Archives for category: Iconografia

Portrait of African Man with Jam Pot Hanging from Ear by Unknown Artist

Retrato de Homem Africano com alargador na Orelha
http://www.museumsyndicate.com/item.php?item=71077

 

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Chester Himes:

o pai dos detetives negros mais invocados da literatura

“Não ri pra mim. Eu não sou dentista. Dentista arruma dentes. Eu arrebento dentes”. Grave Digger Jones, personagem criado por Chester Himes.

Poucas vezes eu compro um livro sem ter uma referência. Sem que alguém tenha me indicado, que eu tenha lido uma boa reportagem sobre o autor ou visto um filme legal inspirado nele. Comprei “O Harlem é escuro” do Chester Himes (1909-1984), edição de bolso da L&PM, completamente às cegas. Gostei do título, da capa e da orelha e arrisquei. Isso foi no ano passado. Achei do caralho. Os personagens principais, os detetives Jones Coveiro e Ed Caixão(os nomes em inglês são muito mais legais), são dois policiais negros durões do Harlem que investigam crimes comuns nos Estados Unidos racista dos anos 50 e 60. As histórias fluem no ritmo do Jazz, dos conflitos raciais e do uísque barato. Acabei de ler agora “Um jeito tranqüilo de matar”. Tão bom quanto o anterior. O final é até melhor e tem a gangue com o melhor nome da história “Os Mulçumanos Supermaneiros”.

Uma história de detetives não mexia tanto comigo desde o clássico “O Falcão Maltês”, de Dashiell Hammet  (um de meus livros favoritos). Algum dia ainda faço uma análise mais demorado dos livros do Himes. Por enquanto, só gostaria de lembrar um pouco da história do escritor: Himes nasceu numa família de classe média negra na época em que os Estados Unidos ainda era separado por leis racistas. Sua vida se desestruturou quando seu irmão sofreu um acidente (que o deixou cego) e os médicos de um hospital de brancos se recusaram a tratá-lo. Depois disso Himes foi expulso da faculdade e preso por assalto. Na cadeia, passou a escrever contos que foram publicados em grandes revistas americanas. Nos anos 50, Himes mudou para França com sua esposa.

É, amigos, esqueçam o Shaft, os agentes mais legais do pedaço são Coffin Ed e Grave Digger Jones. E tenho dito.

PS: Ah, vale lembrar que algumas das histórias de Himes viraram filme, inclusive o “Perigosamente Harlem” com Danny Glover.

Cartaz do filme "Perigosamente Harlem"

Extraído de: http://www.punkbrega.com.br/category/literatura/page/8/

 

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Reaja à Violência Racial

Negro

se você não reagir

você será morto

morto socialmente

culturalmente

economicamente

psicologicamente

moralmente

precocemente

morto antes de nascer

ainda no ventre materno

será morto sem trabalho

sem escola

sem ter onde morar

não terá direitos

nem saúde

estará sempre acompanhado

da praga embriaguez

da prostituição

empurrado para o crime

você será morto

nas prisões, nas ruas

no campo, nas cidades

por fome

por uma bala da polícia

morto sem história

com a angústia de não ter lutado

sua dignidade

estraçalhada.

 

Milton Barbosa

Milton Barbosa é poeta e ativista, fundador do MNU (Movimento Negro Unificado).

Extraído de: http://movimentonegrounificadomnu.blogspot.com.br/

“Quando os missionários chegaram, os africanos tinham a terra e os missionários a bíblia. Eles nos ensinaram a orar com os olhos fechados. Quando abrimos os olhos, eles possuíam a terra e nós tínhamos a bíblia.”

Jomo Kenyatta – Kênia

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Jomo Kenyatta é considerado o Pai-Fundador do Quenia.  Nascido a 20 de Outubro de 1894, faleceu em 22 de Agosto de 1978.  Foi primeiro-ministro (entre 1963 e 1964) e presidente (1964 – 1978) do Quênia. 

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Golpe no Zimbábue

Por Jaime Sautchuk*

 

Robert Mugabe era líder guerrilheiro no combate ao governo racista da antiga Rodésia, colônia britânica, hoje Zimbábue. Eu estava em Dar Es-Salam, capital da Tanzânia, que servia de ancoradouro aos movimentos de libertação da África Austral (inclusive Angola e Moçambique), e Mugabe me recebeu no hotel em que estava, após alguma insistência minha.

Em verdade, eu havia pedido a entrevista a uns companheiros dele que eu identifiquei por puro faro no saguão do hotel. No entanto, ele recebeu primeiro um correspondente do NY Times que havia pedido depois de mim. Aí, eu argumentei:

— O sujeito que é do jornal porta-voz do imperialismo ianque vocês recebem rapidinho, e eu, que sou solidário à sua luta, fico esperando, né?!

Os caras se tocaram e num piscar de olhos eu estava diante de Mugabe. Cheio de formalismos e vigilância no início, após uns minutos de papo ele descontraiu, tirou as botas e as armas, botou os pés sobre a mesinha e a coisa andou. Foi por mais de uma hora, em inglês. A entrevista foi publicada, à época, no semanário Movimento.

Quase quatro décadas se passaram. E vejo que a grande mídia trata dos acontecimentos atuais em Harare, a capital de Zimbábue, com grande dose de amnésia.

Desde logo, se esquece de falar do que era a Rodésia, o regime fascista que lá vigorava, do apartheid de triste memória, que foi derrubado por Mugabe. E do regime socialista por ele implantado no início, com reforma agrária e pesados investimentos em educação, do ensino fundamental à universidade, o que mudou a cara da África inteira.

Mugabe aparecia como um nativo de boa formação, professor de História desde muito jovem e formado em Economia pela Universidade de Londres. Seguia uma linha marxista, influenciado por outras lideranças africanas. Era, contudo, um brigador nato contra a segregação racial e as injustiças em geral.

Era um revolucionário autêntico, que conseguia superar também os problemas étnicos (ou tribais) com que se deparava pelo caminho. Por isso tudo, amargou dez anos (1964/1974) nas cadeias malcheirosas do poder colonial, mas enfrentou o apartheid até tirá-lo do poder.

Nos seus últimos 15 anos, a minoria branca do país se julgava independente do Reino Unido, mas a independência só ocorreu em 1979. Foram convocadas eleições diretas e Mugabe foi eleito primeiro-ministro pela União Nacional Africana de Zimbabwe (ZANU), partido que era uma frente de esquerda.

A partir de então, ele foi sendo eleito chefe do poder por sucessivas eleições, recentemente contestadas por oposicionistas do regime. De qualquer modo, sempre exigiu muita habilidade política num país de muitos povos que buscam se afirmar – pra se ter uma ideia, sua Constituição declara 15 línguas oficiais, além do inglês.

O fato é que Zimbábue vem passando por severa crise econômica, agravada por uma corrupção desenfreada e por uma elite negra que ao longo dos anos se tornou muito conservadora. Desfez os avanços sociais e promoveu a concentração de renda em mãos de poucos, que antes eram brancos e agora são pretos.

O comando militar do país, sempre alinhado a Mugabe, resolveu retirá-lo do poder, através de um golpe lento e gradual, mas é visível que ele, hoje com 93 anos de idade, ainda conta com forte apoio popular, em especial nas cidades do interior. Isso, embora em Harare, com seus 1,4 milhão de habitantes, tenha havido algumas manifestações de rua a favor do golpe.

No campo externo, Zimbábue é hoje aliada da China e enfrenta a disputa internacional pelas suas riquezas naturais, especialmente ouro e amianto. Sua população atual é de perto de 15 milhões de pessoas.

http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_texto=8777&id_coluna=91

 

Mandela e Mugabe 

Por Luiz Carlos Azenha* 

Li outro dia que um destes idiotas que faturam explorando a franchise do politicamente incorreto escreveu que o Zimbábue não tinha dado nenhuma contribuição à Humanidade.

É um idiota que mal sabe que existe toda uma literatura demonstrando como os brancos europeus de caso pensado desvalorizaram a África, um continente “de povo sem alma” (no dizer daqueles europeus), com o objetivo de justificar os crimes da ocupação usurpadora de terras e de riquezas.

O melhor exemplar desta literatura, em minha opinião, é Africa, A Biography of the Continent, de John Reader.

O autor contesta, por exemplo, a ideia de que o rio Nilo foi o corredor para que a “civilização” chegasse ao interior da África com alguns fatos, como a existência das ruínas do Grande Zimbábue lá no interior.

O que quero dizer é que existe toda uma produção europeia racista desqualificando a África e os africanos, que este povo do “politicamente incorreto” retoma apenas para poder expressar o seu racismo disfarçado.

Quando fiz parte da equipe do programa Nova África, na TV Brasil, escolhemos deliberadamente ouvir o povo, não as autoridades do continente, para desespero dos bate paus governistas, que preferiam um programa para fazer a política externa do governo Lula.

Sob a batuta da historiadora Conceição Oliveira, a gente se ligava especialmente no que dizia o povo dos países que visitávamos. Por que o ditador Mugabe tem ainda algum apoio popular, depois de tantos anos no poder? Porque, apesar de ter beneficiado a sua corja na reforma agrária, foi o único líder africano que realmente mudou a estrutura agrária herdada dos racistas.

Mugabe expulsou das terras os herdeiros de racistas brancos que ocupavam os lugares mais férteis do Zimbábue. Discutam quanto quiserem sobre se usou os métodos mais adequados, se fez isso para se perpetuar no poder, etc.

O fato é que nem Nelson Mandela fez isso, na África do Sul. Feito o Lula em 2002, Mandela teve de assinar uma espécie de Carta aos Sul Africanos quando assumiu o poder, preservando os principais interesses econômicos dos brancos ao mesmo tempo em que promovia a ascensão de uma classe média negra.

Portanto, a verdade inescapável é que, embora os brancos tenham abraçado Mandela como grande símbolo da luta contra o racismo, o ditador Mugabe fez mais que ele quando se tratava de, na prática, apagar a herança racista deixada na distribuição de terras férteis. 

* jornalista 

 

 

 

A Banda Punk Afro-americana Bad Brains,

em foto de show no CBGB (Nova Iorque), de 1982.

Fonte:

http://www.punkbrega.com.br/2013/04/terremoto-sonoro-video-do-bad-brains-ao-vivo-no-cbgb-em-1982/

 

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https://badbrains.com/

Libros de segunda mano: EL PRIMITIVO, CHESTER HIMES - Foto 1 - 49146288

Libros de segunda mano: - Foto 2 - 49146288

O Primitivo

Chester Himes

Há no mercado editorial brasileiro uma edição publicada pela Editorial Bruguera, do Rio de Janeiro, em 1968. Fácil de encontrar em sites dedicados ao comércio de livros ou em sebos.