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rebeca Tárique

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O Tempo de Mateus Aleluia

Por Laura Maria*

 

Mateus Aleluia, 73, prefere enxergar sua obra como uma rede de conexões que se completam com o passar do tempo ao vislumbrar a carreira como um ponto de partida que se estende por uma linha reta. “Fogueira Doce” (2017), segundo álbum solo de Aleluia, portanto, poderia ter saído tanto agora como há 20 anos.

“Vamos seguindo de acordo com o tempo. Assim como o ano tem quatro estações, e o mês tem quatro fases da lua, o ‘Fogueira Doce’ também obedece a um cronograma natural”, comenta o baiano, que participará de um bate-papo nesta quinta-feira (30), na Funarte MG, encerrando o projeto “Retratos de Artista”.

Visto dessa maneira, o hiato de sete anos entre “Cinco Sentidos” (2010) e “Fogueira Doce” é compreensível e, para Aleluia, quase que imperceptível. “O ‘Fogueira Doce’ é tudo o que foi o ‘Cinco Sentidos’. Cada dia é um hoje, um presente. Não se fala nem de ontem, nem de amanhã”, filosofa ao dispensar tecer comentários sobre o amadurecimento do álbum. “Mais maduro, menos maduro… Não sabemos. A vida é uma caixinha de surpresas, e o que eu fiz foi retratá-la no disco como uma fogueira que aquece, mas não queima”, diz.

Candomblé. A possibilidade de ouvir as canções de Aleluia e não aquecer os corações, aliás, é quase remota. Tanto em “Cinco Sentidos” como em “Fogueira Doce”, o artista conserva uma voz que faz casamento perfeito entre o lirismo do piano e os batuques do candomblé. Assim, Aleluia traz para os álbuns, desde quando participava do grupo Os Tincoãs, o estilo que denomina “afro-barroco”, em que mistura a cultura portuguesa à africana.

“A vinda do povo africano para cá coincidiu com o movimento do barroco em todo o mundo. A Igreja se sentia ameaçada e já catequizava as pessoas escravizadas ainda no Congo”, comenta ao analisar que o contexto foi fundamental para a construção do estilo. “O barroco brasileiro é diferente de qualquer outro no mundo, pois se assemelha muito ao que aconteceu com o sincretismo religioso. Basta observar as obras de Aleijadinho, que não encontram outras parecidas. Já no que diz respeito à música, ela tem um contato imediato, não pede respeito nem licença”, afirma.

Memórias. Natural de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, Aleluia começou sua carreira com o grupo Os Tincoãs, ativo entre as décadas de 60 e 70. Ao lado de Heraldo, Dadinho e Badu, Aleluia produziu quatro discos que exaltavam a cultura africana expressa, por exemplo, no candomblé.

“Os Tincoãs falavam do cotidiano. Não fizemos mais do que retratar a influência espontânea de onde vivíamos. Em Cachoeira, estava tudo o que precisávamos para o afro-barroco. A cidade foi muito sensível ao sincretismo e às influências das tribos indígenas também”, comenta.

Mas Aleluia sentiu que poderia aprofundar-se ainda mais na cultura africana, motivo pelo qual o artista passou 20 anos morando em Angola. Nem os mais de 7 mil quilômetros que separam o Brasil do país africano, porém, fizeram com que ele perdesse o sentido de que tudo está conectado.

“A minha vida lá foi e é igual à que tenho aqui. Construí laços de amizades, vivi momentos de alegria e de tristeza. Todo mundo que tem fé sente uma centelha divina dentro de si em qualquer lugar do mundo”, filosofa. E comenta: “A vida para mim é música. Não tem como dissociar”.

 

*http://www.otempo.com.br/divers%C3%A3o/magazine/o-tempo-de-mateus-aleluia-1.1453969

Ken Saro-Wiwa

No dia 10 de novembro de 1995, morreu Ken Saro-Wiwa. Foi um escritor, produtor de televisão e ecologista nigeriano. Lutou contra a degradação da vida das pessoas, terras e águas do delta do Níger. Acabou executado.
Por António José André.

Saro-Wiwa liderou o MOSOP (Movimento pela Sobrevivência do Povo Ogoni) organização pacifista que lutava contra a degradação do delta do Níger, explorado por várias petrolíferas, entre as quais a Shell. 

Por causa do seu ativismo, Saro-Wiwa foi preso a mando do regime militar de Sani Abacha, em 1994. Num processo judicial fraudulento, foi condenado à morte com mais oito ativistas. 

Os nove ativistas foram condenados, apesar dos múltiplos protestos internacionais e da diplomacia silenciosa das organizações internacionais, incluindo a União Europeia.

Estes nove ativistas foram enforcados, no dia 10 de novembro de 1995. A execução destes ativistas gerou contestação internacional, de tal modo que a Nigéria foi suspensa da Commonwealth durante mais de três anos.

As petrolíferas no rio Níger

Em 1958, as petrolíferas começaram a transformar as terras férteis de Ogoni, que segundo Saro-Wiwa eram um “paraíso”, numa paisagem lunar negra. As operações de produção de petróleo contaminaram o solo. Essa exploração irresponsável trouxe aos camponeses pobreza e doenças.

O MOSOP exigiu que as áreas danificadas fossem reabilitadas, e que a população também partilhasse os lucros do petróleo. Lucros que constituem cerca de 90% das receitas do Governo nigeriano, através das quais vários regimes militares e elites corruptas financiam as suas vidas luxuosas.

Indenizações da Shell

Em janeiro de 1993, 300 mil pessoas manifestaram-se para exigir o pagamento de indemnizações e a reparação causada por danos ambientais. O regime do ditador Sani Abacha reagiu com violência aos protestos e ocupou a região dos Ogoni.

Em 2009, a empresa Shell, reconhecendo a sua implicação na morte dos nove ativistas, pagou 15,5 milhões de dólares às famílias das vítimas, esperando assim minimizar os efeitos negativos da sua imagem neste caso.

Segundo a ONU, serão precisos, pelo menos, mais 30 anos para que sejam superados os danos ambientais no delta do Níger.

Extraído de: http://www.esquerda.net/artigo/memorias-ken-saro-wiwa/51952

Lorna Simpson – Peles negras, máscaras brancas, gênero e identidade

O clássico livro Peles negras, máscaras brancas, de Frantz Fanon, diz muito do que a obra da artista Lorna Simpson nos convoca a pensar. A cor da pele importa? De que modo pele e cabelos dizem sobre gênero, identidade e racismo na sociedade que vivemos?

Nascida em Nova Iorque, no famoso bairro do Brooklyn, Lorna Simpson começou sua carreira como fotografa documental. Parte da geração após os movimentos dos Direitos Civis e “Black Power” a artista ficou conhecida por suas pinturas com fragmentos de texto e fotografias que exploram o universo da mulher Afro-americana na sociedade contemporânea, mesclando a sua beleza com a realidade da discriminação e da violência que confrontam as visões convencionais de gênero, identidade, cultura, história e memória. A artista utiliza fotografias originais e outras que coleta na internet ou mercados de pulgas. Grande parte das suas figuras não são retratadas de frente, mas são mostradas por trás ou tendo rosto e olhos ocultados. A sua ênfase, com esses retratos, são as implicações sociais e políticas de penteados e texturas africanas, como vemos, por exemplo na série Wigs, de 1994.

Lorna Simpson Wigs II 1994-2006 Serigraph on 71 felt panels (images and text) 98 x 265 in (248.9 x 673.1 cm)
overall Courtesy the artist; Salon 94, New York; and Galerie Nathalie Obadia, Paris/Brussels © Lorna Simpson

Em 1994, a artista surpreende o público ao imprimir suas fotos em feltro, inspirada pela obra de Joseph Beuys, afastando-se do papel como suporte tradicional da fotografia. Na instalação, que combina imagens e texto, são abordadas questões que dizem respeito a gênero, raça, identidade na nossa sociedade. Que relações podemos estabelecer entre a obra dessa artista com as questões envolvendo identidade, gênero e raça no Brasil?

LornaSimpsonStereoStyles1988

Lorna Simpson
Stereo Styles [Styles Stéréo]
1988
10 dye-diffusion black-and-white polaroid prints, 10 engraved plastic plaques
57 ¾ x 125 ¾ x 1 3/8 in (146.7 x 318.1 x 3.5 cm) overall
Collection of Melya Bucksbaum and Raymond Learsy

© Lorna Simpson

Lorna foi a primeira mulher afro-americana a expor na Bienal de Veneza, em 1993,  e ter uma exposição individual na série Projects do Museu de Arte Moderna de Nova York (MOMA). Suas obras tem sido expostas e reconhecidas nas principais instituições culturais no mundo todo.

Five Day Forecast 1991 by Lorna Simpson born 1960

Five Day Forecast [Prévisions à cinq jours]
1988
5 gelatin silver prints in a frame, 15 plates engraved plastic
24 ½ x 97 in (62.2 x 264.4 cm) overall
Lillian and Billy Mauer Collection

© Lorna Simpson
“(…) Esta é uma cultura que usa a figura negra a partir de significados muito específicos, até mesmo estereótipos (…), mas se eu fosse uma artista branca usando modelos caucasianos, então o trabalho seria lido completamente como universalista. Seria construído diferentemente. Eu tento chamar a atenção dos espectadores para que eles percebam que tudo é uma questão de superfícies e fachadas”
(Fonte: http://www.moma.org/learn/moma_learning/lorna-simpson-wigs-1994 )

https://www.ufrgs.br/arteversa/?p=841

 

Resultado de imagem para Lorna Simpson

Lorna Simpson

Nascimento: 1960, Brooklyn, Nova Iorque, EUA

http://www.lsimpsonstudio.com/