Torres ainda apontou uma arma para os familiares que participavam da festa e disse que iria matá-los.

De acordo com a polícia, o casal era membro de um grupo chamado “Respect the Flag”, formado por racistas que defendem a “supremacia” branca. Na internet, foram localizadas mensagens dos integrantes do grupo discutindo participação em comícios da Ku Klux Klan e ataques aos negros.

Torres e Kayla são as últimas das 15 pessoas acusadas de participação no episódio a serem condenadas. Apenas quatro foram acusadas de delitos graves; outros dois se declararam culpados e estão cumprindo uma pena mais leve.

http://www.vermelho.org.br/noticia/293832-1

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Racistas reagem a Oscar para “negro, gay e maconheiro”

Por Eduardo Guimarães

 

Um dos blogueiros da Veja postou no Twitter um comentário sobre o vencedor do Oscar em 2017 – Moonlight: sob a luz do luar – que muitos estão considerando racista, por razões óbvias.

O comentário infeliz desse indivíduo se conecta a uma questão que muitos desconhecem…

Havia uma disputa maior na entrega do Oscar deste ano. Uma das produções candidatas a melhor filme era sobre um “gay, negro e maconheiro” arrastado para o lado errado pelas vicissitudes da vida; o adversário era um romance hiper açucarado protagonizado por uma bela loirinha de olhos claros.

Na segunda-feira, a Folha de São Paulo destacava o que chamou de “Oscar negro”. Foi ridículo. Se uma produção de brancos ganhasse o Oscar de melhor filme haveria matéria chamando a premiação em 2017 de “Oscar branco”?

Esse tipo de diferenciação é uma forma de preconceito e de desqualificação de uma etnia.

Em sete minutos, porém, os dois longas ganharam o Oscar de melhor filme. E esse episódio bizarro, que empanou a vitória de Moonlight sobre La la land, pode até não ter nada que ver com a disputa, mas nunca antes na história da Academia norte-americana de cinema ocorrera coisa igual.

Eis o que houve.

Fred Berger era o terceiro produtor de La la land a discursar quando a confusão começou. A estatueta não pertencia a ele e à sua equipe, como os atores Faye Dunaway e Warren Beatty haviam anunciado. O melhor longa-metragem da edição 2017 do Oscar, na noite de domingo, era Moonlight: sob a luz do luar, de Barry Jenkins.

A empresa PricewaterhouseCoopers (PwC), que audita a cerimônia do Oscar, assumiu a culpa, por meio de um comunicado. “Os apresentadores receberam o envelope da categoria errada. Quando descobrimos, isso foi imediatamente corrigido”, dizia o texto.

A atriz Jessica Chastain escreveu no Twitter, imediatamente: “Por que os produtores do show não correram para o palco quando o vencedor errado foi anunciado? Estou muito triste pela equipe de Moonlight. Gostaria que eles tivessem a experiência completa de ganhar o prêmio de melhor filme sem tanto constrangimento”.

Essa discussão sobre os méritos de Moonlight se espalhou ao menos pela elite de São Paulo. A turma do andar de cima fica enraivecida quando negros sobressaem e não engoliu a supremacia de um negro sobre a loirinha ideal.

O blogueiro da Veja apenas vocalizou discussão que vinha se dando nos salões dos ricaços paulistanos, enojados com a vitória da história de um “negro, gay e maconheiro” sobre o romance da personagem da estonteante Emma Stone”.

A forma calhorda desse sujeito de se referir a negros e homossexuais é um dos sintomas da ascensão do fascismo no Brasil.

Essa vergonha vai perdurar até que alguém mostre a essa gente que desqualificar o mérito de negros vencedores é incompatível com um país no qual negros e descendentes de negros são maioria.

http://www.blogdacidadania.com.br/2017/03/racistas-reagem-a-oscar-para-negro-gay-e-maconheiro/

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“É a 1ª vez que vejo um governo destruir o que está dando certo”,

diz presidente do Banco Mundial

Do 247:

O presidente do Banco Mundial (Bird), Jim Yong Kim, criticou o governo de Michel Temer no programa ‘Noite Total’, da rádio Globo & CBN. Ele ressaltou que nunca viu um governo desmontar políticas populares em benefício do povo.

“É a primeira vez que vejo um governo destruir o que está dando certo. Nós do Banco Mundial, o G8 e a ONU recomendamos os Programas sociais brasileiros para dezenas de países, tendo em vista os milhões de pobres brasileiros que saíram da extrema pobreza nos governos anteriores a esse”, lamentou Jim Yong Kim.

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/e-a-1a-vez-que-vejo-um-governo-destruir-o-que-esta-dando-certo-diz-presidente-do-banco-mundial/