Um filme de dança (2013), de Carmen Luz

Um filme de dança (2013), de Carmen Luz

Diretoras Negras do Cinema Brasileiro

Com curadoria de Kênia Freitas e Paulo Ricardo de Almeida, a mostra percorre trabalhos desde as pioneiras Adélia Sampaio e Danddara, até nomes contemporâneos, como Carol Rodrigues, Elen Linth, Juliana Vicente, Lilian Solá Santiago, Renata Martins, Sabrina Fidalgo, Viviane Ferreira, Yasmin Thayná, entre outras. Dentre os destaques selecionados, estão Amor Maldito (1984), de Adélia Sampaio; Gurufim na Mangueira (2000), de Danddara; Graffiti (2008), de Lilian Solá Santiago; Cores e Botas (2010), de Juliana Vicente; Um filme de Dança (2013), de Carmen Luz; O Dia de Jerusa (2014), de Viviane Ferreira; Kbela (2015), de Yasmin Thayná; Rainha (2016), de Sabrina Fidalgo; e Maria (2017), de Elen Linth e Riane Nascimento.  

 

Considerada pioneira, Adélia Sampaio começou no cinema em 1969. Filha de empregada doméstica, a cineasta dirigiu quatro curtas metragens: Denúncia VaziaUm Deus dança em MimAdulto não brinca e Na poeira das ruas. Em 1984, Adélia dirigiu o filme Amor Maldito, tornando-se a primeira diretora negra a dirigir um longa-metragem no Brasil. Além disso, a produção também é considerada a primeira com temática inteiramente lésbica no cinema nacional.

Nos anos 1990, a realidade do cinema feminino negro no Brasil pouco se alterou. Danddara, umas das resistências do período, ingressou no cinema profissional fazendo assistência para Paulo Rufino (Canto da Terra, 1991). No entanto, seu primeiro curta, Gurufim na Mangueira (2000), foi recusado três vezes pelo Ministério da Cultura antes de ser aprovado. Ainda assim, a diretora usou de diversos subterfúgios para driblar o racismo institucional, como assinar o projeto com um pseudônimo francês (Mônica Behague) e relevar para segundo plano a sua autoria do roteiro.

“Falar das trajetórias das mulheres negras no cinema brasileiro é remontar uma história de invisibilidade e apagamentos. Até por isso, o que é impactante na produção atual é a sua coletividade e a pluralidade de projetos e obras. Uma série de iniciativas das próprias cineastas marcam esse cenário de transformação e afirmação, propondo novas formas de viabilizar e divulgar o cinema feito pelas mulheres negras. Entre tantas, podemos destacar: a plataforma de exibição online Afroflix (www.afroflix.com.br/), criada por Yasmin Thayná, e a websérie Empoderadas, criada e dirigida por Renata Martins, que se desdobrou em encontro e festival de cinema feminino negro” destaca a curadora Kênia Freitas.

“Houve o barateamento dos equipamentos de produção, sobretudo com a entrada em cena do digital, que aumentou o acesso a uma arte (ainda cara) para um número maior e mais diverso de realizadores. O estabelecimento do sistema de cotas nas universidades públicas, assim como o ProUni e o Fies, trouxe para o ensino superior – incluindo os cursos cinema e audiovisual – alunos e alunas pobres e negros, antes excluídos. A abertura de uma linha de financiamento específica na Ancine para afrodescendentes significa o reconhecimento da falta de diversidade pela instância máxima de fomento do cinema brasileiro”, complementa o também curador Paulo Ricardo de Almeida.

Sessão inclusiva e debates:

No dia 09 de dezembro (sábado), às 17h30, haverá sessão inclusiva do filme Leva (2011), de Juliana Vicente e Luiza Marques, com audiodescrição e closed captions, para pessoas com necessidades especiais.

Fazem parte da programação, ainda, duas mesas de debates. No dia 07 de dezembro (quinta), às 19h, a mesa O percurso das diretoras negras no cinema brasileiro recebe as cineastas Adélia Sampaio e Sabrina Fidalgo, com mediação da curadora e doutora em Comunicação e Cultura, Kênia Freitas. Este debate terá tradução em Libras.

Já no dia 14 de dezembro (quinta), também às 19h, será realizada a mesa Perspectivas e transformações: a mulher negra no cinema nacional, da qual participam as cineastas Janaína Oliveira (Re.Fem) e Yasmin Thayná, com mediação do co-curador Paulo Ricardo.

A entrada para ambos os seminários é franca, com ingressos distribuídos 1h antes do início.

Programação:
5 de dezembro (terça-feira)
17h – Sandrine (2014), de Elen Linth e Leandro Rodrigues, Brasil, 12 min, DVD, 16 anos
Muros (2015), de Elen Linth, Brasil, 14 min, DVD, 16 anos
Entre Passos (2012), de Elen Linth, Brasil, 10 min, DVD, 16 anos
Pra se contar uma história (2013), de Elen Linth, Diego Jesus, Lucicleide Cruz e Leandro Rodrigues, Brasil, 25 min, DVD, livre
O filme que fiz para esquecer (2012), de Elen Linth, Brasil, 2 min, DVD, livre
Maria (2017), de Elen Linth e Riane Nascimento, Brasil, 17 min, DVD, 12 anos
19h – Um filme de dança (2013), de Carmen Luz, Brasil, 90 min, DVD, livre
6 de dezembro (quarta-feira)
17h – Lápis de Cor (2013), de Larissa Fulana de Tal, Brasil, 14 min, DVD, livre
Cinzas (2015), de Larissa Fulana de Tal, Brasil, 15 min, DVD, 12 anos
O tempo dos orixás (2014), de Eliciana Nascimento, Brasil, 20 min, DVD, livre
A Boneca e o Silêncio (2015), de Carol Rodrigues, Brasil, 19 min, DVD, 16 anos
Assim (2013), de Keila Serruya, Brasil, 14 min, DVD, 12 anos
19h – Das Raízes às Pontas (2016), de Flora Egécia, Brasil, 20 min, DVD, livre
Mucamas (2015), do Coletivo Nós, Madalenas, Brasil, 15 min, DVD, livre
Mulheres de Barro (2015), de Edileuza Penha de Souza, Brasil, 26 min, DVD, livre
Conflitos e Abismos, A Expressão da Condição Humana (2014), de Everlane Moraes, Brasil, 15 min, DVD, 14 anos
7 de dezembro (quinta-feira)
15h15 – Gurufim na Mangueira (2000), de Danddara, Brasil, 26 min, DVD, 12 anos
Amor maldito (1984), de Adélia Sampaio, Brasil, 76 min, DVD, 16 anos
17h30 – Cinema Mudo (2012), de Sabrina Fidalgo, Brasil, 15 min, DVD, 14 anos
Personal Vivator (2014), de Sabrina Fidalgo, Brasil, 22 min, DVD, 12 anos
Rainha (2016), de Sabrina Fidalgo, Brasil, 30 min, DVD, 12 anos
19h – Seminário O percurso das diretoras negras no cinema brasileiro, com Adélia Sampaio e Sabrina Fidalgo. Mediação de Kênia Freitas.
8 de dezembro (sexta-feira)
17h30 – Black Berlim (2009), de Sabrina Fidalgo, Brasil e Alemanha, 12 min, DVD, 12 anos
Rio Encantado (2014), de Sabrina Fidalgo, Brasil, 55 min, DVD, livre
19h – Balé de Pé no Chão – A Dança Afro de Mercedes Baptista (2005), de Lilian Solá Santiago e Marianna Monteiro, Brasil, 17 min, DVD, livre
Graffitti (2008), de Lilian Solá Santiago, Brasil, 10 min, DVD, 10 anos
Eu tenho a palavra (2010), de Lilian Solá Santiago, Brasil, 26 min, DVD, livre
Batuque de Graxa (2012), de Lilian Solá Santiago, Brasil, 5 min, DVD, livre
Mulheres Bordadas – Fios do Passado (2005), de Lilian Solá Santiago, Brasil, 10 min, DVD, livre

Heitor, Carioca dos Prazeres (2013), de Tatyana dos Prazeres.

Heitor, Carioca dos Prazeres (2013), de Tatyana dos Prazeres.
9 de dezembro (sábado)
15h45 – Aquém das Nuvens (2010), de Renata Martins, Brasil, 18 min, DVD, 12 anos
Heitor, Carioca dos Prazeres (2013), de Tatyana dos Prazeres, Brasil, 14 min, DVD, livre
Doido Lelé (2008), de Ceci Alves, Brasil, 17 min, DVD, livre
Rap de Saia (2006), de Janaína Oliveira Re.Fem e Queen, Brasil, 18 min, DVD, 14 anos
A Rua – O Corpo Urbano (2016), de Keila Serruya, Brasil, 10 min, DVD, livre
17h30 –  Sessão inclusiva (audiodescrição + closed captions)
Leva (2011), de Juliana Vicente e Luiza Marques, Brasil, 55 min, DVD, livre
19h – Cores e Botas (2010), de Juliana Vicente, Brasil, 16 min, DVD, livre
Tupã Baê (2011), de Juliana Vicente e Lucas Rached, Brasil, 11 min, DVD, livre
O Olho e o Zarolho (2013), de Juliana Vicente e René Guerra, Brasil, 17 min, DVD, livre
As Minas do Rap (2015), de Juliana Vicente, Brasil, 14 min, DVD, livre
10 de dezembro (domingo)
16h – Peregrinação (2014), de Viviane Ferreira, Brasil, 50 min, DVD, livre
17h30 – Mumbi 7 Cenas Pós Burkina (2010), de Viviane Ferreira, Brasil, 7 min, DVD, livre
Dê Sua Ideia, Debata (2008), de Viviane Ferreira, Brasil, 28 min, DVD, livre
O Dia de Jerusa (2014), de Viviane Ferreira, Brasil, 20 min, DVD, livre
19h – Kbela (2015), de Yasmin Thayná, 23 min, DVD, 12 anos
Sexy Trash (2014), de Tainá Rei, 2 min, DVD, 12 anos
Cinema de Preto (2004), de Danddara, 11 min, DVD, livre
Quijauá (2016), do Coletivo Revisitando Zózimo Bulbul + Mulheres de Pedra, 6 min, DVD, 14 anos
12 de dezembro (terça-feira)
17h – Black Berlim (2009), de Sabrina Fidalgo, Brasil e Alemanha, 12 min, DVD, 12 anos
Rio Encantado (2014), de Sabrina Fidalgo, Brasil, 55 min, DVD, livre
19h – Mumbi 7 Cenas Pós Burkina (2010), de Viviane Ferreira, Brasil, 7 min, DVD, livre
Dê Sua Ideia, Debata (2008), de Viviane Ferreira, Brasil, 28 min, DVD, livre
O Dia de Jerusa (2014), de Viviane Ferreira, Brasil, 20 min, DVD, livre
13 de dezembro (quarta-feira)
17h30 – Balé de Pé no Chão – A Dança Afro de Mercedes Baptista (2005), de Lilian Solá Santiago e Marianna Monteiro, Brasil, 17 min, DVD, livre
Graffitti (2008), de Lilian Solá Santiago, Brasil, 10 min, DVD, 10 anos
Eu tenho a palavra (2010), de Lilian Solá Santiago, Brasil, 26 min, DVD, livre
Batuque de Graxa (2012), de Lilian Solá Santiago, Brasil, 5 min, DVD, livre
Mulheres Bordadas – Fios do Passado (2005), de Lilian Solá Santiago, Brasil, 10 min, DVD, livre
19h – Leva (2011), de Juliana Vicente e Luiza Marques,  Brasil, 55 min, DVD, livre
14 de dezembro (quinta-feira)
16h15 – Aquém das Nuvens (2010), de Renata Martins, Brasil, 18 min, DVD, 12 anos
Heitor, Carioca dos Prazeres (2013), de Tatyana dos Prazeres, Brasil, 14 min, DVD, livre
Doido Lelé (2008), de Ceci Alves, Brasil, 17 min, DVD, livre
Rap de Saia (2006), de Janaína Oliveira Re.Fem e Queen, Brasil, 18 min, DVD, 14 anos
A Rua – O Corpo Urbano (2016), de Keila Serruya, Brasil, 10 min, DVD, livre
18h – Kbela (2015), de Yasmin Thayná, 23 min, DVD, 12 anos
Sexy Trash (2014), de Tainá Rei, 2 min, DVD, 12 anos
Cinema de Preto (2004), de Danddara, 11 min, DVD, livre
Quijauá (2016), do Coletivo Revisitando Zózimo Bulbul + Mulheres de Pedra, 6 min, DVD, 14 anos
19h – Seminário Perspectivas e transformações: a mulher negra no cinema nacional, com Yasmin Thayná, Janaína Oliveira, Re.Fem. Mediação: Paulo Ricardo Gonçalves de Almeida.
15 de dezembro (sexta-feira)
17h30 – Cores e Botas (2010), de Juliana Vicente, Brasil, 16 min, DVD, livre
Tupã Baê (2011), de Juliana Vicente e Lucas Rached, Brasil, 11 min, DVD, livre
O Olho e o Zarolho (2013), de Juliana Vicente e René Guerra, Brasil, 17 min, DVD, livre
As Minas do Rap (2015), de Juliana Vicente, Brasil, 14 min, DVD, livre
19h – Peregrinação (2014), de Viviane Ferreira, Brasil, 50 min, DVD, livre
16 de dezembro (sábado)
15h – Sandrine (2014), de Elen Linth e Leandro Rodrigues, Brasil, 12 min, DVD, 16 anos
Muros (2015), de Elen Linth, Brasil, 14 min, DVD, 16 anos
Entre Passos (2012), de Elen Linth, Brasil, 10 min, DVD, 16 anos
Pra se contar uma história (2013), de Elen Linth, Diego Jesus, Lucicleide Cruz e Leandro Rodrigues, Brasil, 25 min, DVD, livre
O filme que fiz para esquecer (2012), de Elen Linth, Brasil, 2 min, DVD, livre
Maria (2017), de Elen Linth e Riane Nascimento, Brasil, 17 min, DVD, 12 anos
17h – Um Filme de Dança (2013), de Carmen Luz, Brasil, 90 min, DVD, livre
19h – Lápis de Cor (2013), de Larissa Fulana de Tal, Brasil, 14 min, DVD, livre
Cinzas (2015), de Larissa Fulana de Tal, Brasil, 15 min, DVD, 12 anos
O tempo dos orixás (2014), de Eliciana Nascimento, Brasil, 20 min, DVD, livre
A Boneca e o Silêncio (2015), de Carol Rodrigues, Brasil, 19 min, DVD, 16 anos
Assim (2013), de Keila Serruya, Brasil, 14 min, DVD, 12 anos

 

17 de dezembro (domingo)
15h – Das Raízes às Pontas (2016), de Flora Egécia, Brasil, 20 min, DVD, livre
Mucamas (2015), do Coletivo Nós, Madalenas, Brasil, 15 min, DVD, livre
Mulheres de Barro (2015), de Edileuza Penha de Souza, Brasil, 26 min, DVD, livre
Conflitos e Abismos, A Expressão da Condição Humana (2014), de Everlane Moraes, Brasil, 15 min, DVD, 14 anos
17h – Gurufim na Mangueira (2000), de Danddara, Brasil, 26 min, DVD, 12 anos
Amor maldito (1984), de Adélia Sampaio, Brasil, 76 min, DVD, 16 anos
19h – Cinema Mudo (2012), de Sabrina Fidalgo, Brasil, 15 min, DVD, 14 anos
Personal Vivator (2014), de Sabrina Fidalgo, Brasil, 22 min, DVD, 12 anos
Rainha (2016), de Sabrina Fidalgo, Brasil, 30 min, DVD, 12 anos
Serviço:
Mostra Diretoras Negras do Cinema Brasileiro 
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Cinema 2
EndereçoAv. Almirante Barroso, 25, Centro (Metrô e VLT: Estação Carioca)
Telefone: (21) 3980-3815
Data: de 5 a 17 de dezembro de 2017 (terça-feira a domingo)
Horários: Consultar programação
Ingressos: R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (meia). Além dos casos previstos em lei, clientes CAIXA pagam meia.
Lotação: 80 lugares (mais dois para cadeirantes)
Bilheteria: de terça-feira a domingo, das 13h às 20h
Classificação Indicativa: Consultar programação
Acesso para pessoas com deficiência
Patrocínio: Caixa Econômica Federal e Governo Federal
Assessoria de Imprensa:
Roberta Mattoso – imprensa@romainpress.com.br
Cel: (21) 99769-7920 | (Whastapp) (21) 98108-9896

Fonte: http://www.buala.org/pt/afroscreen/diretoras-negras-do-cinema-brasileiro

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Chester Himes:

o pai dos detetives negros mais invocados da literatura

“Não ri pra mim. Eu não sou dentista. Dentista arruma dentes. Eu arrebento dentes”. Grave Digger Jones, personagem criado por Chester Himes.

Poucas vezes eu compro um livro sem ter uma referência. Sem que alguém tenha me indicado, que eu tenha lido uma boa reportagem sobre o autor ou visto um filme legal inspirado nele. Comprei “O Harlem é escuro” do Chester Himes (1909-1984), edição de bolso da L&PM, completamente às cegas. Gostei do título, da capa e da orelha e arrisquei. Isso foi no ano passado. Achei do caralho. Os personagens principais, os detetives Jones Coveiro e Ed Caixão(os nomes em inglês são muito mais legais), são dois policiais negros durões do Harlem que investigam crimes comuns nos Estados Unidos racista dos anos 50 e 60. As histórias fluem no ritmo do Jazz, dos conflitos raciais e do uísque barato. Acabei de ler agora “Um jeito tranqüilo de matar”. Tão bom quanto o anterior. O final é até melhor e tem a gangue com o melhor nome da história “Os Mulçumanos Supermaneiros”.

Uma história de detetives não mexia tanto comigo desde o clássico “O Falcão Maltês”, de Dashiell Hammet  (um de meus livros favoritos). Algum dia ainda faço uma análise mais demorado dos livros do Himes. Por enquanto, só gostaria de lembrar um pouco da história do escritor: Himes nasceu numa família de classe média negra na época em que os Estados Unidos ainda era separado por leis racistas. Sua vida se desestruturou quando seu irmão sofreu um acidente (que o deixou cego) e os médicos de um hospital de brancos se recusaram a tratá-lo. Depois disso Himes foi expulso da faculdade e preso por assalto. Na cadeia, passou a escrever contos que foram publicados em grandes revistas americanas. Nos anos 50, Himes mudou para França com sua esposa.

É, amigos, esqueçam o Shaft, os agentes mais legais do pedaço são Coffin Ed e Grave Digger Jones. E tenho dito.

PS: Ah, vale lembrar que algumas das histórias de Himes viraram filme, inclusive o “Perigosamente Harlem” com Danny Glover.

Cartaz do filme "Perigosamente Harlem"

Extraído de: http://www.punkbrega.com.br/category/literatura/page/8/

 

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Quando o cinismo vira rotina

Por Eron Bezerra

 

 

Quem acompanhou a cruzada sistemática dos maiores veículos de comunicação contra a política de inclusão social e de valorização do estado nacional, até então levada a cabo pelos governos Dilma e Lula, certamente deve estar intrigado com o tratamento que esta mesma imprensa dispensa a Temer e sua equipe.

Não deveriam estranhar. Afinal, os meios de comunicação, assim como o legislativo, executivo e judiciário, nada mais são do que aparelhos do estado que, por sua vez, se constitui no instrumento de dominação da classe dominante.

É isso que explica porque, no governo Dilma, o crescimento modesto do PIB era chamado pejorativamente de “pibinho” e agora, quando patina no risível patamar de 0,1%, recebe tratamento tão positivo e cerimonioso que um observador mais desavisado pode imaginar que passamos a crescer no patamar do PIB chinês.

Felizmente, para nós, o povo não é bobo. Não tem deixado se enganar. Percebe a farsa. Identifica as sistemáticas e unidirecionais retaliações contra a esquerda e a tentativa da direita de impedir que haja uma disputa eleitoral presidencial democrática. Cada vez mais o povo vai se convencendo que o único motivo que mobilizou a direita para afastar a presidenta Dilma não era combater a “corrupção” – que nunca restou provado contra a presidenta – mas sim atacar os direitos do povo e a soberania popular.

Por isso, o que vai ficando patente é que a prática das forças conservadoras, especialmente da mídia – mas não a única – é algo que se assemelha ao grotesco, tamanha é a falta de critérios e a descarada parcimônia para tratar do mesmo assunto, do mesmo tema.

E por que? Porque Temer tem entregado o produto para o qual foi escalado: atacar o povo e colocar o pais a serviço dos estrangeiros, especialmente os Estados Unidos da América.

Apesar da enxurrada de denúncias e fatos demonstrando o envolvimento do governo Temer nos mais escabrosos desmandos e atos de corrupção, de ostentar uma popularidade ZERO, de tramar diariamente para retirar direitos dos trabalhadores e de comprometer a nossa soberania, o governo Temer tem cumprido a receita que a CIA americana e os banqueiros lhe mandaram executar, ele continua determinado a levar adiante sua cruzada contra o povo e o país.

E para a direita é o que importa. Por isso lhe apoiam; por isso são tão generosos na cobertura midiática; por isso pouco se importam se o cinismo já virou rotina.

* Professor da UFAM, Doutor em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, Coordenador Nacional da Questão Amazônica e Indígena do Comitê Central do PCdoB.

Extraído de: http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=8800&id_coluna=19

File:Negra da Bahia, 1885. Foto de Marc Ferrez.jpg

Erupta

Quando a mulher era uma ilha vulcânica
ela abria as pernas e sua vulva
relaxada exalava magma

O homem era um náufrago perdido nas águas

Pelas ondas arrojado,
o homem escalou os dois montes-seios
Estupefato provou do leite salino que deles saíam
Do alto da montanha
viu o homem que a mulher não estava só:
Era um arquipélago

E o homem temeu a cordilheira superfície da mulher.

Ventre Livre

Quando o ventre foi liberto
a mãe continuava cativa
O ventre da mulher negra
podia livrar-se dela
pois não habitava um corpo
habitava uma mulher negra

E essa mulher sem ventre,
essa não-mulher, tinha de noite pesadelos
Nos seus sonhos era uma cartola
donde o grande mago
tirava coelhinhos brancos

E essa mulher sem ventre,
essa não-mulher, tinha de noite pesadelos
Nos seus sonhos fugia, arcada
E por entre as pernas sangrava a semente
com a qual semeava a terra

Os filhos-filhos da mulher do ventre livre
cresciam na direção errada
E a mulher negra chorava o ventre que não tinha.

Chão de Barro

Alisando o chão de barro
Borrifando água
Para a poeira não levantar

Feijão na panela
Pretinho, como o cotidiano
Que ela tem de enfrentar

Pega a jurubeba
Mistura tudo no prato
Feijão, arroz
Ovo e farinha
Jurubeba em cima
Para amargar

Mastiga a amargura da vida
Mastiga com as lágrimas a salgar
O peito se inunda de tristeza
Engole o nó na garganta
Aprende a se conformar.

https://alinedjokic.org/

A foto que ilustra é de Marc Ferrez

Last days of bare legs – the checked blazer and tule midi skirt

 

Oi! Sou a Gisella, obrigada por me visitar aqui.

Há quase 7 anos criei esse blog. É pra ajudar a promover nessa internet que há sim beleza, estilo e muito empoderamento feminino, quando estamos fora dos padrões estéticos sociais. Mais representatividade e menos padrão de beleza e comportamento na mídia

Hoje meu blog é um dos mais influentes na área de moda e estilo plus size no meu país e felizmente ajudo a inspirar muitas meninas a abraçarem sua beleza natural e saírem por aí inspirando outras mulheres.

http://gisellafrancisca.com/?lang=pt-br

“A engenharia também é uma saída política”, afirma Larissa, estudante de engenharia na USP

Estudante negra relata suas vivências no curso de Engenharia na USP

por Camila Marins*.
no site da Fisenge 

Há um ano, Larissa Mendes, 20 anos, realizava um sonho: ingressar no curso de engenharia civil em uma das universidades mais disputadas do país, a Politécnica da USP (Universidade de São Paulo).

Mulher negra e moradora da periferia de São Paulo, Capão Redondo, Larissa fala sobre a importância da engenharia na atual crise política, da universidade pública e também do fortalecimento de redes de apoio e de coletivos do movimento negro para apoiar estudantes e construir a resistência dentro da universidade, um ambiente ainda elitista. Uma pesquisa do Instituto Datafolha apontou que, na USP, 82% são homens e 59% pertencem à classe A.

De acordo com dados da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), de 2016, os alunos brancos são a maioria dos ingressantes na USP pelo vestibular: 75,8% do total, seguido dos pardos (14%), amarelos (6,8%), pretos (3,2%) e indígenas (0,2%).

Levantamento de aluna do Poligen (Grupo de Estudos de Gênero da Escola Politécnica) revela que, durante 121 anos, apenas sete mulheres negras se formaram na Poli. Com este abismo social e racial dentro da universidade, graças à mobilização do movimento negro e do Núcleo de Consciência Negra na USP (NCN), foi aprovada, em julho deste ano, a política de cotas raciais na USP.

No ingresso de 2018, serão reservadas para candidatos autodeclarados pretos pardos e indígenas 37% das vagas de cada unidade de ensino e pesquisa; em 2019, a porcentagem deverá ser de 40% de vagas reservadas de cada curso de graduação; para 2020, a reserva das vagas em cada curso e turno deverá ser de 45%; e no ingresso de 2021 e nos anos subsequentes, a reserva de vagas deverá atingir os 50% por curso e turno.

Em 2003, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) foi a primeira a adotar a política de cotas em sua graduação. 48,9% dos beneficiados pelo sistema, de acordo com dados da UERJ, tiveram média acima de 7 no final do primeiro ano de curso. Entre os demais alunos, 47,1% tiveram média similar ao demais.

A política de cotas é o primeiro passo para a democratização do acesso à universidade, mas ainda faltam investimentos em políticas de permanência e também de referências negras, uma vez que o ensino está atrelado à lógica do epistemídio (conceito que promove o apagamento de determinadas bases epistemológicas privilegiando outras dentro de um modelo de colonização branco).

Isso significa também a falta de professores negros e de referências bibliográficas com recortes de gênero e raça.

Nesta entrevista, Larissa mostra que mulheres negras resistem todos os dias, inclusive diante da cobrança cotidiana para ser “exemplo de superação”, que é a forma como a mídia e determinados setores sociais se apropriam das histórias.

A construção de redes de apoio, empatia e coletividade são instrumentos de resistência poderosos no cotidiano. De acordo com a autora Bell Hooks, “para ser verdadeiramente livre, devemos escolher além de simplesmente sobreviver a adversidade, devemos ousar criar vidas sustentadas no bem-estar e em uma alegria ideal”.

Um ano se passou desde que foi aprovada no vestibular de engenharia da USP. O que mudou?

Larissa: Eu acho que amadureci muito depois que entrei na USP. O choque social não foi tão grande, porque fiz cursinho em uma instituição privada, majoritariamente, composta por alunos brancos e lá sofri bastante no começo. Eu considero que o cursinho não só me preparou para o vestibular, como também me ajudou a ter preparo psicológico para a universidade.

No começo, na Poli, o que me atrapalhou foi a dificuldade que eu tinha e tenho nas matérias. Eu peguei muitas DPs [Dependências – reprovações em matérias] e senti, em vários momentos, que aquilo não era pra mim.

Além disso, o fato de estar em um ambiente majoritariamente branco pesa muito. Eu me sinto pressionada a ser uma história de superação constante e o fato de ter um desempenho baixo me faz muito mal. Entretanto, atualmente, lido melhor com a situação, graças ao apoio dos meus pais e dos coletivos na Poli. Faço parte do coletivo negro e feminista.

Por que escolheu a engenharia civil?

Larissa: Escolhi fazer engenharia civil quando tinha 11 ou 12 anos. São Paulo vivia uma onda “construcionista” por volta de 2007 e eu era apaixonada pelos prédios e como eles eram feitos. Meu pai é professor de matemática e eu já gostava da área de exatas, então, achei na engenharia civil uma forma de unir as coisas. Conforme fui crescendo, minha percepção sobre o corpo mudou, mas continuei com vontade de cursar engenharia e transformar a vida das pessoas.

Como foi a sua rotina para passar em uma universidade pública?

Larissa: Eu tinha que acordar antes das quatro da manhã todos os dias, porque o cursinho era muito longe da minha casa, saía por volta das 4h30 para chegar no cursinho por volta das 6h40, uma vez que as aulas começavam às 7h. Mas para sentar na frente, eu tinha que chegar cedo.

Fiz dois anos de cursinho. O primeiro foi muito difícil psicologicamente, ficava muito cansada para estudar e muitas das matérias eu nunca tinha visto na vida. Tive que começar a fazer terapia pra lidar com a rotina estressante e a solidão que eu sentia naquele lugar.

O segundo ano foi mais tranquilo porque eu entendi como estudar melhor e consegui render mais. Além disso, consegui fazer algumas amizades e me integrar melhor na turma.

Qual a importância de pessoas negras ocuparem ainda mais esses espaços?

Larissa: A engenharia na Poli não tem uma preocupação humana, porque os professores e os alunos vivem uma mesma bolha social.

Dessa forma, pessoas negras e pobres são necessárias para que a engenharia produza algo que sirva à humanidade como um todo, e não só a uma classe social. Além disso, a representatividade é importante para que outras pessoas negras saibam que é possível ocupar espaços que são tradicionalmente brancos.

Como é sua rotina de estudante de engenharia? Quais as dificuldades e também quais as alegrias?

Larissa: É uma rotina bem pesada. Eu moro longe da faculdade e gasto mais ou menos três horas do dia no transporte público. A Poli exige bastante, são em média 9 matérias por semestre somando 28 horas aulas semanais de aula.

Além disso, algumas disciplinas possuem muitos trabalhos e exigem muitas horas de estudo pós-aula. A maioria das matérias são bem difíceis e, às vezes, dá uma sensação de que não adianta muito estudar e a frustração é grande.

Mas a Poli não tem só a parte ruim. Eu me sinto preenchida com algumas matérias e gosto muito do curso, apesar de ser puxado. A Poli reformou o currículo e, por isso temos matérias de engenharia civil desde o primeiro ano e essa é a melhor parte, pois temos contato com a engenharia desde o começo.

Também faço parte dos coletivos da Poli e luto por mudanças lá dentro e mais recente conquista foi a aprovação de cotas na USP.

Hoje, vemos na sociedade avançar um discurso de desmonte da universidade pública. Qual a importância do ensino público?

Larissa: A universidade pública é muito importante para garantir que pessoas pobres tenham acesso a um ensino gratuito. Entretanto, no momento, a universidade serve bastante à elite brasileira e é necessário pensar em soluções para tornar o ensino mais democrático.

Qual a importância de cotas para pessoas negras como política pública?

Larissa: Cotas são essenciais para solucionar a diferença histórica entre negros e brancos no Brasil. Quando ando nos corredores da minha faculdade, sou sempre uma das poucas pessoas negras e fica evidente o abismo social que existe entre mim e os meus colegas.

A universidade não é só branca, como também é muito elitista e faz a manutenção de privilégios brancos. Um exemplo disso é a quantidade de alunos, cujos pais e avós também estudaram na USP, mantendo sempre a mesma classe no poder.

Enquanto isso, eu sou uma das poucas pessoas da família que chegou ao ensino superior. Cotas também abrem o horizonte da universidade para outras realidades e torna o ensino mais democrático.

Como a engenharia pode contribuir para uma sociedade mais justa e solidária?

Larissa: A engenharia também é uma saída política, e não é à toa que a crise política e financeira no Brasil esbarra na construção civil. Se a graduação preparar os alunos para produzir um conteúdo técnico mais humanizado, a engenharia pode ser uma forma de gerar mudança social, por meio da mobilidade urbana principalmente e também de garantir profissionais que se preocupem mais com a sociedade.

Quantas pessoas negras existem na sua turma de engenharia? Existem iniciativas na universidade para ampliar a entrada de pessoas negras nas universidades como alunos? E os professores na USP, existem negros?

Larissa: No meu ano de ingressante, havia três pessoas negras na sala contando comigo. Depois do primeiro ano, as salas se diluem com a divisão dos alunos em algumas turmas. Depois disso, eu costumo ser a única pessoa negra da sala.

Quanto aos professores, dos mais de 400 docentes da Poli, eu conheço três professores negros e só conheço por estar inserida nesse meio de militância.

Isso se reflete bastante nas poucas discussões políticas que os professores fazem. Um exemplo disso foi o debate sobre cotas. A Poli foi contra a aprovação em um cenário da USP, com apenas 3% dos professores são negros.

A atriz negra e vencedora do Emmy, Viola Davis, disse, em seu discurso: “A única coisa que diferencia as mulheres negras de qualquer outra é a oportunidade”. O que você pensa sobre isso e também sobre a meritocracia que alguns setores impõem?

Larissa: Eu concordo com a frase. Nós, mulheres negras, somos tão capazes quanto ou mais capazes que qualquer outra pessoa, mas estamos na camada mais baixa e negligenciada da sociedade.

Esse conceito de meritocracia é totalmente inválido quando é aplicado numa sociedade desigual como a nossa e, nesse contexto, é uma violência impor esse discurso a pessoas com contextos sociais tão desoladores. Para que possamos discutir a meritocracia, precisamos combater a origem dessa desigualdade.

Qual o seu sonho?

Larissa: Meu maior sonho no momento é me formar. Essa pergunta é difícil. Eu sempre sonhei em morar em Pinheiros, que é um bairro da Zona Oeste, em São Paulo. Queria morar lá e ir pro trabalho de bicicleta (risadas). Também queria muito também ter um trabalho que retornasse algo pra sociedade e ajudar outras pessoas pobres e negras.

*Camila Martins é jornalista da Fisenge.

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/larissa-moradora-da-periferia-e-politecnica-a-engenharia-na-poli-nao-tem-preocupacao-humana-professores-e-alunos-vivem-na-mesma-bolha-social.html