Archives for posts with tag: Sociedade africana

Portrait of African Man with Jam Pot Hanging from Ear by Unknown Artist

Retrato de Homem Africano com alargador na Orelha
http://www.museumsyndicate.com/item.php?item=71077

 

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Togo e Portugal:

crónica do apoio a uma república da dinastia Gnassingbé

Um Estado democrático que se leva a sério não branqueia atentados contra a democracia e os direitos humanos para facilitar negócios.
Maria Manuel Rola

A 5 de outubro de 1990 o povo do Togo saiu para as ruas a exigir democracia e não parou de o fazer desde então. Os desenvolvimentos recentes das relações económicas entre Portugal e o Togo colocam-nos numa relação direta com um país numa crise política ancorada em exigências democráticas. E nós, o que dizemos?

Comecemos pelo início. O Togo tem vindo a ser presidido pela mesma família desde há 50 anos. Ninguém diria, por isso, que se trata de uma república popular que em 1992 adotou uma constituição que limita a dois os mandatos presidenciais de 5 anos cada, totalizando um máximo de 10 anos de manutenção da mesma pessoa como presidente. Neste sentido, nem Gnassingbé Eyadema poderia ter prosseguido no poder desde 1967 até 2005 – data da sua morte -, nem o seu filho poderia estar no poder desde 2005 até hoje contabilizando exatamente 12 anos de presidência.

A questão é que a constituição de 1992 se encontra suspensa, mesmo tendo havido um acordo internacional(link is external) em 2006 entre o governo togolês e os partidos da oposição. Este acordo, que deveria ter sido monitorizado, entre outros, pela União Europeia, previa a existência de eleições em 2007 e a aplicação da constituição de 1992. No entanto, só em 2015 houve eleições no Togo, o Presidente Faure Gnassingbé concorreu e a Comissão Europeia deu o aval à recandidatura, mesmo depois do acordo que deveria monitorizar estar em claro incumprimento.

A União Europeia falhou, o Presidente mantém-se e este ano dá-se o quinquagésimo aniversário da manutenção da dinastia Gnassingbé, as manifestações voltaram a cerca de 21 cidades no Togo(link is external)e a várias capitais internacionais onde cerca de 2 milhões de cidadãos e cidadãs do Togo vivem. Só em Londres, em 19 de agosto, juntaram-se cerca de 3.000 togoleses para reivindicar a aplicação da sua constituição, a possibilidade de voto para os emigrantes togoleses espalhados pelo mundo e a libertação dos presos políticos que o regime tem entretanto perseguido e prendido.

Bastariam as questões mais básicas de democracia para condenarmos qualquer inexistência de referência a esta questão pelos media e pelo Governo português. Mas este silêncio é tanto mais escandaloso quanto em julho de 2017 uma delegação portuguesa com a presença do atual Ministro dos Negócios Estrangeiros reuniu com o homólogo togolês(link is external) com vista ao aumento das exportações de produtos portugueses para o Togo, assim como ao apoio à formação e ao apoio técnico agrícola àquele país. Nesse mesmo mês, a TAP abriu 4 ligações aéreas para Lomé,(link is external) intensificando esta possibilidade de relação económica.

Num momento em que se discute precisamente a Agenda 2030, a sua importância e o papel de Portugal na prossecução da erradicação da pobreza e da garantia dos direitos humanos na promoção do desenvolvimento, causa perplexidade e preocupação que Portugal dê estes passos sem questionar minimamente a podridão política de um país com uma taxa de pobreza superior a 50% e um património assinalável na violação de direitos humanos do seu povo. Um Estado democrático que se leva a sério não branqueia atentados contra a democracia e os direitos humanos para facilitar negócios. Face a este silêncio tão cínico e tão cúmplice de Portugal, até frei Tomás mudaria a ordem da sua conhecida frase: “olha para o que faço, não olhes para o que digo.”    Fonte: http://www.esquerda.net/

“Quando os missionários chegaram, os africanos tinham a terra e os missionários a bíblia. Eles nos ensinaram a orar com os olhos fechados. Quando abrimos os olhos, eles possuíam a terra e nós tínhamos a bíblia.”

Jomo Kenyatta – Kênia

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Jomo Kenyatta é considerado o Pai-Fundador do Quenia.  Nascido a 20 de Outubro de 1894, faleceu em 22 de Agosto de 1978.  Foi primeiro-ministro (entre 1963 e 1964) e presidente (1964 – 1978) do Quênia. 

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Golpe no Zimbábue

Por Jaime Sautchuk*

 

Robert Mugabe era líder guerrilheiro no combate ao governo racista da antiga Rodésia, colônia britânica, hoje Zimbábue. Eu estava em Dar Es-Salam, capital da Tanzânia, que servia de ancoradouro aos movimentos de libertação da África Austral (inclusive Angola e Moçambique), e Mugabe me recebeu no hotel em que estava, após alguma insistência minha.

Em verdade, eu havia pedido a entrevista a uns companheiros dele que eu identifiquei por puro faro no saguão do hotel. No entanto, ele recebeu primeiro um correspondente do NY Times que havia pedido depois de mim. Aí, eu argumentei:

— O sujeito que é do jornal porta-voz do imperialismo ianque vocês recebem rapidinho, e eu, que sou solidário à sua luta, fico esperando, né?!

Os caras se tocaram e num piscar de olhos eu estava diante de Mugabe. Cheio de formalismos e vigilância no início, após uns minutos de papo ele descontraiu, tirou as botas e as armas, botou os pés sobre a mesinha e a coisa andou. Foi por mais de uma hora, em inglês. A entrevista foi publicada, à época, no semanário Movimento.

Quase quatro décadas se passaram. E vejo que a grande mídia trata dos acontecimentos atuais em Harare, a capital de Zimbábue, com grande dose de amnésia.

Desde logo, se esquece de falar do que era a Rodésia, o regime fascista que lá vigorava, do apartheid de triste memória, que foi derrubado por Mugabe. E do regime socialista por ele implantado no início, com reforma agrária e pesados investimentos em educação, do ensino fundamental à universidade, o que mudou a cara da África inteira.

Mugabe aparecia como um nativo de boa formação, professor de História desde muito jovem e formado em Economia pela Universidade de Londres. Seguia uma linha marxista, influenciado por outras lideranças africanas. Era, contudo, um brigador nato contra a segregação racial e as injustiças em geral.

Era um revolucionário autêntico, que conseguia superar também os problemas étnicos (ou tribais) com que se deparava pelo caminho. Por isso tudo, amargou dez anos (1964/1974) nas cadeias malcheirosas do poder colonial, mas enfrentou o apartheid até tirá-lo do poder.

Nos seus últimos 15 anos, a minoria branca do país se julgava independente do Reino Unido, mas a independência só ocorreu em 1979. Foram convocadas eleições diretas e Mugabe foi eleito primeiro-ministro pela União Nacional Africana de Zimbabwe (ZANU), partido que era uma frente de esquerda.

A partir de então, ele foi sendo eleito chefe do poder por sucessivas eleições, recentemente contestadas por oposicionistas do regime. De qualquer modo, sempre exigiu muita habilidade política num país de muitos povos que buscam se afirmar – pra se ter uma ideia, sua Constituição declara 15 línguas oficiais, além do inglês.

O fato é que Zimbábue vem passando por severa crise econômica, agravada por uma corrupção desenfreada e por uma elite negra que ao longo dos anos se tornou muito conservadora. Desfez os avanços sociais e promoveu a concentração de renda em mãos de poucos, que antes eram brancos e agora são pretos.

O comando militar do país, sempre alinhado a Mugabe, resolveu retirá-lo do poder, através de um golpe lento e gradual, mas é visível que ele, hoje com 93 anos de idade, ainda conta com forte apoio popular, em especial nas cidades do interior. Isso, embora em Harare, com seus 1,4 milhão de habitantes, tenha havido algumas manifestações de rua a favor do golpe.

No campo externo, Zimbábue é hoje aliada da China e enfrenta a disputa internacional pelas suas riquezas naturais, especialmente ouro e amianto. Sua população atual é de perto de 15 milhões de pessoas.

http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=8777&id_coluna=91

 

Mandela e Mugabe 

Por Luiz Carlos Azenha* 

Li outro dia que um destes idiotas que faturam explorando a franchise do politicamente incorreto escreveu que o Zimbábue não tinha dado nenhuma contribuição à Humanidade.

É um idiota que mal sabe que existe toda uma literatura demonstrando como os brancos europeus de caso pensado desvalorizaram a África, um continente “de povo sem alma” (no dizer daqueles europeus), com o objetivo de justificar os crimes da ocupação usurpadora de terras e de riquezas.

O melhor exemplar desta literatura, em minha opinião, é Africa, A Biography of the Continent, de John Reader.

O autor contesta, por exemplo, a ideia de que o rio Nilo foi o corredor para que a “civilização” chegasse ao interior da África com alguns fatos, como a existência das ruínas do Grande Zimbábue lá no interior.

O que quero dizer é que existe toda uma produção europeia racista desqualificando a África e os africanos, que este povo do “politicamente incorreto” retoma apenas para poder expressar o seu racismo disfarçado.

Quando fiz parte da equipe do programa Nova África, na TV Brasil, escolhemos deliberadamente ouvir o povo, não as autoridades do continente, para desespero dos bate paus governistas, que preferiam um programa para fazer a política externa do governo Lula.

Sob a batuta da historiadora Conceição Oliveira, a gente se ligava especialmente no que dizia o povo dos países que visitávamos. Por que o ditador Mugabe tem ainda algum apoio popular, depois de tantos anos no poder? Porque, apesar de ter beneficiado a sua corja na reforma agrária, foi o único líder africano que realmente mudou a estrutura agrária herdada dos racistas.

Mugabe expulsou das terras os herdeiros de racistas brancos que ocupavam os lugares mais férteis do Zimbábue. Discutam quanto quiserem sobre se usou os métodos mais adequados, se fez isso para se perpetuar no poder, etc.

O fato é que nem Nelson Mandela fez isso, na África do Sul. Feito o Lula em 2002, Mandela teve de assinar uma espécie de Carta aos Sul Africanos quando assumiu o poder, preservando os principais interesses econômicos dos brancos ao mesmo tempo em que promovia a ascensão de uma classe média negra.

Portanto, a verdade inescapável é que, embora os brancos tenham abraçado Mandela como grande símbolo da luta contra o racismo, o ditador Mugabe fez mais que ele quando se tratava de, na prática, apagar a herança racista deixada na distribuição de terras férteis. 

* jornalista 

 

 

Julius Nyerere e o Dr Hastings K. Banda Primeiro Ministro e presidente do Malawi, em visita a Tanganyika no começo dos anos 1960.
(Credito: The National Archives -Reino Unido)

Black Power Meets Pan-Africanism

in Dar es Salaam, Tanzania

By Peter Cole

http://www.aaihs.org/black-power-meets-pan-africanism-in-dar-es-salaam-tanzania/

http://www.aaihs.org/motorcyle-on-hell-run-a-new-book-on-tanzania-and-pan-africanism/

 Seth Markle

http://internet2.trincoll.edu/facprofiles/default.aspx?fid=1351701

 

 

Manu Dibango

Island Records ‎– ILPS 9526 – Originally released in 1976.
Manu Dibango ‎– Afrovision.
Bass – Vicky Edimo.
Drums – Claude Vamur.
Guitar – Bernard Torelli, Jerry Malekanle, Jo Tongo.
Marimba, Saxophone, Synthesizer, Vocals – Manu Dibango.
Percussion – Freddy Nkounkou.
Piano – Alex Francfort.

 

 

Rabat Kesha (ANC), Marcelino dos Santos (CONCP, FRELIMO), Amália Fonseca (CONCP, PAIGC), Nelson Mandela (ANC), Mário Pinto de Andrade (CONCP, MPLA) e Aquino de Bragança (CONCP) em Rabat, Marrocos, em 1962.

Rabat Kesha (ANC), Marcelino dos Santos (CONCP, FRELIMO), Amália Fonseca (CONCP, PAIGC), Nelson Mandela (ANC), Mário Pinto de Andrade (CONCP, MPLA) e Aquino de Bragança (CONCP) em Rabat, Marrocos, em 1962.

 

O valioso tempo dos maduros

 

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.

Tenho muito mais passado do que futuro.

Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.

As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam

poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.

Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.

Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,

cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir

assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.

‘As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’.

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,

minha alma tem pressa…

Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,

muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com

triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade,

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,

O essencial faz a vida valer a pena.

E para mim, basta o essencial!

 

Canção de Salabu

Nosso filho caçula

Mandaram-no pra S. Tomé

Não tinha documentos

Aiué!

 

Nosso filho chorou

Mamã enlouqueceu

Aiué!

 

Mandaram-no pra S. Tomé

Nosso filho partiu

Partiu no porão deles

Aiué!

 

Mandaram-no pra S. Tomé

Cortaram-lhe os cabelos

Não puderam amarrá-lo

Aiué!

 

Mandaram-no pra S. Tomé

Nosso filho está a pensar

Na sua terra, na sua casa

Mandaram-no trabalhar

Estão a mirá-lo, a mirá-lo

—Mamã, ele há-de voltar

Ah! A nossa sorte há-de virar

Aiué!

 

Mandaram-no pra S. Tomé

Nosso filho não voltou

A morte levou-o

Aiué!

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Mario Pinto de Andrade

(1928-1990)

Nasceu em Ngolungo Alto (Angola). – 1929/1947: Estudos primário e secundário em Angola. – 1948: Viaja para Portugal; matricula-se no curso de Filologia Clássica da Faculdade de Letras de Lisboa. – 1949/52: Juntamente com Amílcar Cabral, Agostinho Neto, Francisco José Tenreiro e Alda Espírito Santo, na Casa dos Estudantes do Império, no Clube Marítimo e no Centro de Estudos Africanos promove atividades culturais visando a redescoberta de África. – 1953: Com Francisco José Tenreiro organiza o Caderno de Poesia Negra de Expressão Portuguesa. – 1954:

Vai viver em Paris. – 1955: Redactor da revista Présence Africaine, é também o responsável pela organização do I Congresso de Escritores e Artistas Negros; acabará por se formar em Sociologia, na Sorbonne. – 1960: Com a prisão de Agostinho Neto pela PIDE, Mário assume a presidência do recém fundado MOVIMENTO POPULAR DE LIBERTAÇÃO DE ANGOLA (MPLA); Mário como presidente e Viriato da Cruz como secretário-geral transferem a direcção do MPLA de Luanda para Conakry. – 1961: Após a independência do Congo Belga, Mário e Viriato transferem a direcção do MPLA para Leopoldville. – 1962: Mário entrega a presidência do MPLA a Agostinho Neto, que acabara de fugir de Portugal. – 1965/67: Mário coordena a Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas (CONCP). – 1973: É mandatado pelo Comitê de Coordenação Político-Militar do MPLA, para organizar os textos políticos de Amílcar Cabral. – 1974: Mário, com o seu irmão Joaquim funda a “Revolta Activa”, corrente que se opõe à liderança de Agostinho Neto no MPLA, exigindo a democratização do regime; os dois irmãos Pinto de Andrade e outros militantes são muito perseguidos e têm que abandonar Angola. – 1976/8:

Após a independência de Angola, Mário exila-se na Guiné-Bissau e ocupa o cargo de coordenador-geral do Conselho Nacional de Cultura. – 1978/80: Mário é o Ministro da Informação e Cultura da Guiné-Bissau. – 1980: Golpe de “Nino” Vieira na Guiné; Mário desloca-se para Cabo Verde. – Anos 80: Mário colabora na “História Geral da África” – 1990: A 26 de Agosto Mário falece em Londres.

 

Fonte:  http://www.vidaslusofonas.pt/mario_pinto_andrade.htm