Archives for posts with tag: Sociedade africana

Manu Dibango

Island Records ‎– ILPS 9526 – Originally released in 1976.
Manu Dibango ‎– Afrovision.
Bass – Vicky Edimo.
Drums – Claude Vamur.
Guitar – Bernard Torelli, Jerry Malekanle, Jo Tongo.
Marimba, Saxophone, Synthesizer, Vocals – Manu Dibango.
Percussion – Freddy Nkounkou.
Piano – Alex Francfort.

Anúncios

 

 

Rabat Kesha (ANC), Marcelino dos Santos (CONCP, FRELIMO), Amália Fonseca (CONCP, PAIGC), Nelson Mandela (ANC), Mário Pinto de Andrade (CONCP, MPLA) e Aquino de Bragança (CONCP) em Rabat, Marrocos, em 1962.

Rabat Kesha (ANC), Marcelino dos Santos (CONCP, FRELIMO), Amália Fonseca (CONCP, PAIGC), Nelson Mandela (ANC), Mário Pinto de Andrade (CONCP, MPLA) e Aquino de Bragança (CONCP) em Rabat, Marrocos, em 1962.

 

O valioso tempo dos maduros

 

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.

Tenho muito mais passado do que futuro.

Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.

As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam

poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.

Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.

Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,

cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir

assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.

‘As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’.

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,

minha alma tem pressa…

Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,

muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com

triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade,

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,

O essencial faz a vida valer a pena.

E para mim, basta o essencial!

 

Canção de Salabu

Nosso filho caçula

Mandaram-no pra S. Tomé

Não tinha documentos

Aiué!

 

Nosso filho chorou

Mamã enlouqueceu

Aiué!

 

Mandaram-no pra S. Tomé

Nosso filho partiu

Partiu no porão deles

Aiué!

 

Mandaram-no pra S. Tomé

Cortaram-lhe os cabelos

Não puderam amarrá-lo

Aiué!

 

Mandaram-no pra S. Tomé

Nosso filho está a pensar

Na sua terra, na sua casa

Mandaram-no trabalhar

Estão a mirá-lo, a mirá-lo

—Mamã, ele há-de voltar

Ah! A nossa sorte há-de virar

Aiué!

 

Mandaram-no pra S. Tomé

Nosso filho não voltou

A morte levou-o

Aiué!

Resultado de imagem para mario de andrade poeta angolano

Mario Pinto de Andrade

(1928-1990)

Nasceu em Ngolungo Alto (Angola). – 1929/1947: Estudos primário e secundário em Angola. – 1948: Viaja para Portugal; matricula-se no curso de Filologia Clássica da Faculdade de Letras de Lisboa. – 1949/52: Juntamente com Amílcar Cabral, Agostinho Neto, Francisco José Tenreiro e Alda Espírito Santo, na Casa dos Estudantes do Império, no Clube Marítimo e no Centro de Estudos Africanos promove atividades culturais visando a redescoberta de África. – 1953: Com Francisco José Tenreiro organiza o Caderno de Poesia Negra de Expressão Portuguesa. – 1954:

Vai viver em Paris. – 1955: Redactor da revista Présence Africaine, é também o responsável pela organização do I Congresso de Escritores e Artistas Negros; acabará por se formar em Sociologia, na Sorbonne. – 1960: Com a prisão de Agostinho Neto pela PIDE, Mário assume a presidência do recém fundado MOVIMENTO POPULAR DE LIBERTAÇÃO DE ANGOLA (MPLA); Mário como presidente e Viriato da Cruz como secretário-geral transferem a direcção do MPLA de Luanda para Conakry. – 1961: Após a independência do Congo Belga, Mário e Viriato transferem a direcção do MPLA para Leopoldville. – 1962: Mário entrega a presidência do MPLA a Agostinho Neto, que acabara de fugir de Portugal. – 1965/67: Mário coordena a Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas (CONCP). – 1973: É mandatado pelo Comitê de Coordenação Político-Militar do MPLA, para organizar os textos políticos de Amílcar Cabral. – 1974: Mário, com o seu irmão Joaquim funda a “Revolta Activa”, corrente que se opõe à liderança de Agostinho Neto no MPLA, exigindo a democratização do regime; os dois irmãos Pinto de Andrade e outros militantes são muito perseguidos e têm que abandonar Angola. – 1976/8:

Após a independência de Angola, Mário exila-se na Guiné-Bissau e ocupa o cargo de coordenador-geral do Conselho Nacional de Cultura. – 1978/80: Mário é o Ministro da Informação e Cultura da Guiné-Bissau. – 1980: Golpe de “Nino” Vieira na Guiné; Mário desloca-se para Cabo Verde. – Anos 80: Mário colabora na “História Geral da África” – 1990: A 26 de Agosto Mário falece em Londres.

 

Fonte:  http://www.vidaslusofonas.pt/mario_pinto_andrade.htm

Domingo é dia de Futebol!

Eritréia, 2016

Fonte:

Cecilia, pescadora de Cape Coast,

Gana, em foto de Francis Kokoroko

“A Negra de…”, visões anticolonialistas

Por Cloves Geraldo

 

Em filme em que jovem vê seu sonho de viver na França se tornar pesadelo, cineasta senegalês Ousmane Sembène discute o colonialismo.

Na idílica sequência deste “A Negra de…” em que a jovem senegalesa Diouana (Mbissine Thérèse Diop) caminha sobre a mureta diante de sofisticado prédio em bairro nobre de Dacar, capital do Senegal, seu namorado (Momar Nar Seme), temendo que ela se machuque, se apressa em fazê-la descer. Porém, o espectador logo percebe que a intenção do cineasta Ousmane Sembène (1923/2007) é chamar atenção para o risco de eles serem expulsos da área reservada apenas às famílias francesas.

Este risco demarca toda a narrativa, seja na amarga lembrança do colonizador francês no país (1638/1960), seja na própria França, onde Diouana, incentivada pela patroa (Anne-Marie Jelinek) e o companheiro desta (Robert Fontaine), aceita viver no balneário Antibes, na Côte d´Azur. O acordo era para, em vez de doméstica, ser babá dos três filhos pequenos do casal. O que supostamente lhe permitiria levar uma boa vida.

A visão deste paraíso foi construída pelas fotografias de Paris e leituras da revista de moda Elle, com suas criações e modelos deslumbrantes. E ela, mesmo em Dacar, já usava vestido branco com estampas pretas, sapatos altos, colar e enorme brinco em formato de flor, também brancos. Estar em Antibes era o coroamento deste fugaz estilo e modo de vida.

Diouana se torna escrava na França

Ela se encanta no início ao deixar o aeroporto no carro do patrão e ter um quarto só para ela num prédio de alta classe média, mas logo se vê presa ao cotidiano de faz tudo. Não à toa o colonialismo, e hoje o imperialismo, atraiu milhões de jovens (e não só eles), para seu estilo de vida e sua suposta equidade econômico-financeira de “oportunidade para todos” para, depois, torná-los mão-de-obra barata.

Para Diouana, a França se torna o quadrilátero da janela, de onde avista a praia cheia de banhistas e a rica cordilheira de prédios. Não tem folga, não sai à noite, não recebe salário e, além disso, a patroa a atormenta com seguidas tarefas e quando recebe visitas para jantar, lhe faz soporíferos elogios. Enquanto o patrão se mostra compreensível, cita seus direitos, paga-lhe o salário, mas não a libera para “interagir” com o povo francês.

Sembène não se furta em desbastar o modo como o colonialismo francês fez o colonizado africano sofrer sua dupla exploração: 1) Ao se apropriar do território dele, de suas riquezas e de sua mão de obra barata; 2) De valer-se da propaganda de seu estilo de vida para continuar a explorá-lo na própria França. Crias deste sistema, os patrões não dão a Diouana a chance de enviar sequer míseros francos a Dacar para sustentar a mãe e o irmão pequeno.

Diouana responde com a maldição

Os momentos de troca entre eles são raros. Salvo ao presentear os patrões com uma máscara africana. Tanto que sua reação à dupla exploração se dá através do silêncio, da negativa de atender a patroa, no que redunda em tragédia. Neste entreato, Sembène se vale de síntese para ligar a sequência da máscara ao desfecho do filme. É quando o Patrão tenta indenizar a mãe de Diouana, que se recusa a receber, e ele, ao ser cercado pelo namorado dela e seus vizinhos no aglomerado, foge.

Segue-se então o brilhante e longo plano sequência em que o irmão de Diouana (Ibrahima Boy), usando a máscara africana, o persegue pelas ruelas e a passarela do aglomerado. E o marxista Sembène transforma a morte dela na danação do patrão, demarcada pelas batidas de percussão acelerada, em meio à multidão, utilizando recurso estético-dramático noir (Casa de Bambu, 1955), de Samuel Fuller (1912/1997), para, num contexto político-ideológico, denunciar o duplo horror colonialista.

Sua estreia em longa-metragem, o filme foi exibido na França em plena ebulição da Nouvelle Vague, tendo o mesmo frescor de “Acossado” (1960), de Jean Luc Goddard (1930). Em preto e branco, ele contrasta as atitudes dos patrões e os ambientes em que vivem com a leveza e o equilíbrio da africana Diouana, mostrando-a serena, ainda que fragilizada. Contudo, ela é duplamente vítima, por não ter sido alfabetizada e depender do casal.

Filme de estreia mostra seu vigor

Diretor de 13 filmes e escritor de 10 livros, Sembène fez sua estreia, em 1963, com o curta-metragem “O Carroceiro”, em que trata dos temas que seriam desenvolvidos em sua carreira. Em estilo neorrealista, ele expõe a vida do carroceiro que circula por Dacar transportando passageiros e cargas, até cair na armadilha de um usuário. E vai parar numa área só permitida a franceses. E o policial, além de multá-lo, confisca sua carroça e ele fica sem dinheiro para sustentar o filho e a mulher.

Ambos integraram a Mostra Clássicos Africanos, que exibiu 23 filmes de 16 cineastas africanos, de 8 a 22/09/2016, no Palácio das Artes de Belo Horizonte. São filmes terceiro-mundistas, que exerceram forte influência nos debates político-ideológicos dos anos 60/70 sobre a luta contra os imperialismos europeu e estadunidense. E cineastas como Sembène e o brasileiro Glauber Rocha (1938/1981), de Leão de Sete Cabeças (1970). integravam o grupo cujos filmes ajudaram a refletir sobre aquela época.

Negra de… (La noire de…), Drama. Senegal/França. 1966, 60 minutos. Montagem: André Gaudier. Fotografia: Christian Lacoste. Roteiro/direção: Ousmane Sembène. Elenco: Mbissine Thérèse Diop, Anne-Marie Jelinek, Robert Fontaine.

http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=8065&id_coluna=13

”Élégante De La Nigéria” (1950),

cartão comercial com ilustração de uma mulher Igbo,

do álbum Africano do fabricante de chocolates Pupier

representando Nigéria-Togo-Camarões.

Empréstimos secretos do Credit Suisse a Moçambique

Por Jonathan Stevenson

O povo de Moçambique acaba de descobrir que o seu governo recebeu US$1,1 mil milhões de empréstimos secretos , não incluídos anteriormente nas contas públicas. Isto significa que a dívida total do país – já preocupantemente elevada – é 15% maior do que se pensava anteriormente. Trata-se de um grande escândalo político em Moçambique, mas tudo isto começou aqui no Reino Unido.

Os empréstimos foram efectuados em 2013 por dois bancos internacionais, o Credit Suisse e o VTB, a partir dos seus escritórios em Londres. Os pormenores dos empréstimos não foram tornados públicos e eles nunca foram aprovados pelo parlamento de Moçambique – em contravenção directa da constituição do país. Há agora pressão maciça em Moçambique para tornar público os responsáveis por este contracção ilegal de empréstimo – mas até agora os prestamistas estão a escapar a qualquer crítica.

Acreditamos que o povo de Moçambique nunca consentiu estes empréstimos e que em consequência é errado os bancos responsáveis pelo mesmos beneficiarem-se deles. Um banco que facilita empréstimos a países empobrecidos e que rompem as leis daquele país não deveria ter expectativa de ser reembolsado.

ACTUE: Diga por favor ao Credit Suisse e ao VTB para cancelarem as alegadas dívidas de Moçambique.

Moçambique já era um dos países centrais da campanha Nova Armadilha da Dívida (New Debt Trap). Sua economia foi duramente atingida no ano passado pela queda de preços de commodities como petróleo e carvão, a qual absorveu grande parte do rendimento de que precisa para reembolsar sua dívida agora de US$10 mil milhões. A divisa de Moçambique, o metical, perdeu 50% do seu valor desde o princípio de 2015, o que significa que o custo de alimentos básicos como o milho subiu para milhões de pessoas. E em Abril o país anunciou que mais de 1,5 milhão de pessoas estão a enfrentar insegurança alimentar devido a uma seca severa.

Os 70% de moçambicanos que vivem na pobreza não são responsáveis por esta crise, mas eles sofrerão o maior impacto. Enquanto o FMI, Banco Mundial e outros suspenderam empréstimos a Moçambique em consequência do escândalo, os que fazem campanha em Moçambique trabalham arduamente para responsabilizar o seu governo.

Contudo, o Credit Suisse e o VTB também arcam com uma parte da responsabilidade. Estes bancos aparentemente providenciaram os empréstimos sem assegurar que a lei moçambicana estava a ser cumprida e emprestaram o dinheiro para projectos militares que aumentariam o já alto fardo da dívida moçambicana e não têm possibilidade de gerar rendimento futuro com o qual os empréstimos possam ser reembolsados. Sejamos capazes de revelar o papel desempenhado por estes bancos na crise de Moçambique e pressionar por uma solução justa.

Em Junho, mais de 26 grupos da sociedade civil de todo Moçambique encontraram-se para discutir a crise e eles emitiram uma declaração clara: “Em defesa do bem comum e contra o contínuo empobrecimento do povo moçambicano, NÓS NÃO QUEREMOS, NÃO ACEITAMOS E NÃO PAGAREMOS estas dívidas ilegais”.

Diga por favor ao Credit Suisse e ao VTB para cancelarem a dívida de imediato.

Junto com nossos aliados em Moçambique, podemos revelar este escândalo dos empréstimos secretos e responsabilizar tanto os prestamistas como os tomadores do empréstimo.

[*] Da Jubilee Debt Campaign

Mais informação:
1. Mozambique’s secret loans: A scandal that started in London, 8 September 2016, jubileedebt.org.uk/blog/mozambiques-secret-loans-scandal-started-london
2. ‘It is unacceptable to pay illegal debts’, Position statement in relation to Mozambique’s debt crisis by 26 civil society groups in Mozambique, 13 June 2016,http://www.fmo.org.mz/documentos/Position-paper-Civil-Sociecty-Moz.pdf
3. U.K. Regulator Narrows In On Credit Suisse, VTB Role In Mozambique Debt Crisis, 4 June 2016, furtherafrica.com/…
4. Over 1.5 million Mozambicans face food insecurity caused by severe drought, 4 April 2016, www.mz.undp.org/…

http://resistir.info/africa/mocambique_09set16.html