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A revelação de O assalto ao trem pagador: Eliezer Gomes no papel de Tião Medonho

Sobre o Filme “O Assalto ao Trem Pagador”

Por José Eugênio Guimarães

(…)

As tensões crescem entre os membros da quadrilha desde o momento da partilha. É quando se percebe, pela primeira vez, a presença de Eliezer Gomes, o intérprete de Tião Medonho. Preenche a tela e a banda de som com sua movimentação e voz. Fora, até então, mero funcionário público de 42 anos sem experiência na atuação. Oferece um desempenho afinado, poliédrico, insuperável. Pode passar de sujeito cordato (como normalmente aparenta ser), pai carinhoso e marido compreensivo a um vulcão prestes a explodir, violento, na imposição de sua ascendência sobre os demais. A ele pertence o filme. Tião garante o cumprimento da barreira dos 10% junto aos companheiros. Em princípio, não é algo difícil de fazer, graças ao seu poder de intimidação acrescido do fato de que todos são seus vizinhos, exceto Grilo. Este, branco, louro e de olhos azuis, mora em condições remediadas na Zona Sul do Rio. Por suas características, põe-se acima dos demais e gasta além das medidas acordadas, sem despertar suspeitas. O rompimento do acordo, baseado em critérios raciais, é explosivo. Expõe uma das principais fissuras, não só do bando mas da sociedade brasileira em sua conformação histórica. Negros e favelados estão, por suas próprias origens, condenados à marginalidade estrutural. Basicamente, estão impedidos de ascender. O assalto serve como metáfora para acirrar a realidade dessa impossibilidade prática. Inclusive pelo fato logo revelado acerca dos membros da quadrilha: não são bandidos na estrita acepção do termo. São homens marginalizados, acuados pela miséria, vítimas de uma situação que não podem individualmente solucionar por seus próprios méritos. O dinheiro não resolve o problema. Apenas queima dedos, gera desconforto, impõe a paranoia e desencadeia a violência.

As condições de vida na favela são chocantes. Crianças nuas e barrigudas, brincando próximas ao esgoto correndo sob céu aberto, são os aspectos mais evidentes. Também há o fantasma da morte, sempre presente. Pode-se morrer devido à violência ou por banais problemas de saúde. Cachaça — pequena e marcante interpretação de Grande Otelo —, membro da quadrilha sempre alcoolizado — para alegria dos guris —, encontra na bebida o refúgio para suportar a vil situação. De que vale o dinheiro que recebeu? Diante do féretro de um menor, pronuncia com cortante ênfase: “Quando morre uma criança na favela, todo mundo devia cantar, pois é menos um pra se criar nessa miséria”.

Grande Otelo no pequeno e marcante papel de Cachaça

Na exposição da cruel exclusão característica da estratificação social brasileira, O assalto ao trem pagador é um dos painéis mais fortes e contundentes. Explicita o alijamento econômico de amplos setores e seus prolongamentos lógicos nas esferas social, política e civil. Tião Medonho e os demais estão destituídos de todos os direitos básicos que comportam a cidadania. Disso são exemplares os tratamentos que recebem da polícia e dos jornalistas posicionados no papel de parceiros da investigação e repressão. Estão constantemente ameaçados. Têm os casebres invadidos e revirados por qualquer pretexto. Ao final, Zulmira (Maranhão) — já na condição de viúva de Tião Medonho — se desespera com o acintoso assédio de repórteres e investigadores. Diante dos filhos menores e assustados, responde à agressão com golpes de machado deferidos contra o guarda-roupa, no que revela significativa parte do dinheiro roubado.

Zulmira (Luiza Maranhão) e Tião Medonho (Eliezer Gomes)

A direção de Roberto Farias é exemplar, principalmente por manter o ritmo em tensão crescentemente acelerada e por tocar em mazelas sociais que expõem a cruel e original desigualdade brasileira. Dos dois lados do aparato legal a violência surge como forma conveniente de resolver conflitos. Tião Medonho procura manter os que lhe são próximos dentro de limites condizentes com o tolerável, para evitar suspeitas. Mesmo quando dialoga, está no limite da explosão violenta. São exemplares os momentos em que enquadra Cachaça — sempre falando demais devido à bebida —, Edgar — em decorrência da paranoia crescente de Margarida —, ou o sobrinho Miguel Gordinho (Ângelo) — que se torna, segundo a caracterização de um repórter, capitalista do morro por adquirir vários barracos para aluguel, com os quais explora acintosamente os mais necessitados. Tião também cumpre o trágico mandamento de matar, sem piedade, quem põe em risco a segurança dos demais. É exemplar o instante da execução do tio de Edgar: “Tu é o valente que não tem medo de homem, não é? Levanta que não mato homem sentado”. É uma das falas antológicas do cinema brasileira. Ou quando acerta as contas com o perdulário Grilo, momento em que se acirram as diferenças sociais e raciais em níveis raras vezes permitidos pela dissimulação brasileira — tão zelosa no ocultamento dessas questões. O personagem vivido por Reginaldo Faria, totalmente imobilizado, sabe que morrerá. Sem nada a perder, dispara: “Você tem inveja de mim, Tião. Você é feio. Eu sou branco e bonito. Seu destino é viver na favela. Eu tenho cara de ter carro, tenho olho azul e você tem cara de macaco”. Vêm à tona, com força, as permissões e interdições nacionais decretadas pela aparência, inclusive a cor da pele.

Veja o ensaio completo em:

http://cineugenio.blogspot.com.br/2016/02/roberto-farias-se-projeta-no-assalto-de.html

 

Eu Não Sou Seu NegroO roteiro não acabado de ‘Remember This House’, escrito por James Baldwin, está no cerne do documentário ‘Eu Não Sou Seu Negro’, indicado ao Oscar Foto: Magnolia Pictures/Divulgação

Finalmente, um roteiro de James Baldwin

Salamishah Tillet, The New York Times

“Nunca me vi como porta-voz”, disse James Baldwin uma vez numa entrevista. “Sou uma testemunha. Na igreja em que fui criado, você tinha de testemunhar a verdade. Hoje, pode-se perguntar o que seja a verdade, mas todos sabem o que é a mentira.”

Essa noção de testemunha – alguém que pode distinguir entre falsidade e fato, mito e verdade, cujo testemunho sobre o passado pode mudar o destino de outra pessoa – é um dos temas mais profundos da obra de James Baldwin. Mas ser ao mesmo tempo narrador e testemunha da complexa e tumultuada história dos Estados Unidos foi a sina e a maldição de Baldwin. Com frequência, isso significou tentar salvar uma nação da ruína racial num tempo em que seus amigos e ativistas de direitos humanos Medgar Evers, Malcolm X e o reverendo dr. Martin Luther King Jr. vinham sendo mortos.

 

O confronto de Baldwin com esse dilema está no cerne do novo documentário do cineasta Raoul Peck indicado para o Oscar, Eu não Sou seu Negro (I Am Not Your Negro), em parte baseado no manuscrito inacabado de Baldwin Remember This House, dado a Peck pela irmã do escritor, Gloria Karefa-Smart. Numa carta de 1979 a seu agente, Baldwin disse, referindo-se aos filhos de Evers, X e King, que o livro implicaria “expor-me como testemunha da vida e morte de seus pais famosos”. 

Já houve muitos documentários apresentando Baldwin como tema da história ou seu narrador, incluindo o filme I Heard It Through the Grapevine, de 1982, mas Eu não Sou seu Negro é o primeiro inteiramente moldado nas palavras do escritor. Daria para dizer que ele foi colaborador de Peck, e, de fato, Baldwin leva o crédito de único roteirista do filme, o que combina com a vida de um autor fascinado a vida toda por cinema.

Desse ponto de vista, o filme de Peck é “o acabamento, a coroação de todos esses documentários”, disse Richard Blint, pesquisador do Pratt Institute que vem trabalhando num projeto sobre Baldwin e o cinema americano.

O filme cobre os cinco anos nos quais os líderes citados foram assassinados, mas também reconta a história do longo século 20, e agora do 21, sob a lente das relações raciais americanas. Peck consegue isso usando filmagens raras de Baldwin dando entrevistas e discursando nos anos 1960 e, ainda mais impactante, ao revelar quão intimamente a tecnologia do cinema americano sempre esteve ligada à prática e às políticas de desigualdade racial dos Estados Unidos.

Do mesmo modo que Baldwin se locomove entre histórias pessoais e análise política em seus ensaios, Peck junta imagens de protestos pelos direitos civis dos anos 1960 a imagens dos recentes protestos de Ferguson e Baltimore; usa filmagens dos tumultos de Watts, em Los Angeles, de 1965, em meio a clipes hiperpatrióticos do filme promocional de 1960 The Land We Love; e alterna cenas de westerns exaltando Gary Cooper com extratos do debate de Baldwin em Oxford, no qual ele afirma, chocado: “Embora vocês torçam por Gary Cooper, os índios são vocês”. 

“Baldwin esteve comigo durante toda minha vida, minha vida consciente”, disse Peck numa entrevista. “É alguém sobre quem aprendi muito cedo, alguém que me formou, me ensinou a pensar, a desconstruir histórias, imagens e narrativas, e a quem usei a vida toda. Nunca foi para mim apenas um escritor – foi uma testemunha.”

O cineasta relembrou como a literatura de Baldwin afetou diretamente seu modo de ver as coisas quando sua família se mudou do Haiti para a República Democrática do Congo. Ele tinha então 8 anos. “Meu mundo imaginário era povoado por filmes americanos, a narrativa dominante para muita gente de todas as partes”, explicou. “Quando fui para o Congo, minha imagem da África era de selvagens correndo nas florestas e uns poucos brancos civilizados tentando ensiná-los a se tornarem seres humanos.”

Ele prosseguiu: “Mas no segundo em que pus os pés no aeroporto do Congo percebi que eram histórias totalmente falsas, não batiam com o que eu estava vendo e sentindo. Essa capacidade e privilégio de não apenas viver o momento, mas se distanciar e analisar o que está acontecendo, encontrei na obra de Baldwin”.

I Am Not Your NegroJames Baldwin é tema e roteirista do documentário ‘I Am Not Your Negro’, de Raoul Peck Foto: Magnolia Pictures/Divulgação

Peck investiu fortemente em The Devil Finds Work, um longo ensaio de 1976 no qual Baldwin explora seu íntimo e vexatório relacionamento como espectador, crítico e, às vezes, criador do cinema americano. “Sou fascinado pelo movimento na tela e fora dela”, declarou Baldwin; e compartilhou o fascínio que sentiu aos 7 anos pelas “costas retas e solitárias” de Joan Crawford em Quando o Mundo Dança. Entretanto, por mais que o jovem Baldwin tenha sido seduzido pelo poder de Hollywood, seu eu mais velho procurou, através da escrita, expor as fantasias raciais e os estereótipos racistas que a indústria cinematográfica construíra e eram interminavelmente reproduzidos através do mundo. 

Lembrando filmes que tinham interpretações estereotipadas de Mantan Moreland, Willie Best, Lincoln Perry (também conhecido como Stepin Fetchit) e outros atores afro-americanos, Baldwin escreveu: “Parecia que eles mentiam sobre o mundo que eu conhecia, rebaixando-o; eu, até onde soubesse, com certeza não conhecia ninguém como eles”.

Baldwin os comparou a atores como Ethel Waters, Paul Robson e especialmente Sidney Poitier, cujos desempenhos frequentemente “iam além dos limites do roteiro” e proporcionavam representações mais realistas da vida dos negros, “inseridas como contrabando em histórias patéticas”.

Dar o crédito de roteirista a Baldwin em Eu não Sou seu Negro é algo de que ele certamente teria gostado. Apesar de sua visão crítica de Hollywood, Baldwin mudou-se para Los Angeles em 1968 para escrever um roteiro sobre Malcolm X. A experiência foi frustrante. As relações do escritor com a Columbia Pictures ficaram tão tensas depois que o estúdio contratou Arnold Perl para reescrever grandes partes do roteiro que Baldwin abandonou o projeto.

Mais tarde, ele refletiu: “A experiência permaneceu muito dolorosa em minha mente e acabou me dando uma visão da área sombria da vida americana”. Baldwin publicaria seu roteiro como One Day When I Was Lost em 1972, mas a versão de Perl foi vendida para a Warner Bros. e eventualmente se tornou a base para o filme biográfico (biopic) de Spike Lee de 1992 Malcolm X. Mantendo-se no espírito de Baldwin de rejeição desse roteiro, os herdeiros de Baldwin recusaram-se a pôr seu nome nos créditos do filme. 

“O roteiro de Baldwin mudou o gênero biopic”, disse Brian Norman, professor de inglês na Universidade Loyola de Maryland, que escreveu sobre o script. “Ele deu uma visão estranhamente desconectada, não cronológica, de Malcolm X reinventando-se ininterruptamente, sempre presente e sempre relevante.”

E esse é um dos grandes presentes que o filme de Peck dá a Baldwin e às plateias contemporâneas: Eu não Sou seu Negro visa a aproximar a estética de Baldwin e sua sensibilidade crítica do formato cinematográfico. O resultado é ao mesmo tempo uma profunda reflexão sobre a visão de Baldwin e uma meta-história dos filmes americanos, exigindo que, como testemunhas, optemos por acabar com o racismo americano ou sermos engolidos por ele. /Tradução de Roberto Muniz.

http://alias.estadao.com.br/noticias/geral,finalmente-um-roteiro-de-james-baldwin,70001661475

 

 

Um filme de dança (2013), de Carmen Luz

Um filme de dança (2013), de Carmen Luz

Diretoras Negras do Cinema Brasileiro

Com curadoria de Kênia Freitas e Paulo Ricardo de Almeida, a mostra percorre trabalhos desde as pioneiras Adélia Sampaio e Danddara, até nomes contemporâneos, como Carol Rodrigues, Elen Linth, Juliana Vicente, Lilian Solá Santiago, Renata Martins, Sabrina Fidalgo, Viviane Ferreira, Yasmin Thayná, entre outras. Dentre os destaques selecionados, estão Amor Maldito (1984), de Adélia Sampaio; Gurufim na Mangueira (2000), de Danddara; Graffiti (2008), de Lilian Solá Santiago; Cores e Botas (2010), de Juliana Vicente; Um filme de Dança (2013), de Carmen Luz; O Dia de Jerusa (2014), de Viviane Ferreira; Kbela (2015), de Yasmin Thayná; Rainha (2016), de Sabrina Fidalgo; e Maria (2017), de Elen Linth e Riane Nascimento.  

 

Considerada pioneira, Adélia Sampaio começou no cinema em 1969. Filha de empregada doméstica, a cineasta dirigiu quatro curtas metragens: Denúncia VaziaUm Deus dança em MimAdulto não brinca e Na poeira das ruas. Em 1984, Adélia dirigiu o filme Amor Maldito, tornando-se a primeira diretora negra a dirigir um longa-metragem no Brasil. Além disso, a produção também é considerada a primeira com temática inteiramente lésbica no cinema nacional.

Nos anos 1990, a realidade do cinema feminino negro no Brasil pouco se alterou. Danddara, umas das resistências do período, ingressou no cinema profissional fazendo assistência para Paulo Rufino (Canto da Terra, 1991). No entanto, seu primeiro curta, Gurufim na Mangueira (2000), foi recusado três vezes pelo Ministério da Cultura antes de ser aprovado. Ainda assim, a diretora usou de diversos subterfúgios para driblar o racismo institucional, como assinar o projeto com um pseudônimo francês (Mônica Behague) e relevar para segundo plano a sua autoria do roteiro.

“Falar das trajetórias das mulheres negras no cinema brasileiro é remontar uma história de invisibilidade e apagamentos. Até por isso, o que é impactante na produção atual é a sua coletividade e a pluralidade de projetos e obras. Uma série de iniciativas das próprias cineastas marcam esse cenário de transformação e afirmação, propondo novas formas de viabilizar e divulgar o cinema feito pelas mulheres negras. Entre tantas, podemos destacar: a plataforma de exibição online Afroflix (www.afroflix.com.br/), criada por Yasmin Thayná, e a websérie Empoderadas, criada e dirigida por Renata Martins, que se desdobrou em encontro e festival de cinema feminino negro” destaca a curadora Kênia Freitas.

“Houve o barateamento dos equipamentos de produção, sobretudo com a entrada em cena do digital, que aumentou o acesso a uma arte (ainda cara) para um número maior e mais diverso de realizadores. O estabelecimento do sistema de cotas nas universidades públicas, assim como o ProUni e o Fies, trouxe para o ensino superior – incluindo os cursos cinema e audiovisual – alunos e alunas pobres e negros, antes excluídos. A abertura de uma linha de financiamento específica na Ancine para afrodescendentes significa o reconhecimento da falta de diversidade pela instância máxima de fomento do cinema brasileiro”, complementa o também curador Paulo Ricardo de Almeida.

Sessão inclusiva e debates:

No dia 09 de dezembro (sábado), às 17h30, haverá sessão inclusiva do filme Leva (2011), de Juliana Vicente e Luiza Marques, com audiodescrição e closed captions, para pessoas com necessidades especiais.

Fazem parte da programação, ainda, duas mesas de debates. No dia 07 de dezembro (quinta), às 19h, a mesa O percurso das diretoras negras no cinema brasileiro recebe as cineastas Adélia Sampaio e Sabrina Fidalgo, com mediação da curadora e doutora em Comunicação e Cultura, Kênia Freitas. Este debate terá tradução em Libras.

Já no dia 14 de dezembro (quinta), também às 19h, será realizada a mesa Perspectivas e transformações: a mulher negra no cinema nacional, da qual participam as cineastas Janaína Oliveira (Re.Fem) e Yasmin Thayná, com mediação do co-curador Paulo Ricardo.

A entrada para ambos os seminários é franca, com ingressos distribuídos 1h antes do início.

Programação:
5 de dezembro (terça-feira)
17h – Sandrine (2014), de Elen Linth e Leandro Rodrigues, Brasil, 12 min, DVD, 16 anos
Muros (2015), de Elen Linth, Brasil, 14 min, DVD, 16 anos
Entre Passos (2012), de Elen Linth, Brasil, 10 min, DVD, 16 anos
Pra se contar uma história (2013), de Elen Linth, Diego Jesus, Lucicleide Cruz e Leandro Rodrigues, Brasil, 25 min, DVD, livre
O filme que fiz para esquecer (2012), de Elen Linth, Brasil, 2 min, DVD, livre
Maria (2017), de Elen Linth e Riane Nascimento, Brasil, 17 min, DVD, 12 anos
19h – Um filme de dança (2013), de Carmen Luz, Brasil, 90 min, DVD, livre
6 de dezembro (quarta-feira)
17h – Lápis de Cor (2013), de Larissa Fulana de Tal, Brasil, 14 min, DVD, livre
Cinzas (2015), de Larissa Fulana de Tal, Brasil, 15 min, DVD, 12 anos
O tempo dos orixás (2014), de Eliciana Nascimento, Brasil, 20 min, DVD, livre
A Boneca e o Silêncio (2015), de Carol Rodrigues, Brasil, 19 min, DVD, 16 anos
Assim (2013), de Keila Serruya, Brasil, 14 min, DVD, 12 anos
19h – Das Raízes às Pontas (2016), de Flora Egécia, Brasil, 20 min, DVD, livre
Mucamas (2015), do Coletivo Nós, Madalenas, Brasil, 15 min, DVD, livre
Mulheres de Barro (2015), de Edileuza Penha de Souza, Brasil, 26 min, DVD, livre
Conflitos e Abismos, A Expressão da Condição Humana (2014), de Everlane Moraes, Brasil, 15 min, DVD, 14 anos
7 de dezembro (quinta-feira)
15h15 – Gurufim na Mangueira (2000), de Danddara, Brasil, 26 min, DVD, 12 anos
Amor maldito (1984), de Adélia Sampaio, Brasil, 76 min, DVD, 16 anos
17h30 – Cinema Mudo (2012), de Sabrina Fidalgo, Brasil, 15 min, DVD, 14 anos
Personal Vivator (2014), de Sabrina Fidalgo, Brasil, 22 min, DVD, 12 anos
Rainha (2016), de Sabrina Fidalgo, Brasil, 30 min, DVD, 12 anos
19h – Seminário O percurso das diretoras negras no cinema brasileiro, com Adélia Sampaio e Sabrina Fidalgo. Mediação de Kênia Freitas.
8 de dezembro (sexta-feira)
17h30 – Black Berlim (2009), de Sabrina Fidalgo, Brasil e Alemanha, 12 min, DVD, 12 anos
Rio Encantado (2014), de Sabrina Fidalgo, Brasil, 55 min, DVD, livre
19h – Balé de Pé no Chão – A Dança Afro de Mercedes Baptista (2005), de Lilian Solá Santiago e Marianna Monteiro, Brasil, 17 min, DVD, livre
Graffitti (2008), de Lilian Solá Santiago, Brasil, 10 min, DVD, 10 anos
Eu tenho a palavra (2010), de Lilian Solá Santiago, Brasil, 26 min, DVD, livre
Batuque de Graxa (2012), de Lilian Solá Santiago, Brasil, 5 min, DVD, livre
Mulheres Bordadas – Fios do Passado (2005), de Lilian Solá Santiago, Brasil, 10 min, DVD, livre

Heitor, Carioca dos Prazeres (2013), de Tatyana dos Prazeres.

Heitor, Carioca dos Prazeres (2013), de Tatyana dos Prazeres.
9 de dezembro (sábado)
15h45 – Aquém das Nuvens (2010), de Renata Martins, Brasil, 18 min, DVD, 12 anos
Heitor, Carioca dos Prazeres (2013), de Tatyana dos Prazeres, Brasil, 14 min, DVD, livre
Doido Lelé (2008), de Ceci Alves, Brasil, 17 min, DVD, livre
Rap de Saia (2006), de Janaína Oliveira Re.Fem e Queen, Brasil, 18 min, DVD, 14 anos
A Rua – O Corpo Urbano (2016), de Keila Serruya, Brasil, 10 min, DVD, livre
17h30 –  Sessão inclusiva (audiodescrição + closed captions)
Leva (2011), de Juliana Vicente e Luiza Marques, Brasil, 55 min, DVD, livre
19h – Cores e Botas (2010), de Juliana Vicente, Brasil, 16 min, DVD, livre
Tupã Baê (2011), de Juliana Vicente e Lucas Rached, Brasil, 11 min, DVD, livre
O Olho e o Zarolho (2013), de Juliana Vicente e René Guerra, Brasil, 17 min, DVD, livre
As Minas do Rap (2015), de Juliana Vicente, Brasil, 14 min, DVD, livre
10 de dezembro (domingo)
16h – Peregrinação (2014), de Viviane Ferreira, Brasil, 50 min, DVD, livre
17h30 – Mumbi 7 Cenas Pós Burkina (2010), de Viviane Ferreira, Brasil, 7 min, DVD, livre
Dê Sua Ideia, Debata (2008), de Viviane Ferreira, Brasil, 28 min, DVD, livre
O Dia de Jerusa (2014), de Viviane Ferreira, Brasil, 20 min, DVD, livre
19h – Kbela (2015), de Yasmin Thayná, 23 min, DVD, 12 anos
Sexy Trash (2014), de Tainá Rei, 2 min, DVD, 12 anos
Cinema de Preto (2004), de Danddara, 11 min, DVD, livre
Quijauá (2016), do Coletivo Revisitando Zózimo Bulbul + Mulheres de Pedra, 6 min, DVD, 14 anos
12 de dezembro (terça-feira)
17h – Black Berlim (2009), de Sabrina Fidalgo, Brasil e Alemanha, 12 min, DVD, 12 anos
Rio Encantado (2014), de Sabrina Fidalgo, Brasil, 55 min, DVD, livre
19h – Mumbi 7 Cenas Pós Burkina (2010), de Viviane Ferreira, Brasil, 7 min, DVD, livre
Dê Sua Ideia, Debata (2008), de Viviane Ferreira, Brasil, 28 min, DVD, livre
O Dia de Jerusa (2014), de Viviane Ferreira, Brasil, 20 min, DVD, livre
13 de dezembro (quarta-feira)
17h30 – Balé de Pé no Chão – A Dança Afro de Mercedes Baptista (2005), de Lilian Solá Santiago e Marianna Monteiro, Brasil, 17 min, DVD, livre
Graffitti (2008), de Lilian Solá Santiago, Brasil, 10 min, DVD, 10 anos
Eu tenho a palavra (2010), de Lilian Solá Santiago, Brasil, 26 min, DVD, livre
Batuque de Graxa (2012), de Lilian Solá Santiago, Brasil, 5 min, DVD, livre
Mulheres Bordadas – Fios do Passado (2005), de Lilian Solá Santiago, Brasil, 10 min, DVD, livre
19h – Leva (2011), de Juliana Vicente e Luiza Marques,  Brasil, 55 min, DVD, livre
14 de dezembro (quinta-feira)
16h15 – Aquém das Nuvens (2010), de Renata Martins, Brasil, 18 min, DVD, 12 anos
Heitor, Carioca dos Prazeres (2013), de Tatyana dos Prazeres, Brasil, 14 min, DVD, livre
Doido Lelé (2008), de Ceci Alves, Brasil, 17 min, DVD, livre
Rap de Saia (2006), de Janaína Oliveira Re.Fem e Queen, Brasil, 18 min, DVD, 14 anos
A Rua – O Corpo Urbano (2016), de Keila Serruya, Brasil, 10 min, DVD, livre
18h – Kbela (2015), de Yasmin Thayná, 23 min, DVD, 12 anos
Sexy Trash (2014), de Tainá Rei, 2 min, DVD, 12 anos
Cinema de Preto (2004), de Danddara, 11 min, DVD, livre
Quijauá (2016), do Coletivo Revisitando Zózimo Bulbul + Mulheres de Pedra, 6 min, DVD, 14 anos
19h – Seminário Perspectivas e transformações: a mulher negra no cinema nacional, com Yasmin Thayná, Janaína Oliveira, Re.Fem. Mediação: Paulo Ricardo Gonçalves de Almeida.
15 de dezembro (sexta-feira)
17h30 – Cores e Botas (2010), de Juliana Vicente, Brasil, 16 min, DVD, livre
Tupã Baê (2011), de Juliana Vicente e Lucas Rached, Brasil, 11 min, DVD, livre
O Olho e o Zarolho (2013), de Juliana Vicente e René Guerra, Brasil, 17 min, DVD, livre
As Minas do Rap (2015), de Juliana Vicente, Brasil, 14 min, DVD, livre
19h – Peregrinação (2014), de Viviane Ferreira, Brasil, 50 min, DVD, livre
16 de dezembro (sábado)
15h – Sandrine (2014), de Elen Linth e Leandro Rodrigues, Brasil, 12 min, DVD, 16 anos
Muros (2015), de Elen Linth, Brasil, 14 min, DVD, 16 anos
Entre Passos (2012), de Elen Linth, Brasil, 10 min, DVD, 16 anos
Pra se contar uma história (2013), de Elen Linth, Diego Jesus, Lucicleide Cruz e Leandro Rodrigues, Brasil, 25 min, DVD, livre
O filme que fiz para esquecer (2012), de Elen Linth, Brasil, 2 min, DVD, livre
Maria (2017), de Elen Linth e Riane Nascimento, Brasil, 17 min, DVD, 12 anos
17h – Um Filme de Dança (2013), de Carmen Luz, Brasil, 90 min, DVD, livre
19h – Lápis de Cor (2013), de Larissa Fulana de Tal, Brasil, 14 min, DVD, livre
Cinzas (2015), de Larissa Fulana de Tal, Brasil, 15 min, DVD, 12 anos
O tempo dos orixás (2014), de Eliciana Nascimento, Brasil, 20 min, DVD, livre
A Boneca e o Silêncio (2015), de Carol Rodrigues, Brasil, 19 min, DVD, 16 anos
Assim (2013), de Keila Serruya, Brasil, 14 min, DVD, 12 anos

 

17 de dezembro (domingo)
15h – Das Raízes às Pontas (2016), de Flora Egécia, Brasil, 20 min, DVD, livre
Mucamas (2015), do Coletivo Nós, Madalenas, Brasil, 15 min, DVD, livre
Mulheres de Barro (2015), de Edileuza Penha de Souza, Brasil, 26 min, DVD, livre
Conflitos e Abismos, A Expressão da Condição Humana (2014), de Everlane Moraes, Brasil, 15 min, DVD, 14 anos
17h – Gurufim na Mangueira (2000), de Danddara, Brasil, 26 min, DVD, 12 anos
Amor maldito (1984), de Adélia Sampaio, Brasil, 76 min, DVD, 16 anos
19h – Cinema Mudo (2012), de Sabrina Fidalgo, Brasil, 15 min, DVD, 14 anos
Personal Vivator (2014), de Sabrina Fidalgo, Brasil, 22 min, DVD, 12 anos
Rainha (2016), de Sabrina Fidalgo, Brasil, 30 min, DVD, 12 anos
Serviço:
Mostra Diretoras Negras do Cinema Brasileiro 
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Cinema 2
EndereçoAv. Almirante Barroso, 25, Centro (Metrô e VLT: Estação Carioca)
Telefone: (21) 3980-3815
Data: de 5 a 17 de dezembro de 2017 (terça-feira a domingo)
Horários: Consultar programação
Ingressos: R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (meia). Além dos casos previstos em lei, clientes CAIXA pagam meia.
Lotação: 80 lugares (mais dois para cadeirantes)
Bilheteria: de terça-feira a domingo, das 13h às 20h
Classificação Indicativa: Consultar programação
Acesso para pessoas com deficiência
Patrocínio: Caixa Econômica Federal e Governo Federal
Assessoria de Imprensa:
Roberta Mattoso – imprensa@romainpress.com.br
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O QUE A POLÊMICA SOBRE O FILME “VAZANTE”

NOS ENSINA SOBRE FRAGILIDADE BRANCA

Por Ana Maria Gonçalves*

Primeiro trabalho solo de Daniela Thomas, “Vazante”, que entrou em cartaz há uma semana, no dia 9 de novembro, foi vendido pela imprensa como um retrato da escravidão no país — mas não é o que entrega. O filme tem o mérito de provocar a conversa sobre a representação histórica da escravidão e de povos escravizados no cinema, mas também é uma obra de brancos para brancos, que está longe de se inserir na cinematografia brasileira como algo que vá muito além disso ao tratar do assunto em questão.

Assisti a “Vazante” para participar do programa da TV Globo “Conversa com Pedro Bial” junto  com a diretora do filme e o cineasta Joel Zito Araújo. Durante o programa, Daniela explica que o filme nasceu a partir de uma história que vem sendo contada há décadas em sua família: a de um parente de 50 anos que se casou com uma menina de doze. O episódio, bem retratado em “Vazante”, aconteceu no início do século XX, mas Daniela escolheu recuar 100 anos e contá-la como se tivesse se passado em 1821.

 A escravidão vira mera moldura, plano de fundo, com personagens negros sem voz, sem nome.

E é aí que, para mim, começa o grande problema: no filme, a escravidão vira mera moldura, plano de fundo, com personagens negros sem voz, sem nome, sem profundidade, sem desenvolvimento, servindo de escadas para os personagens brancos.

Durante a preparação para a conversa na televisão, li muita coisa que já foi publicada sobre o filme e assisti aos vídeos do polêmico debate no Festival de Cinema de Brasília.

Durante o evento no Distrito Federal, Daniela se assustou com os questionamentos – porque julgava ter feito o dever de casa para tratar de tema ainda tão distante da realidade e do cotidiano da maioria da população branca do país.

É interessante comparar o que realmente aconteceu com a percepção e a reação de Daniela, expostas em artigo escrito por ela alguns dias após ao debate. Citado no texto da diretora, o crítico de cinema Juliano Gomes escreveu em resposta um excelente e preciso texto, no qual define como “fragilidade branca” o comportamento de pessoas brancas quando confrontadas com suas ideias em relação à escravidão negra e ao racismo.

Cena do filme "Vazante", de Daniela Thomas

Cena do filme “Vazante”, de Daniela Thomas (Distribuição: Europa Filmes).

 

Reprodução: Youtube

O conceito foi cunhado pela professora estadunidense Robin DiAngelo,que nasceu branca e pobre e cresceu consciente de como a opressão de classe influenciava sua vida, mas sem muita noção de seu privilégio de cor. Na vida acadêmica, DiAngelo resolveu analisar a própria experiência nos grupos com os quais conviveu e como essa vivência contribuía para perpetuar o racismo.

O resultado é um trabalho interessante, que DiAngelo aprimorou durante os cursos em que fala de racismo e branquitude para plateias majoritariamente brancas. Vale a pena acompanhar também o caso da estudante canadense que está sendo acusada de “racismo reverso” e sofrendo um processo disciplinar em sua universidade por ter usado a expressão “fragilidade branca” em um post de Facebook.

Achei oportuno escrever sobre esse conceito porque também tenho pensado bastante nele ultimamente. Tenho feito palestras e ministrado cursos sobre racismo para plateias majoritariamente – e, às vezes, exclusivamente – brancas, e detectado comportamentos que se encaixam perfeitamente em sua descrição.

As consequências de um ambiente isolado de estresse racial

Segundo DiAngelo, “pessoas brancas vivem em um ambiente social que as protege e isola do estresse racial”. Este ambiente isolado (mediado por classe, instituições, representação cultural, mídia, livros, propaganda, discursos dominantes etc…) constrói a expectativa dos brancos de se manterem dentro de uma zona de conforto racial, ao mesmo tempo em que diminui a capacidade de tolerância ao estresse causado pelo assunto, levando à fragilidade branca.

Nesse estado, a mínima quantidade de estresse se torna intolerável, provocando uma série de atitudes defensivas, que incluem demonstrações de raiva, medo e culpa, e comportamentos como silenciamento e afastamento da situação que causou o estresse. Isto funciona para restabelecer o equilíbrio racial branco que, por sua vez, pode levar a um isolamento e uma proteção ainda maiores, que voltam a provocar o estresse quando acontece um novo confronto com o tema. Ou seja, um ciclo vicioso que impossibilita o diálogo aberto e honesto e mantém o status quo.

DiAngelo cita algumas situações que costumam provocar reações típicas dessa fragilidade branca:

Quando se sugere que o ponto de vista de uma pessoa branca também é moldado por referências racializadas – ou seja, quando alguém lembra de mencionar que branco também é raça, e não um padrão a partir do qual apenas as pessoas não brancas são racializadas.

Quando pessoas negras não querem compartilhar suas histórias ou responder questões sobre suas experiências raciais – pessoas brancas muitas vezes esperam que pessoas negras estejam sempre dispostas a educá-las em relação a assuntos raciais, sentindo-se frustradas ou “desobedecidas” quando isso não acontece.

Quando pessoas negras afirmam a importância de fazerem parte de um grupo – ao se negarem a abrir mão de uma identidade negra que as insere em um determinado grupo, em nome de demandas que lhe são caras e específicas, pessoas negras desafiam o individualismo liberal.

Quando pessoas negras salientam o acesso desigual a oportunidades, desafiando o conceito de meritocracia tão caro a pessoas brancas que acreditam que todos podem conseguir o que quiserem, desde que se esforcem.

Quando pessoas negras estão em posição de liderança ou de destaque — tanto no ambiente profissional quanto social ou cultural (em papéis centrais e não estereotipados em filmes, por exemplo) –, desafiando a ideia de centralidade e/ou liderança brancas.

O conceito de fragilidade branca também pode ser aplicado a outras questões, como fragilidade hétero ou masculinidade frágil, por exemplo.

DiAngelo enumera ainda outras situações em seu artigo, sendo que muitas podem ser facilmente observadas e identificadas em experiências cotidianas. É interessante observar que o conceito de fragilidade branca também pode ser aplicado a outras questões, como fragilidade hétero ou masculinidade frágil, por exemplo.

Ao mesmo tempo em que a reação conservadora é cada vez mais violenta ao avanço e ao não silenciamento das minorias, consigo ver o cenário atual com um pouco de otimismo: há rachaduras nas bolhas que envolvem as zonas de conforto, e o que antes parecia rigidamente estabelecido está sendo exposto com todas as suas fragilidades. O que agora pode ser apenas rachadura há de se tornar ruptura, porque nada volta a se recompor do jeito que era antes. Aos que estão atentos e dispostos a fazer o movimento: o desconforto é bom. É o que nos faz avançar.

https://theintercept.com/2017/11/16/o-que-a-polemica-sobre-o-filme-vazante-nos-ensina-sobre-fragilidade-branca/

O que tu indica? | Afroflix, uma plataforma de vídeos onde a gente negra se vê

No Afroflix, pode-se encontrar conteúdos audiovisuais com participação de gente negra

Mariana Reis*, no Brasil de Fato | Recife (PE), 03 de Agosto de 2017

Quantos filmes, séries, programas de televisão ou novelas você conhece com participação de negras e negros, seja como atrizes, atores… diretores, então, nem se fala!

Por isso, se você, além de ver TV, costuma assistir vídeos também pela Internet – como, por exemplo, via Youtube, ou serviços pagos como o Netflix –, uma dica interessante é conhecer o Afroflix, uma plataforma digital, colaborativa e gratuita criada pela cineasta baiana Yasmin Thayná, diretora de KBELA, O Filme (2015).

No Afroflix, pode-se encontrar conteúdos audiovisuais com participação de gente negra, seja no trabalho técnico ou artístico.

Isso quer dizer que, para a indicação de materiais, basta que a produção tenha a participação de, pelo menos, uma pessoa negra escrevendo o roteiro, protagonizando as histórias ou assinando a direção.

Além disso, qualquer pessoa pode se inscrever para participar ou indicar conteúdos para circulação online na plataforma, exclusiva para produções nacionais.

Hoje, estão disponíveis para assistir cerca de 100 materiais, entre documentários, ficções, webséries, vlogs, vídeoclipes, vídeos experimentais, entre outros produtos.

O objetivo do Afroflix é contribuir para que esses trabalhos circulem mais, sejam mais conhecidos, e também para que o povo afrobrasileiro – cerca de 53% da população, segundo dados do IBGE de 2016 – se sinta um bocadinho mais representado.

A ideia é fugir do óbvio, dando vez e voz pra quem faz cinema de uma forma diferente.

Assim, certamente você não vai encontrar lá os mesmos filmes que encontraria, por exemplo, numa sala de cinema de shopping ou numa TV comercial.

A perspectiva é justamente visibilizar o que a gente tem pouco acesso, rompendo com o lugar comum, que é o de perpetuar o imaginário sobre o povo negro sempre em segundo plano (quando aparecem, muitas vezes são representados como escravos, criminosos, etc).

E você, já conhecia o Afroflix? Tem algum filme da/do vizinha/o, amiga/o, namorada/o, pra indicar? E que tal fazer seu próprio filme? Acessa aí: http://www.afroflix.com.br e prepara a pipoca!

* Mariana Reis é jornalista e doutoranda na UFPE

Edição: Monyse Ravena

http://www.viomundo.com.br/politica/no-ar-o-afroflix-plataforma-onde-a-gente-negra-brasileira-se-ve.html

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Racistas reagem a Oscar para “negro, gay e maconheiro”

Por Eduardo Guimarães

 

Um dos blogueiros da Veja postou no Twitter um comentário sobre o vencedor do Oscar em 2017 – Moonlight: sob a luz do luar – que muitos estão considerando racista, por razões óbvias.

O comentário infeliz desse indivíduo se conecta a uma questão que muitos desconhecem…

Havia uma disputa maior na entrega do Oscar deste ano. Uma das produções candidatas a melhor filme era sobre um “gay, negro e maconheiro” arrastado para o lado errado pelas vicissitudes da vida; o adversário era um romance hiper açucarado protagonizado por uma bela loirinha de olhos claros.

Na segunda-feira, a Folha de São Paulo destacava o que chamou de “Oscar negro”. Foi ridículo. Se uma produção de brancos ganhasse o Oscar de melhor filme haveria matéria chamando a premiação em 2017 de “Oscar branco”?

Esse tipo de diferenciação é uma forma de preconceito e de desqualificação de uma etnia.

Em sete minutos, porém, os dois longas ganharam o Oscar de melhor filme. E esse episódio bizarro, que empanou a vitória de Moonlight sobre La la land, pode até não ter nada que ver com a disputa, mas nunca antes na história da Academia norte-americana de cinema ocorrera coisa igual.

Eis o que houve.

Fred Berger era o terceiro produtor de La la land a discursar quando a confusão começou. A estatueta não pertencia a ele e à sua equipe, como os atores Faye Dunaway e Warren Beatty haviam anunciado. O melhor longa-metragem da edição 2017 do Oscar, na noite de domingo, era Moonlight: sob a luz do luar, de Barry Jenkins.

A empresa PricewaterhouseCoopers (PwC), que audita a cerimônia do Oscar, assumiu a culpa, por meio de um comunicado. “Os apresentadores receberam o envelope da categoria errada. Quando descobrimos, isso foi imediatamente corrigido”, dizia o texto.

A atriz Jessica Chastain escreveu no Twitter, imediatamente: “Por que os produtores do show não correram para o palco quando o vencedor errado foi anunciado? Estou muito triste pela equipe de Moonlight. Gostaria que eles tivessem a experiência completa de ganhar o prêmio de melhor filme sem tanto constrangimento”.

Essa discussão sobre os méritos de Moonlight se espalhou ao menos pela elite de São Paulo. A turma do andar de cima fica enraivecida quando negros sobressaem e não engoliu a supremacia de um negro sobre a loirinha ideal.

O blogueiro da Veja apenas vocalizou discussão que vinha se dando nos salões dos ricaços paulistanos, enojados com a vitória da história de um “negro, gay e maconheiro” sobre o romance da personagem da estonteante Emma Stone”.

A forma calhorda desse sujeito de se referir a negros e homossexuais é um dos sintomas da ascensão do fascismo no Brasil.

Essa vergonha vai perdurar até que alguém mostre a essa gente que desqualificar o mérito de negros vencedores é incompatível com um país no qual negros e descendentes de negros são maioria.

http://www.blogdacidadania.com.br/2017/03/racistas-reagem-a-oscar-para-negro-gay-e-maconheiro/